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	<title>Connor O’Keeffe, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Connor O’Keeffe, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>Uma Internet livre é uma ameaça ao establishment</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Connor O’Keeffe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 03:37:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A internet não permitia apenas que as pessoas vissem e ouvissem opiniões discordantes, mas também que elas vissem que essas opiniões eram populares.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/uma-internet-livre-e-uma-ameaca-ao-establishment/">Uma Internet livre é uma ameaça ao establishment</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>O ódio revela muita coisa que permanece oculta ao amor.</em> <em>Lembra-te disso</em><br><em>e não desprezes a censura dos inimigos.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Leonardo di Ser Piero da Vinci (1452 - 1519) foi um polímata nascido na atual Itália. Destacou-se como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.">Leonardo da Vinci</span> (1452 &#8211; 1519)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Na semana passada, um&nbsp;<a href="https://twitter.com/MikeBenzCyber/status/1737489386244030932" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">vídeo&nbsp;</a>de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Yoshihiro Francis Fukuyama é um filósofo e economista político nipo-estadunidense, nascido em 27 de outubro de 1952 ne cidade de Chicago (Illinois, EUA).">Francis Fukuyama</span> viralizou. No vídeo, o cientista político chamou a liberdade de expressão e um mercado de ideias de “noções do século XVIII que realmente foram desmentidas (ou mostradas como falsas) por muito do que aconteceu nas últimas décadas”.</p>



<p>Fukuyama então reflete sobre como um regime de censura poderia ser decretado nos Estados Unidos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Mas a questão então se torna: como você realmente regula o conteúdo que você acha que é nocivo, prejudicial e afins – e faz isso de uma maneira que seja consistente com a Primeira Emenda da constituição americana? Agora, acho que você pode ultrapassar um pouco os limites porque a Primeira Emenda não permite que você diga o que quiser. Mas entre as democracias liberais, a Primeira Emenda está entre as mais expansivas de qualquer democracia desenvolvida.<br><br>E você pode imaginar um mundo futuro em que nós meio que relativizamos a liberdade de expressão garantida pela constituição e dizemos não, agora nós vamos ter uma lei mais próxima da da Alemanha onde podemos designar, ou melhor, o governo pode designar, algo como discurso de ódio e depois impedir a disseminação disso. Mas a questão então é, politicamente, como você vai chegar lá?</p>
</blockquote>



<p>Deixando de lado o fato de que o regime de censura de que Fukuyama está falando&nbsp;<a href="https://twitterfiles.substack.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">já está aqui</a>, é importante considerar a admissão por trás de suas palavras.</p>



<p>Francis Fukuyama é frequentemente associado ao movimento neoconservador. E isso por um bom motivo. Ele foi ativo no neoconservador <em>Projeto para um Novo Século Americano</em> e ajudou a liderar a pressão para a invasão do Iraque em 2003. Mas mais tarde voltou-se contra a guerra e renunciou ao neoconservadorismo, então ele talvez possa ser melhor entendido como um representante intelectual do <em>establishment</em> de Washington.</p>



<p>Fukuyama é mais conhecido por seu livro de 1992&nbsp;<em><a href="https://www.amazon.com.br/fim-hist%C3%B3ria-%C3%BAltimo-homem/dp/853250129X" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">O fim da história e o último homem</a></em>. O livro argumenta que a democracia liberal representa o ponto final da evolução ideológica da humanidade e a forma final de governo por causa de sua vitória sobre o fascismo e o socialismo e sua suposta falta de contradições internas.</p>



<p>Se houve um momento em que essa ideia ressoou, foi em 1992. A União Soviética havia desaparecido, e o governo dos EUA, recém-saído de sua sólida derrota do Iraque de <span data-tooltip="Saddam Hussein (1937 - 2006), ditador iraquiano." data-tooltip-position="top">Saddam Hussein</span>, era a entidade individual mais poderosa da história.</p>



