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	<title>Christopher Rufo, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Christopher Rufo, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>Loucura e Sociedade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Christopher Rufo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2020 19:58:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Alcóolicos]]></category>
		<category><![CDATA[Conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Distúrbio Mental]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Prostituição]]></category>
		<category><![CDATA[San Donato Val di Comino]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Justa]]></category>
		<category><![CDATA[Viciados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os italianos preservaram uma cultura familiar e de responsabilidade que reduz severamente a manifestação de comportamento patológico e impõe um padrão de dignidade que incentiva viciados e doentes mentais a participarem da sociedade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>A sociedade é produto de nossos desejos; o governo é produto de nossas maldades.</em>”,<br>Thomas Paine (1737 – 1809): político britânico.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Todas as manhãs, às 6 horas, alcóolicos, viciados e doentes mentais moradores de <em>San Donato Val di Comino</em>, na Itália, levantam-se de suas casas e reúnem-se – às vezes juntos, mas normalmente sozinhos – nos cafés ao redor da praça principal da cidade. Alguns dos alcóolicos mais calejados pedem um café expresso com uma dose de bebida destilada, e então montam em caminhões rumo a fazendas e canteiros de obra. Os mentalmente enfermos – que sofrem principalmente de depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia – pedem xícaras de café ou sentam-se às mesas da esplanada de mãos vazias, um sinal de que não possuem mais dinheiro para o mês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu pai nasceu neste vilarejo, onde, ao longo de duas décadas, observei esse ritual de início da manhã durante as férias de família, mas desta vez ele me impactou de um modo diferente. Durante os últimos 18 meses, <a href="https://www.city-journal.org/contributor/christopher-f-rufo_1334" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">relatei</a> sobre pessoas desabrigadas, vício e transtorno mental em cidades americanas e passei muitas horas com os moradores mais vulneráveis da América, que, aparentemente, lutam contra as mesmas aflições que os moradores daqui de <em>San Donato</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, o contraste é enorme. Nas cidades da Costa Oeste, dezenas de milhares de viciados e doentes mentais moram nas ruas em condições terríveis, e sobrevivem graças a uma combinação de mendicância, prostituição e crimes patrimoniais, os quais, por sua vez, criam desordem nas ruas da cidade. Porém, não é assim aqui em <em>San Donato</em>. Aqui, viciados e doentes mentais são profundamente integrados na comunidade e mantêm um padrão de vida digno. Suas famílias e parentes cuidam deles e permanecem envolvidos em suas vidas. Quando necessário, o governo municipal fornece empregos, esvaziando as ruas, e, às vezes, negócios locais pagam deficientes mentais para trabalharem como <em>lo spanno</em>, uma ocupação informal que envolve andar pelas ruas com um alto-falante anunciando os novos produtos disponíveis no mercado da cidadezinha. A comunidade cumpre um papel em ajudar os mais vulneráveis, não através de imposições ou programas sociais oficiais, mas através dos valores de assistência e responsabilidade comunitária.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/2QxwEe4" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="235" height="445" class="wp-image-3820" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/APobrezaDasNacoes.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Pobreza das nações&quot;, escrita por escrita por Wayne Grudem e Barry Asmus. Publicada pela Editora Vida Nova, sob ISBN 978-8527505987."></a>Em <em>San Donato</em>, um homem encontrado dormindo nas ruas seria um escândalo moral. O vilarejo constrangeria a família do homem sem-teto para que ela providenciasse a ele apoio financeiro, prático e psicológico. O motivo pelo qual ninguém dorme nas ruas por aqui não é médico ou técnico, é cultural. Apesar da enorme mudança econômica e social do último século, os italianos preservaram uma cultura familiar e de responsabilidade que reduz severamente a manifestação de comportamento patológico e impõe um padrão de dignidade que incentiva viciados e doentes mentais a participarem da sociedade a despeito de suas condições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É verdade que um pequeno vilarejo como <em>San Donato</em> não pode ser comparado a um ambiente urbano como <a href="https://www.city-journal.org/san-francisco-crime" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">São Francisco</a>, mas a desordem e devastação sociais nas pequenas cidades da América é possivelmente pior do que em suas cidades maiores. A diferença não é apenas uma questão de escala. Alguns poderiam dizer que maiores impostos e programas de bem-estar social mais generosos impedem que os italianos caiam no desabrigo e no desespero – mas, na verdade, a América <a href="https://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=SOCX_AGG" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">gasta</a> mais recursos <em>per capita</em> em serviços sociais do que a Itália, com piores resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="ContemNota">As receitas políticas predominantes para o enfrentamento do vício e distúrbio mental nos Estados Unidos incluem a profissionalização, medicalização <a href="#Nota">[1]</a> e desestigmatização. Apesar da crescente evidência de fracasso durante a última metade do