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	<title>Douglas Alfini Jr., Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 01 Jun 2026 03:00:59 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Douglas Alfini Jr., Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>Montello, Petrucciani e a vergonha.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 03:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Albert Einstein]]></category>
		<category><![CDATA[Jazz]]></category>
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		<category><![CDATA[Thomas Cole]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Vivemos cercados pela falsa impressão de que já conhecemos o essencial. Então, de repente, surge um livro ou uma canção e percebemos que o mundo continua infinitamente maior do que nosso repertório.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/montello-petrucciani-e-a-vergonha/">Montello, Petrucciani e a vergonha.</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Albert Einstein (1879-1955) foi físico e matemático alemão. Recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1921.">Albert Einstein</span> (1879 – 1955)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Há algumas semanas venho me dedicando a ler a obra de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Josué de Sousa Montello (1917-2006) foi um jornalista, professor, teatrólogo e escritor brasileiro.">Josué Montello</span> — ou, ao menos, aquilo que consigo encontrar. A culpa, se é que se pode chamar assim, é de meu amigo <a href="https://culturadefato.com.br/author/danielmarcondes/">Daniel Marcondes</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi ele quem me falou, com entusiasmo raro, sobre “<a href="https://amzn.to/437qNQZ" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">O Labirinto de Espelhos</a>”. Dizia-se maravilhado com a maneira como o escritor maranhense navegava pela língua portuguesa, conduzindo o leitor por suas páginas com tal domínio que, por vezes, nos fazia sentir quase analfabetos. Era uma brincadeira, claro. Mas, como toda boa brincadeira, carregava uma verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre atento às indicações de quem realmente sabe indicá-las, fui atrás de Montello. Como prefiro fazer, comecei pelos sebos. Não encontrei o livro recomendado por Daniel. Encontrei outro. O título também me era desconhecido, mas a sinopse me fisgou de imediato. “<a href="https://amzn.to/3Pw84eU" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Antes que os Pássaros Acordem</a>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E que descoberta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambientado em Paris durante a <span data-tooltip="Segunda Guerra Mundial, ocorreu entre 1939 e 1945." data-tooltip-position="top">Segunda Guerra Mundial</span>, o romance confirmou com exatidão as impressões de meu amigo. Josué Montello é um dos grandes gênios de nossa literatura. Mais do que isso: é um daqueles autores que nos fazem perguntar como passamos tanto tempo sem conhecê-los. Confesso que senti certa vergonha ao perceber que seu nome havia permanecido tanto tempo fora de meu horizonte de leitor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, faço aqui uma recomendação simples: não cometam o mesmo erro. Procurem Josué Montello. Leiam-no. Permitam-se o espanto. Assim que terminei aquele livro, comecei imediatamente a procurar outros. E pretendo continuar fazendo isso enquanto houver um volume seu que eu ainda não tenha lido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas as boas descobertas não vivem apenas nas estantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um daqueles dias menos inspirados para a leitura, eu procurava músicos de jazz no Spotify. Queria apenas uma trilha sonora para acompanhar algumas horas de escrita solitária. As músicas se sucediam naturalmente, preenchendo a casa sem exigir atenção, até que uma delas me obrigou a interromper tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corri até o celular para descobrir o que estava ouvindo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era “<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="'' Caravan'' foi composta por Juan Tizol (1900-1984) e Duke Ellington (1899-1974), interpretado pela primeira vez por Ellington em 1936."><a href="https://youtu.be/0hyXNxYs2cU?si=HO1fKEee6Yh85AI8" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Caravan</a></span>”, interpretada por <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Michel Petrucciani (1962-1999) foi um pianista francês, um dos mais brilhantes do jazz.">Michel Petrucciani</span>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não conhecia a música. Tampouco conhecia o músico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas aquela melodia provocou em mim exatamente a mesma sensação das primeiras páginas de Montello: a impressão de estar diante de algo raro. Algo diferente dos sons e das palavras comuns do mundo. Diferente do trivial, do corriqueiro, do descartável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como faço sempre que encontro algo que me impressiona, fui investigar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí começou uma segunda descoberta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Longe de ser um conhecedor profundo de jazz, imaginei, levado pelo sobrenome, estar diante de algum pianista italiano. Descobri que Petrucciani era francês. Descobri também que sofria de osteogênese imperfeita, a chamada doença dos ossos de vidro. Sua condição limitava severamente seu crescimento e seus movimentos. Tinha pouco mais de um metro de altura e enfrentava dificuldades físicas que tornavam até o ato de sentar-se diante do piano um desafio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, ainda assim, quando tocava, parecia tornar o instrumento a coisa mais simples do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morreu cedo, aos 36 anos. Mas deixou gravações que bastam para atravessar décadas e continuar surpreendendo desconhecidos em tardes comuns, como aconteceu comigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez fui tomado por uma espécie de vergonha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vergonha de não conhecer o maranhense que escrevia sobre Paris como quem descreve o quintal de casa em São Luís.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vergonha de nunca ter ouvido falar do francês de sobrenome italiano que, apesar das limitações físicas, alcançou uma grandeza artística capaz de desafiar qualquer explicação racional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas talvez essa seja uma das melhores vergonhas que existem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos cercados pela falsa impressão de que já conhecemos o essencial. Acreditamos ter lido os autores importantes, ouvido as músicas indispensáveis, assistido aos filmes fundamentais. Então, de repente, surge um amigo que nos indica um livro. Ou um algoritmo distraído que nos entrega uma canção. E percebemos que o mundo continua infinitamente maior do que nosso repertório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, penso que continuo lendo, ouvindo música e procurando arte justamente por causa dessas pequenas humilhações. Procuro novas vergonhas. Procuro o próximo autor extraordinário que desconheço. O próximo músico genial cujo nome jamais ouvi. O próximo livro esquecido numa prateleira de sebo que me fará perguntar onde ele esteve escondido durante toda a minha vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez o verdadeiro privilégio não seja acumular conhecimento, mas conservar a capacidade de se surpreender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, se tenho algum receio, não é o de encontrar novas obras-primas. É exatamente o contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho medo de que um dia elas deixem de me encontrar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho medo de acordar numa manhã em que nenhuma indicação desperte curiosidade, em que nenhum livro desconhecido me chame da estante, em que nenhuma melodia inesperada me obrigue a interromper o que estou fazendo para descobrir quem a criou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque, enquanto existirem Josués Montellos escondidos nas páginas que ainda não li e Michels Petruccianis tocando nas músicas que ainda não ouvi, haverá sempre a possibilidade de espanto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E talvez seja justamente disso que a vida intelectual é feita: da permanente alegria de descobrir, tarde demais, aquilo que jamais deveríamos ter demorado tanto para conhecer.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por&nbsp;<a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras&nbsp;<a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a>&nbsp;(2021),&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Âmbar Gris</a></em>&nbsp;(2023),&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/4qOMlM3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Ufanista</a></em>&nbsp;(2024) e&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/4bt3JS2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Teratomaquia</a></em>&nbsp;(2025):</p>