<p>Mas, ao mesmo tempo, um meio inteiramente novo para a informação estava surgindo rapidamente. Em 1996, um engenheiro de <em>software</em> chamado <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Dave Winer é um programador e empresário estadunidense. Pioneiro nas áres de RSS, XML-RPC, OPML e da API MetaWeblog, ele também é o autor do Scripting News, um dos mais antigos weblogs, fundado em 1997.">Dave Winer</span> decidiu hospedar seu boletim informativo na <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="World Wide Web (WWW), em português a tradução literal fica como ''Teia em Todo o Mundo'', no entanto, normalmente se traduz como ''Rede Mundial de Computadores''."><em>World Wide Web</em></span>. O resultado foi o primeiro <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="WEB é a sigla de ''World Wide Web''. Log no sentido de registros."><em>web log</em></span>, ou <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="BLOG é a abreviação de ''Web Log''."><em>blog</em></span>. Ele o chamou de&nbsp;<em>DaveNet</em>. À medida que os <em>blogs</em> começaram a pegar, os autores podiam alcançar seus leitores diretamente, sem filtros, editores ou restrições de espaço.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://amzn.to/3TT0N8z" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="416" height="617" class="wp-image-19295" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2024/01/TheRevoltOfThePublic.jpg" alt="Capa do livro: &quot;The Revolt of the Public and the Crisis of Authority in the New Millennium&quot;, de Martin Gurri."></a>Não se pode subestimar o efeito desse desenvolvimento. Mas isso é melhor explicado por <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Martin Gurri é um ex-analista da CIA que escreve sobre a relação entre política e mídia. Ele é um pesquisador visitante no Mercatus Center na George Mason University, na Virgínia, e é um escritor colaborador da revista Discourse do Centro.">Martin Gurri</span> em seu livro de 2014 <em><a href="https://www.amazon.com/Revolt-Public-Crisis-Authority-Millennium/dp/1732265143/ref=sr_1_1?crid=3SQR0QZ7E5J9O&amp;keywords=the+revolt+of+the+public&amp;qid=1703255204&amp;sprefix=the+revolt+o%2Caps%2C111&amp;sr=8-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">The Revolt of the Public and the Crisis of Authority in the New Millennium</a></em>. Gurri postula que ao longo da história humana “a informação não cresceu incrementalmente… mas expandiu-se em grandes pulsos ou ondas que varrem a paisagem humana e deixam pouco intocado.”</p>



<p>Segundo Gurri, a primeira onda de informação veio com a invenção da escrita. A segunda foi desencadeada pelo desenvolvimento dos alfabetos. Essas ondas deram origem a governos e sociedades liderados por castas burocráticas e sacerdotais letradas. A terceira onda veio com a invenção da prensa tipográfica. De repente, o monopólio do&nbsp;<em>ancien régime</em>&nbsp;sobre a informação foi quebrado. O resultado foi uma mudança política radical — mais notavelmente a Reforma Protestante e as Revoluções <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Revolução político-ideológica que ocorreu na América Britânica entre 1765 e 1791.">Americana</span> e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Entre 5 de maio de 1789 e 9 de novembro de 1799.">Francesa</span>.</p>



<p>Central para a tese de Gurri é a ideia de que essas revoluções não ocorreram por causa de uma mudança repentina nos sentimentos do público, mas porque mudanças abruptas no espaço da informação permitiram que sentimentos que já estavam lá se espalhassem e se desenvolvessem fora do controle das classes dominantes.</p>



<p>A quarta onda veio com a adoção dos meios de transmissão – rádio e televisão – durante o século XX. Embora essa onda tenha sido&nbsp;<a href="https://www.amazon.com/Amusing-Ourselves-Death-Discourse-Business/dp/014303653X/ref=sr_1_1?crid=DC9HI66RE2OZ&amp;keywords=amusing+ourselves+to+death%2C+by+neil+postman&amp;qid=1703262956&amp;sprefix=Amusing+ou%2Caps%2C150&amp;sr=8-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">certamente disruptiva</a>, a dominação antecipada das ondas de rádio pelo governo tornou mais fácil para a classe política manter o controle sobre o espaço de informação.</p>