século passado, nós continuamos a aumentar os programas sociais, a tratar o vício como doença e a desestigmatizar desde o consumo de heroína a acampamentos sem-teto. Porém, a América está mais viciada, mais desesperada e mais desordenada do que nunca. Administradores públicos e acadêmicos tratam a sugestão de que a família e os costumes culturais são a chave para resolver a crise de vício e desabrigo como ingênua ou até imoral. Mas o exemplo de <em>San Donato</em> nos mostra que as sociedades tradicionais possuem uma melhor compreensão dos problemas sociais, ao reconhecerem que perspectivas culturais possuem um papel fundamental em refrear as tendências humanas mais destrutivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos anos atrás, um amigo referiu-se a <em>San Donato</em> como um <em>manicomio all’aperto</em> – um manicômio a céu aberto. Ele apreendeu a verdade poética de que todos nós nos enquadramos em alguma categoria do espectro da irracionalidade humana, e que uma boa sociedade integra os sãos e os loucos em suas instituições culturais comuns. Ainda que uma cultura tradicional de constrangimento exista em <em>San Donato</em>, os moradores demostram compaixão pelos viciados e doentes mentais – efetivamente vivendo com eles e cuidando deles – ao mesmo tempo em que permanecem intolerantes com o comportamento patológico aceito pelos progressistas americanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lição para os americanos é que a cultura importa. Se quisermos pôr fim à destruição da vida humana pela dependência química, doença mental, desabrigo e violência, temos que repensar nossas possibilidades culturais e morais, e buscar restabelecer vínculos familiares e comunitários que podem impedir que os mais vulneráveis caiam no abismo. Nenhum médico, pílula ou política pública pode substituir uma sociedade verdadeiramente solidária – que ama os loucos e os viciados, mas os impede de prejudicarem-se a si mesmos e a seus vizinhos.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Escrito por <a href="https://culturadefato.com.br/author/christopherrufo/">Christopher Rufo</a>. Traduzido por <a href="https://www.culturadefato.com.br/?s=%22traduzido+por%22+%2B+victor+terra">Victor Terra</a>.<br>Artigo original publicado na revista <a rel="noreferrer noopener nofollow" href="https://www.city-journal.org/" target="_blank"><em>City Journal</em></a>, disponível em:<br><a rel="noreferrer noopener nofollow" href="https://www.city-journal.org/san-donato-mental-illness-addiction" target="_blank">www.city-journal.org/san-donato-mental-illness-addiction</a>.</p>



<p class="has-text-align-right img-direita wp-block-paragraph"><img decoding="async" width="139" height="166" class="wp-image-3807" style="width: 139px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ChristopherRufo.jpg" alt=""><br>Sobre o autor:<br><br><a href="https://culturadefato.com.br/author/christopherrufo/">Christopher Rufo</a> é editor colaborador da <a href="https://www.city-journal.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>City Journal</em></a>, documentarista e pesquisador do <a href="https://www.discovery.org/econ/about/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>Center on Wealth, Poverty &amp; Morality</em></a> do <a href="https://www.discovery.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>Discovery Institute</em></a>. É diretor executivo da <a href="https://documentaryfoundation.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Documentary Foundation</a>, organização dedicada à produção e distribuição de documentários sobre a experiência americana.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph">Nota:</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="Nota"><strong>1</strong>. <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="NT: Nota do Tradutor (tradução de Victor Terra).">N. T.</span>: <em>medicalization</em> – [Medicina Social] Tendência equivocada, frequentemente perpetuada por profissionais da saúde, a ver os efeitos da desvantagem socioeconômica como questões puramente médicas (<em>McGraw-Hill Concise Dictionary of Modern Medicine</em>. © 2002 <em>by The McGraw-Hill Companies, Inc</em>.). <a href="#ContemNota"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-6655" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="" width="14" height="10"></a></p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph">Leituras recomendadas:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Roel Kuiper – <a href="https://amzn.to/2QYOuFw" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Capital Moral: o poder de conexão da sociedade</em></a>.</li><li>Bob Goudzwaard – <a href="https://amzn.to/39Mn3ax" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Capitalismo e Progresso: um diagnóstico da sociedade ocidental</em></a>.</li><li><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Gilbert">G</span>. <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Keith">K</span>. Chesterton – <a href="https://amzn.to/36Bv14k" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Um esboço da sanidade: pequeno manual do distributismo</em></a>.</li><li>Wayne Grudem e Barry Asmus – <a href="https://amzn.to/2QxwEe4" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>A pobreza das nações: uma solução sustentável</em></a>.</li><li>Wayne Grudem e Barry Asmus – <a href="https://amzn.to/39HsOqd" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Economia e Política na Cosmovisão Cristã</em></a>.</li><li>Andrew Sandlin – <a href="https://amzn.to/2QwALHb" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>A desgraça do ateísmo na economia</em></a>.</li><li>Vishal Mangalwadi – <a href="https://amzn.to/2QXyp35" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Truth and Transformation: a manifesto for ailing nations</em></a>.</li></ul>



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