<br>



<section id="section-e986ae19-46fb-4f2d-a3c2-5f81f8787a7f" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-2"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/CapaTeratomaquia.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Teratomaquia&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-3"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/CapaOUfanista.jpg" alt="Capa da obra: &quot;O Ufanista&quot;, de Douglas Alfini Jr. ISBN-10: 6501036194 / ISBN-13: 978-6501036199." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div></div></div></div></div></section>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>A imagem da capa é um recorte da obra: “<em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Thomas_Cole_-_The_Voyage_of_Life_Manhood,_1842_%28National_Gallery_of_Art%29.jpg" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">The voyage of life: Manhood</a></em>” (1848), de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Thomas Cole (1801-1848) foi um pintor inglês naturalizado norte-americano. É considerado o fundador da Escola do Rio Hudson, um movimento artístico norte-americano que floresceu em meados do século XIX, caracterizado pelo realístico e detalhado retrato de paisagens da natureza.">Thomas Cole</span> (1801–1848).<br><br><strong>Sobre a imagem</strong>: <em>The Voyage of Life</em> é uma série alegórica composta por quatro pinturas que representam as etapas da existência humana. Nesta terceira fase, <em>Manhood</em> (<em>Maturidade</em>), o viajante navega por águas turbulentas, cercado por ameaças e incertezas, mas segue adiante guiado por uma luz que rompe as nuvens. A escolha da obra para ilustrar este texto relaciona-se à ideia de que a vida intelectual é também uma jornada de descoberta: quanto mais avançamos, mais percebemos a vastidão do que ainda desconhecemos. Assim como o navegante de Cole, o leitor é convidado a seguir viagem, não em busca de certezas definitivas, mas do permanente espanto diante de novos horizontes.</p>



<br>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Mais do autor:</h2>



<br>



<section id="gmd8f66bf" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmd8f66bf gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="1" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="1">
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<div id="section-g1d8741" class="wp-block-gutentor-e6 section-g1d8741 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/manifesto-contra-as-cidades/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/04/TheAngelus.jpg" alt="Recorte de reprodução da obra: &quot;Angelus&quot; (1858), de Jean-François Millet (1814-1875)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/manifesto-contra-as-cidades/">Manifesto contra as cidades</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-9shss09" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-9shss09 gutentor-carousel-item"><div id="section-g-9shss09" class="section-g-9shss09 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-5n3a2oo" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-5n3a2oo gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-arte-como-pressagio-quando-a-ficcao-antecipa-o-real/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/OSonhoDaRazaoProduzMonstros.jpg" alt="Recorte da obra: &quot;O Sonho da Razão Produz Monstros&quot; (1797-1798), de Francisco de Goya (1746–1828)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/a-arte-como-pressagio-quando-a-ficcao-antecipa-o-real/">A arte como presságio: quando a ficção antecipa o real</a></em></p>
</div></div>



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<div id="section-g-0ekaxs4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-0ekaxs4 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2025/07/KnutHamsun.jpg" alt="Knut Hamsun, fotografado em 1941 por Anders Beer Wilse (1865 – 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/">Knut Hamsun: entre a poesia da terra e o abismo da história</a></em></p>
</div></div>



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<div id="section-g-ckpr0bu" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-ckpr0bu gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/09/APatria_PedroBruno.jpg" alt="Obra &quot;A pátria&quot; (1909), de Pedro Paulo Bruno (1888 - 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/">Versos do fim</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-l5wiaih" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-l5wiaih gutentor-carousel-item"><div id="section-g-l5wiaih" class="section-g-l5wiaih gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-70p7e1p" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-70p7e1p gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/09/AbbottHandersonThayer_Sleep.jpg" alt="Obra: &quot;Sleep&quot; (1887), de Abbott Handerson Thayer (1849 - 1921)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><em>Enquanto ele dorme</em></a></p>
</div></div>