<p>Mas o mesmo não se pode dizer da quinta onda: a revolução digital. Apenas dois anos após o lançamento do&nbsp;<em>DaveNet,</em>&nbsp;outro <em>blog</em>, o&nbsp;<em>Drudge Report,</em>&nbsp;circularia pela imprensa do <em>establishment</em> e divulgaria a história que levou ao impeachment de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="William Jefferson 'Bill' Clinton, nasceu em 1946 na cidade de Hope (EUA). Foi o 42.º presidente do país por dois mandatos, entre 1993 e 2001.">Bill Clinton</span>.</p>



<p>Dez anos depois, quando mais uma crise financeira tomou conta do país, a internet permitiu que verdadeiros movimentos de oposição de base se organizassem e se espalhassem – o <em>Occupy Wall Street</em>, à esquerda, e o <em>Tea Party</em>, à direita. Também permitiu que candidatos como <a href="https://culturadefato.com.br/author/ronpaul/">Ron Paul</a> fizessem campanhas populares críticas ao <em>establishment</em> de Washington.</p>



<p>A internet não permitia apenas que as pessoas vissem e ouvissem opiniões discordantes, mas também que elas vissem que essas opiniões eram populares.</p>



<p>E por causa disso, desde a <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Onda revolucionária de manifestações e protestos que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África a partir de 18 de dezembro de 2010.">Primavera Árabe</span> até a passagem do <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Brexit vem da junção das palavras inglesas ''Britain'' (Bretanha) e ''Exit'' (saída).">Brexit</span>, o enfraquecimento do controle político sobre o espaço da informação começou a levar a mudanças reais em todo o mundo. Mas nos Estados Unidos, depois que <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Donald John Trump é empresário, personalidade televisiva e foi o 45.º presidente dos Estados Unidos.">Donald Trump</span> ganhou a Casa Branca, a classe política acordou para o que estava acontecendo. E eles decidiram fazer algo a respeito.</p>



<p>No início, era desinformação russa, depois extremistas domésticos odiosos e, mais tarde, céticos da <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Desde o início de fevereiro de 2019, a OMS passou a chamar oficialmente a doença causada pelo coronavírus de COVID-19, que é a sigla de COrona VIrus Disease (Doença do Coronavírus), o sufixo''19'' indica o ano de 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados.">COVID</span>. O <em>establishment</em> usou qualquer bicho papão ou espantalho que eles consideraram que poderia assustar o público a aceitar mais controle político sobre o espaço <em>online</em>. O que nos traz de volta a Fukuyama.</p>



<p>De certa forma, ele está certo. Era muito mais fácil para o <em>establishment</em> de Washington agir como se apoiasse a liberdade de expressão e a livre troca de ideias quando controlava o espaço de informação. Mas agora que a internet reverteu parcialmente seu controle, essas ideias foram “desmentidas” aos seus olhos.</p>



<p>Para&nbsp;<a href="https://rothbardbrasil.com/obama-quer-a-volta-do-controle-da-narrativa-pela-midia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">aqueles como Fukuyama</a>, que querem que o <em>establishment</em> de Washington mantenha seu&nbsp;<a href="https://mises.org/wire/problem-joe-manchins-centrism" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">intervencionismo&nbsp;</a>cada vez maior no país e no exterior – financiado por dívidas e inflação insustentáveis – a revolução digital é motivo de preocupação. Mas para aqueles de nós que entendem que nossas questões econômicas, geopolíticas e culturais exigem mudanças radicais, é um motivo para ter esperança.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/connorokeeffe/">Connor O’Keeffe</a>.<br>Publicado em 7 de Janeiro de 2024 no <em>website</em> do <a href="https://rothbardbrasil.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Rothbard Brasil</a>.<a href="https://loja.uiclap.com/titulo/ua21381/"></a></p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>The World Wide Web</em>” (2017), por Yuriy Sidorenko.</p>



<br>
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