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<div id="section-g5ea083" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5ea083 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/07/RosesOnAntiqueArtBox_JeremiahJWhite.jpg" alt="Obra &quot;Roses on Antique Art Box&quot;, por Jeremiah J. White."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><em>O valor das coisas</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc4bcc1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc4bcc1 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc4bcc1" class="section-gmc4bcc1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-gb5981a" class="wp-block-gutentor-e6 section-gb5981a gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/OlavoDeCarvalhoPorIsmaelsouza.jpg" alt="Olavo de Carvalho por Ismael Souza"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><em>Os mercadores da direita</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm97bc39" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm97bc39 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm97bc39" class="section-gm97bc39 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5d0b9c" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5d0b9c gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SOLIDARIEDADE_2021_AurelioBentesBravo.jpg" alt="Obra: &quot;Solidariedade&quot; (2021), por Aurelio Bentes Bravo."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><em>O que você viu?</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmec7203" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmec7203 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmec7203" class="section-gmec7203 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g3bb474" class="wp-block-gutentor-e6 section-g3bb474 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/olha/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ClosedEyes_1895_OdilonRedon.jpg" alt="Obra: &quot;Closed Eyes&quot; (1895), por Odilon Redon (1840 - 1916)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/olha/"><em>Olha</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmcea821" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmcea821 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmcea821" class="section-gmcea821 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g0e2421" class="wp-block-gutentor-e6 section-g0e2421 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/BadNewsInTroubledTimes_MargaretAllen.jpg" alt="Obra: &quot;Bad News in Troubled Times&quot;, por Margaret Allen (1830 - 1914)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><em>As boas notícias</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm26ed3b" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm26ed3b gutentor-carousel-item"><div id="section-gm26ed3b" class="section-gm26ed3b gutentor-col-wrap">
<div id="section-gad34c6" class="wp-block-gutentor-e6 section-gad34c6 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/11/FatGuyPatrickRafferty.jpg" alt="Obra “Fat Guy”, por Patrick Rafferty"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><em>A alegoria do mendigo gordo</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm74d5e7" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm74d5e7 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm74d5e7" class="section-gm74d5e7 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdbd9ba" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdbd9ba gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/LonelyInParis_MaryTuomi.jpg" alt="Obra &quot;Lonely in Paris&quot; (2010), por Mary Tuomi."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><em>O silêncio da minha cabeça</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmde7c23" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmde7c23 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmde7c23" class="section-gmde7c23 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g056053" class="wp-block-gutentor-e6 section-g056053 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/VidaIrlandesa_JohnOBrien.jpg" alt="A obra pertence a coleção &quot;Vida Irlandesa&quot;, de John O'Brien."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><em>O sequestro do Dr. Hélio Pinheiro</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmd27218" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmd27218 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmd27218" class="section-gmd27218 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g2ee9c4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g2ee9c4 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Train_ZdzislawBeksinski.jpg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><em>Teratomaquia</em>, Parte I</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc0c5b5" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc0c5b5 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc0c5b5" class="section-gmc0c5b5 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g147164" class="wp-block-gutentor-e6 section-g147164 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Deserto_ZdzislawBeksinski.jpeg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><em>Teratomaquia</em>, Parte II</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm7199f4" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm7199f4 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm7199f4" class="section-gm7199f4 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gd75b84" class="wp-block-gutentor-e6 section-gd75b84 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm4f6d85" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm4f6d85 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm4f6d85" class="section-gm4f6d85 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdab4fe" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdab4fe gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/06/KramerVsKramer.jpg"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><em>Kramer vs. Kramer: no tribunal do cinema moderno</em></a></p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/montello-petrucciani-e-a-vergonha/">Montello, Petrucciani e a vergonha.</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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		<title>Manifesto contra as cidades</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/manifesto-contra-as-cidades/</link>
					<comments>https://culturadefato.com.br/manifesto-contra-as-cidades/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 01:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-François Millet]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://culturadefato.com.br/?p=27950</guid>

					<description><![CDATA[<p>“A cidade prometeu conforto, mas entregou cansaço. Prometeu conexão, mas entregou solidão. Prometeu segurança, mas empoderou o medo.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/manifesto-contra-as-cidades/">Manifesto contra as cidades</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>“Toda a infelicidade dos homens provém de uma só coisa:</em><br><em>não saberem permanecer em repouso em um quarto.&#8221;</em><br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Blaise Pascal (1623–1662) foi matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo francês.">Blaise Pascal</span> (1623–1662)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Há lugares onde Deus já não passa. Não porque não queira, mas porque não pode permanecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cidade grande se tornou um território onde até o silêncio foi desalojado. As motocicletas rasgam as ruas, os motores gritam, os freios choram, as sirenes se sobrepõem às vozes, o barulho constante sobe aos céus como uma fumaça espessa que sufoca qualquer prece antes que esta termine de nascer. Mas não é, aqui, apenas o barulho que perturba: eis o pensamento apressado, aflito, nervoso das pessoas, vibrando como uma corrente elétrica que tudo atravessa. A mente urbana não descansa, e esse ruído invisível também afasta o sagrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na cidade, a violência se tornou rotina. Tal afirmação é já velha e costumeira, mas não me refiro apenas à violência do corpo, e sim também à violência do olhar desconfiado, do passo acelerado, da pressa que empurra, da indiferença que endurece. Os homens passam uns pelos outros como se fossem obstáculos, e não semelhantes. As janelas se fecham, as portas se trancam, os rostos se desviam. O medo é o soberano senhor das calçadas, exigindo que todo passante o reconheça antes de seguir caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As orações feitas na cidade sobem fracas, cansadas, fragmentadas. Competem com as buzinas, com as propagandas luminosas, com as incessantes notificações dos telefones celulares. Deus, que fala no sussurro, já não encontra quem consiga escutá-lo no meio dessa avalanche de estímulos. Em sentido inverso, não foi Ele quem deixou de ouvir as orações; foi a cidade que se tornou incapaz de falar com clareza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O concreto tomou o lugar da terra. O céu agora é um recorte estreito entre os prédios, impossível de ser visto por inteiro, em toda sua magnitude. A noite perdeu as estrelas, o dia perdeu o horizonte — e quando o homem deixa de ver o horizonte, deixa também de se lembrar de que há algo maior que ele mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso Deus se retirou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não por cólera, nem por castigo: retirou-se apenas para o silêncio. Retirou-se para onde ainda é possível ser ouvido. Deus foi para o campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, lá onde o vento tem espaço para caminhar sem esbarrar em paredes e divisórias, onde a luz do sol toca a pele sem pedir licença, onde a terra ainda respira, onde o tempo não se mede nos relógios, mas no lento deslocar das sombras. Lá onde ainda se escuta o canto dos pássaros ao amanhecer, como uma oração que não precisa de palavras, canto que atravessa o ar puro, sem resistência, alcançando alturas que a cidade já não conhece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo, o homem ouve antes de falar. Observa antes de agir. Sente antes de desejar. Ali, o silêncio não é ausência, mas presença — presença de Deus. Presença da vida tal como pensada por Ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo, o medo não vigia as portas, a noite não ameaça. O céu é inteiro, as estrelas ensinam a humildade, colocam os homens em seu devido lugar sempre que se atrevem a contemplá-las. O vento ensina a paciência, a terra ensina a gratidão. E Deus, ali, não precisa disputar espaço: Ele simplesmente está.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E talvez Ele espere mesmo isto: que os homens se lembrem do caminho de volta, que abandonem a pressa que adoece, o barulho que ensurdece, a violência que endurece, e retornem ao lugar onde o coração consegue bater no ritmo certo, onde a alma não precisa gritar para ser ouvida. A cidade prometeu conforto, mas entregou cansaço. Prometeu conexão, mas entregou solidão. Prometeu segurança, mas empoderou o medo. E, sem perceber, transformou-se em uma prisão feita não só de grades visíveis, mas de hábitos, de dependências, de ruídos constantes que impedem qualquer fuga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sonha o prisioneiro que escreve estas linhas desesperançosas conseguir, um dia, saltar a muralha, vencer os portões invisíveis, atravessar a fronteira do concreto para pisar outra vez a terra viva e reencontrar o Autor da Vida onde Ele sempre esteve: no campo — esperando, paciente, que os homens voltem para casa.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por&nbsp;<a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras&nbsp;<a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a>&nbsp;(2021),&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Âmbar Gris</a></em>&nbsp;(2023),&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/4qOMlM3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Ufanista</a></em>&nbsp;(2024) e&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/4bt3JS2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Teratomaquia</a></em>&nbsp;(2025):</p>



<br>



<section id="section-e986ae19-46fb-4f2d-a3c2-5f81f8787a7f" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-2"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/CapaTeratomaquia.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Teratomaquia&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-3"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/CapaOUfanista.jpg" alt="Capa da obra: &quot;O Ufanista&quot;, de Douglas Alfini Jr. ISBN-10: 6501036194 / ISBN-13: 978-6501036199." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div></div></div></div></div></section>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>A imagem da capa é um recorte de uma <a href="https://www.amazon.com/-/es/Angelus-por-Jean-Francois-Millet-unframed/dp/B01GGJWPSS" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reprodução</a> da obra: “<em>Angelus</em>” (1858), de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Jean-François Millet (1814-1875) foi um pintor realista e um dos fundadores da Escola de Barbizon na França rural.">Jean-François Millet</span> (1814-1875).<br><br><strong>Sobre a imagem</strong>: Dois camponeses interrompem o trabalho no campo ao entardecer para rezar. Em meio à vastidão silenciosa da paisagem, o gesto simples revela uma ordem mais profunda: a vida humana submetida a um ritmo que não é o da pressa, mas o da contemplação. A cena traduz a presença do sagrado no cotidiano, onde o silêncio não é vazio, mas espaço de escuta — um contraste direto com a agitação e a fragmentação da vida urbana.</p>



<br>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Mais do autor:</h2>



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<section id="gmd8f66bf" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmd8f66bf gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="1" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="1">
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/a-arte-como-pressagio-quando-a-ficcao-antecipa-o-real/">A arte como presságio: quando a ficção antecipa o real</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-8181nq1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-8181nq1 gutentor-carousel-item"><div id="section-g-8181nq1" class="section-g-8181nq1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-0ekaxs4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-0ekaxs4 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2025/07/KnutHamsun.jpg" alt="Knut Hamsun, fotografado em 1941 por Anders Beer Wilse (1865 – 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/">Knut Hamsun: entre a poesia da terra e o abismo da história</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-u8s7lua" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-u8s7lua gutentor-carousel-item"><div id="section-g-u8s7lua" class="section-g-u8s7lua gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-ckpr0bu" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-ckpr0bu gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/09/APatria_PedroBruno.jpg" alt="Obra &quot;A pátria&quot; (1909), de Pedro Paulo Bruno (1888 - 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/">Versos do fim</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-l5wiaih" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-l5wiaih gutentor-carousel-item"><div id="section-g-l5wiaih" class="section-g-l5wiaih gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-70p7e1p" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-70p7e1p gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/09/AbbottHandersonThayer_Sleep.jpg" alt="Obra: &quot;Sleep&quot; (1887), de Abbott Handerson Thayer (1849 - 1921)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><em>Enquanto ele dorme</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm904eab" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm904eab gutentor-carousel-item"><div id="section-gm904eab" class="section-gm904eab gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5ea083" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5ea083 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/07/RosesOnAntiqueArtBox_JeremiahJWhite.jpg" alt="Obra &quot;Roses on Antique Art Box&quot;, por Jeremiah J. White."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><em>O valor das coisas</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc4bcc1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc4bcc1 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc4bcc1" class="section-gmc4bcc1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-gb5981a" class="wp-block-gutentor-e6 section-gb5981a gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/OlavoDeCarvalhoPorIsmaelsouza.jpg" alt="Olavo de Carvalho por Ismael Souza"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><em>Os mercadores da direita</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm97bc39" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm97bc39 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm97bc39" class="section-gm97bc39 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5d0b9c" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5d0b9c gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SOLIDARIEDADE_2021_AurelioBentesBravo.jpg" alt="Obra: &quot;Solidariedade&quot; (2021), por Aurelio Bentes Bravo."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><em>O que você viu?</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmec7203" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmec7203 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmec7203" class="section-gmec7203 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g3bb474" class="wp-block-gutentor-e6 section-g3bb474 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/olha/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ClosedEyes_1895_OdilonRedon.jpg" alt="Obra: &quot;Closed Eyes&quot; (1895), por Odilon Redon (1840 - 1916)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/olha/"><em>Olha</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmcea821" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmcea821 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmcea821" class="section-gmcea821 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g0e2421" class="wp-block-gutentor-e6 section-g0e2421 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/BadNewsInTroubledTimes_MargaretAllen.jpg" alt="Obra: &quot;Bad News in Troubled Times&quot;, por Margaret Allen (1830 - 1914)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><em>As boas notícias</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm26ed3b" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm26ed3b gutentor-carousel-item"><div id="section-gm26ed3b" class="section-gm26ed3b gutentor-col-wrap">
<div id="section-gad34c6" class="wp-block-gutentor-e6 section-gad34c6 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/11/FatGuyPatrickRafferty.jpg" alt="Obra “Fat Guy”, por Patrick Rafferty"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><em>A alegoria do mendigo gordo</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm74d5e7" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm74d5e7 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm74d5e7" class="section-gm74d5e7 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdbd9ba" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdbd9ba gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/LonelyInParis_MaryTuomi.jpg" alt="Obra &quot;Lonely in Paris&quot; (2010), por Mary Tuomi."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><em>O silêncio da minha cabeça</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmde7c23" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmde7c23 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmde7c23" class="section-gmde7c23 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g056053" class="wp-block-gutentor-e6 section-g056053 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/VidaIrlandesa_JohnOBrien.jpg" alt="A obra pertence a coleção &quot;Vida Irlandesa&quot;, de John O'Brien."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><em>O sequestro do Dr. Hélio Pinheiro</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmd27218" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmd27218 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmd27218" class="section-gmd27218 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g2ee9c4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g2ee9c4 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Train_ZdzislawBeksinski.jpg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><em>Teratomaquia</em>, Parte I</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc0c5b5" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc0c5b5 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc0c5b5" class="section-gmc0c5b5 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g147164" class="wp-block-gutentor-e6 section-g147164 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Deserto_ZdzislawBeksinski.jpeg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><em>Teratomaquia</em>, Parte II</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm7199f4" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm7199f4 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm7199f4" class="section-gm7199f4 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gd75b84" class="wp-block-gutentor-e6 section-gd75b84 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm4f6d85" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm4f6d85 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm4f6d85" class="section-gm4f6d85 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdab4fe" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdab4fe gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/06/KramerVsKramer.jpg"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><em>Kramer vs. Kramer: no tribunal do cinema moderno</em></a></p>
</div></div>
</div></div></section>



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		<title>A arte como presságio: quando a ficção antecipa o real</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/a-arte-como-pressagio-quando-a-ficcao-antecipa-o-real/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 03:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[1984]]></category>
		<category><![CDATA[Admirável Mundo Novo]]></category>
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		<category><![CDATA[Morgan Robertson]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen King]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Literatura, artes plásticas, cinema, televisão e música frequentemente operam como sismógrafos do tempo, captando vibrações invisíveis antes de que se tornem eventos concretos.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/a-arte-como-pressagio-quando-a-ficcao-antecipa-o-real/">A arte como presságio: quando a ficção antecipa o real</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde (1854 - 1900) foi escritor, poeta e dramaturgo irlandês.">Oscar Wilde</span> (1854 &#8211; 1900)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Desde as pinturas rupestres até o cinema contemporâneo, a humanidade utiliza a arte não apenas como forma de expressão estética, mas como um instrumento simbólico de leitura do mundo. Literatura, artes plásticas, cinema, televisão e música frequentemente operam como sismógrafos do tempo, captando vibrações invisíveis antes de que se tornem eventos concretos. Em muitos casos, artistas — dotados de uma percepção ampliada, ou de uma grande intuição — parecem antecipar acontecimentos históricos, tecnológicos, sociais e até espirituais, preparando psicologicamente a humanidade para aquilo que ela ainda não consegue nomear.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta hipótese atravessa séculos de produção cultural e encontra respaldo em inúmeros exemplos nos quais a ficção precedeu o fato, não como profecia literal, mas como ensaio simbólico do futuro. E a literatura talvez seja o campo mais fértil desse fenômeno: com frequência os escritores imaginam mundos possíveis a partir de tensões latentes de sua época.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Jules Gabriel Verne (1828-1905) escritor francês considerado por críticos literários o inventor do gênero de ficção científica.">Jules Verne</span>, no século XIX, descreveu submarinos elétricos, viagens à Lua e tecnologias que só se tornariam viáveis décadas depois. Mais, porém, do que prever invenções, Verne antecipou a mentalidade tecnológica do século XX.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="George Orwell (1903 – 1950) é pseudônimo do escritor inglês Eric Arthur Blair.">George Orwell</span>, em <em><a href="https://culturadefato.com.br/downloads/artes_e_literatura/2020/1984-george-owell.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">1984</a></em>, não somente imaginou um Estado totalitário, mas delineou mecanismos de vigilância, manipulação da linguagem e controle da informação que hoje encontram paralelos inquietantes na era digital, nas redes sociais e na coleta massiva de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Aldous Leonard Huxley (1894 - 1963): Escritor inglês.">Aldous Huxley</span>, em <em><a href="https://culturadefato.com.br/downloads/artes_e_literatura/2021/AdmiravelMundoNovo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Admirável Mundo Novo</a></em>, antecipou uma sociedade anestesiada pelo prazer, pela distração constante e pelo consumo químico e simbólico — uma crítica que ressoa fortemente em tempos de entretenimento infinito, dopamina algorítmica e medicalização do comportamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há ainda exemplos mais perturbadores. <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Morgan Andrew Robertson (1861-1915) foi um oficial da marinha mercante norte-americana, foi também escritor de contos e romances. É atribuído a ele a invenção do periscópio.">Morgan Robertson</span> escreveu, em 1898, <em><a href="https://amzn.to/3NdHZj6" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Futility</a></em>, romance que descrevia o naufrágio de um navio chamado Titan, virtualmente idêntico ao Titanic, anos antes da tragédia real. Coincidência ou intuição narrativa levada ao extremo?</p>



<figure class="wp-block-pullquote alignright"><blockquote><p>Morgan Robertson escreveu, em 1898, “<em><a href="https://amzn.to/3NdHZj6" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Futility</a></em>”, romance que descrevia o naufrágio de um navio chamado Titan, virtualmente idêntico ao Titanic, anos antes da tragédia real.</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O cinema chega a ampliar este efeito, ao trabalhar diretamente com imagens, sons e emoções. Muitos filmes funcionam como simulações emocionais de eventos futuros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><a href="https://youtu.be/Oa1qWCdSKHo?si=nv4k-ZK7B9-ts3XC" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Metropolis</a></em> (1927), de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Friedrich Christian Anton Lang (1890-1976), conhecido como Fritz Lang foi um cineasta, realizador, argumentista e produtor nascido na Áustria, mas que dividiu sua carreira entre a Alemanha e Hollywood.">Fritz Lang</span>, antecipou conflitos entre classes, a desumanização do trabalho industrial e o culto à máquina, temas que se tornariam centrais no século XX.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><a href="https://youtu.be/W2YgrQzEVZY?si=SZawogWmN_PnOU_Z" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Blade Runner</a></em> (1982) previu gigantescas cidades opressivas, um colapso ambiental, dilemas éticos da inteligência artificial e a dissolução da fronteira entre a máquina e o homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais recentemente, séries como <em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Black_Mirror" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Black Mirror</a></em> têm funcionado quase como um manual involuntário de advertência tecnológica. Episódios sobre exposição digital, cancelamento social, implantes neurais e realidades artificiais passaram rapidamente da ficção para o debate público, e, em alguns casos, para protótipos reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após os atentados de 11 de setembro de 2001, observou-se que inúmeras produções audiovisuais anteriores haviam representado simbolicamente ataques a grandes centros urbanos, aviões colidindo com prédios e o colapso da sensação de segurança ocidental, não como previsão direta, mas como pressentimento coletivo de um trauma iminente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os temas que mais insistentemente se repetem na ficção contemporânea, especialmente após a virada do século, destaca-se a ideia da abertura de portais: passagens entre mundos, dimensões ou realidades que, uma vez violadas, permitem a entrada de entidades estranhas, hostis ou simplesmente incompreensíveis à experiência humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cinema já ensaiava esse tema muito antes de que se tornasse recorrente como agora. Em <em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Stargate_(filme)" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Stargate</a></em> (1994), a humanidade descobre um artefato ancestral capaz de abrir um portal para outros mundos, sugerindo que civilizações antigas possuíam conhecimentos — ou contatos — que ficaram perdidos no tempo. Nesses casos, o portal não é apenas um meio de transporte, mas um limiar ontológico, um ponto de contato entre o humano e algo radicalmente diverso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Décadas depois, a série <em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Stranger_Things" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Stranger Things</a></em> atualizou este imaginário ao apresentar o “Mundo Invertido”, dimensão paralela acessada por falhas na realidade, da qual emergem criaturas que desafiam categorizações biológicas e morais. A narrativa insiste na ideia de que o perigo não vem do espaço sideral distante, mas de algo que sempre esteve ao lado, separado por uma frágil membrana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Stephen Edwin King é um escritor norte-americano de terror, ficção sobrenatural, suspense, ficção científica e fantasia. Os seus livros já venderam mais de 400 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. É o 9º autor mais traduzido no mundo.">Stephen King</span> retorna, de forma recorrente em sua obra, a este mesmo motivo. Em <em><a href="https://amzn.to/49s4oR6" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">O Nevoeiro</a></em>, uma ruptura dimensional causada por um experimento científico libera criaturas monstruosas em uma pequena cidade, sugerindo que o verdadeiro horror não vem do monstro, mas da ousadia humana de atravessar limites que não compreende. O mesmo tema aparece também em <em><a href="https://amzn.to/45N49im" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">A Torre Negra</a></em>, <em><a href="https://amzn.to/4pChbqh" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">It</a></em> e <em><a href="https://amzn.to/3LdDNiO" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Sob a Redoma</a></em>, onde forças externas ou extradimensionais interferem brutalmente na realidade cotidiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal incidência quase obsessiva levanta uma pergunta inevitável: por que a imaginação coletiva parece tão fixada na ideia de que algo será liberado, e não apenas descoberto? Diferentemente das narrativas clássicas de invasão alienígena, essas histórias sugerem que o perigo não chega em naves visíveis, mas escapa por fissuras: portais acidentalmente abertos, experiências mal calculadas ou limites espirituais violados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tom puramente especulativo, não é difícil enxergar paralelos simbólicos em relação a alguns episódios do nosso folclore contemporâneo, como o chamado ET de Varginha ou o fenômeno do Chupa-Cabras. Ambos surgem em contextos de histeria localizada, com relatos fragmentados, criaturas mal descritas e ausência de consenso científico. Mais do que evidências, são sintomas culturais, narrativas que parecem ecoar a mesma angústia presente na ficção: a ideia de que algo escapou, atravessou ou vazou desde um lugar que deveria ter permanecido fechado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada disso prova qualquer ligação factual entre esses relatos e a ficção, mas a coincidência simbólica permanece inquietante. Se a arte antecipa o futuro, resta a pergunta: estaria o imaginário coletivo sendo lentamente preparado para aceitar que o próximo “outro” não virá do céu, mas de um lugar diferente — talvez de um erro, de uma fenda ou de um portal que não deveria ter sido aberto? A resposta, por ora, permanece suspensa entre a metáfora e o presságio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob uma <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/cristianismo/2021/biblia_vulgata_pe_matos_soares.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">leitura bíblica</a>, a recorrência do tema dos portais ganha uma dimensão ainda mais significativa. A Escritura apresenta, desde o Gênesis, a ideia de que há limites entre esferas da criação, e que a violação desses limites resulta invariavelmente em corrupção, caos e juízo. O episódio dos “filhos de Deus” (Gn 6) — tradicionalmente interpretado por correntes teológicas como anjos caídos que ultrapassaram sua esfera designada — descreve justamente uma ruptura entre domínios, com consequências catastróficas para a humanidade. Nesse sentido, a abertura de portais na ficção ecoa uma advertência antiga: quando o que pertence ao “lado de fora” atravessa o limiar, o resultado não é a iluminação, mas a desordem. O dilúvio surge, na narrativa bíblica, não apenas como punição moral, mas como restauração das fronteiras rompidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Novo Testamento reforça essa lógica ao falar de “espíritos aprisionados”, “abismos” e “cadeias”, sugerindo que determinadas entidades estejam confinadas por desígnio divino, e não sem um bom motivo. O livro do Apocalipse, por sua vez, descreve a abertura de selos e, de forma particularmente inquietante, do abismo, de onde emergem criaturas descritas em termos que desafiam as classificações naturais, imagens que ressoam fortemente com o imaginário contemporâneo das entidades extradimensionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ficção moderna, ao representar cientistas, governos ou mesmo indivíduos comuns abrindo portais por curiosidade, ambição ou acidente, parece dramatizar uma verdade teológica nada nova: o problema não é o desconhecido em si, mas a soberba humana em querer acessá-lo sem autorização. O pecado original, afinal, não foi o desejo de conhecimento, mas o desejo de conhecimento fora da ordem estabelecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dessa chave, relatos folclóricos contemporâneos, como os já citados ET de Varginha e Chupa-Cabras (os quais trato aqui apenas como fenômenos narrativos) podem ser lidos simbolicamente não como visitas externas deliberadas, mas como “vazamentos”; não como fruto de uma invasão organizada, mas do transbordamento acidental de algo que não deveria circular livremente pela criação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a pergunta que permanece não é somente sobre a existência ou não dos portais, mas também sobre quem tem autoridade para abri-los. A <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/cristianismo/2021/biblia_vulgata_pe_matos_soares.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Bíblia</a> sugere que toda tentativa humana de fazê-lo à revelia da ordem divina conduz não à transcendência, mas ao medo, à violência e à confusão. Talvez por isso a arte insista tanto nesse tema: ela não anuncia apenas monstros e seres, mas repete, sob novas roupagens, uma antiga advertência: a de que nem toda porta fechada foi feita para ser aberta.</p>



<figure class="wp-block-pullquote alignright"><blockquote><p>Ora, se aceitarmos que a arte opera como um campo de recepção do que ainda não se manifestou plenamente, torna-se inevitável abordar sua relação histórica com o ocultismo, o esoterismo e as tradições iniciáticas.</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, se aceitarmos que a arte opera como um campo de recepção do que ainda não se manifestou plenamente, torna-se inevitável abordar sua relação histórica com o ocultismo, o esoterismo e as tradições iniciáticas. Ao longo dos séculos, artistas e pensadores beberam de fontes que afirmavam acessar camadas ocultas da realidade — não como fantasia, mas como conhecimento velado, reservado a poucos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a ficção deixa de ser apenas metáfora social e passa a atuar como criptografia simbólica. Muitos relatos sobrenaturais na literatura e no cinema podem ser lidos como tentativas de se traduzir experiências limítrofes: contatos com inteligências não humanas, rupturas da linearidade do tempo, possessões, estados alterados de consciência e interferências externas na história humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Howard">H</span>. <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Phillips">P</span>. <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Howard Phillips Lovecraft (1890-1937) foi um escritor americano dos gêneros de weird fiction, ficção científica, fantasia e terror. Ele é mais conhecido por sua criação dos Cthulhu Mythos. Nascido em Providence, Rhode Island, Lovecraft passou a maior parte de sua vida na Nova Inglaterra.">Lovecraft</span>, por exemplo — autor frequentemente rotulado apenas como escritor de horror —, afirmava explicitamente que suas histórias não falavam de fantasmas ou demônios tradicionais, mas de entidades cósmicas indiferentes à humanidade, operando fora das categorias morais humanas. Curiosamente, conceitos semelhantes surgiriam, décadas depois, em discursos sobre inteligências artificiais hostis, hipóteses de vida extraterrestre não antropomórfica e teorias de dimensões paralelas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É neste ponto que a figura de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Aleister Crowley (1875-1947), foi um membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada e influente ocultista britânico, responsável pela fundação de uma doutrina que batizou de Thelema.">Aleister Crowley</span> torna-se incontornável. Ocultista, escritor, poeta e provocador, Crowley defendia que a humanidade estaria atravessando uma mudança de éon, isto é, uma transição espiritual profunda, marcada pelo colapso de antigos sistemas simbólicos e pela emergência de novas forças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crowley afirmava ter recebido <em><a href="https://amzn.to/49O7Erg" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">O Livro da Lei</a></em> por meio de uma entidade chamada Aiwass, descrita não como um anjo tradicional, mas como uma inteligência não humana, mediadora de um novo paradigma. Independentemente de acreditarmos ou não que esse contato tenha se realizado, o impacto cultural da ideia é significativo: a noção de que entidades externas à experiência humana comum influenciam o curso da história passou a infiltrar-se silenciosamente na arte moderna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é coincidência que, após o século XX — período de guerras globais, armas de destruição em massa e aceleração tecnológica —, a produção cultural tenha se tornado obsessivamente povoada de alienígenas, demônios, deuses antigos, inteligências artificiais autoconscientes e forças invisíveis manipulando a realidade. A arte parece ensaiar repetidamente a mesma pergunta: e se não estivermos sozinhos nem no universo, nem na condução do nosso destino?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro de uma leitura alternativa, há quem defenda que a ficção cumpre também uma função estratégica: a da revelação gradual. É a ideia de que verdades perturbadoras são introduzidas no imaginário coletivo de forma simbólica antes de serem aceitas racionalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa lógica aparece em narrativas sobre programas secretos dos governos, contatos extraterrestres ocultados, manipulação da consciência coletiva, experimentos psicológicos em massa e realidades simuladas. O conceito de “choque ontológico” ajuda a explicar por que essas ideias surgem primeiro como entretenimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, o artista não precisa ser conscientemente iniciado em ordens secretas para exercer tal papel. Muitos atuariam como iniciados involuntários, captando símbolos, imagens e narrativas que emergem do inconsciente coletivo — ou, em leituras mais radicais, de fontes externas à psique humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paradoxalmente, quanto mais avançada se torna a tecnologia, mais arcaicos se tornam os símbolos que retornam. Deuses antigos, rituais, sacrifícios, possessões e apocalipses voltam ao centro da narrativa cultural. Sob uma perspectiva cristã, todo esse movimento não pode ser compreendido apenas como fruto da genialidade humana. A <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/cristianismo/2021/biblia_vulgata_pe_matos_soares.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Bíblia</a> parte de um pressuposto claro: a realidade é espiritual antes de ser material.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a arte tem preparado a humanidade para eventos estranhos, a fé cristã nos lembra que nem todo espanto vem de Deus. Talvez a função última da produção cultural não seja anunciar o fim, mas revelar o quanto o ser humano anseia por transcendência, pois, como adverte o Evangelho, “a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas” (Jo 3, 19).</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por&nbsp;<a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras&nbsp;<a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow"><em>Crônicas do Invisível</em></a>&nbsp;(2021),&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Âmbar Gris</a></em>&nbsp;(2023), <em><a href="https://amzn.to/4qOMlM3" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">O Ufanista</a></em> (2024) e <em><a href="https://amzn.to/4bt3JS2" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Teratomaquia</a></em> (2025):</p>



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<section id="section-e986ae19-46fb-4f2d-a3c2-5f81f8787a7f" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-2"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/CapaTeratomaquia.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Teratomaquia&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-6 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-3"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2026/01/CapaOUfanista.jpg" alt="Capa da obra: &quot;O Ufanista&quot;, de Douglas Alfini Jr. ISBN-10: 6501036194 / ISBN-13: 978-6501036199." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div></div></div></div></div></section>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>A imagem da capa é um recorte da obra: <em>O Sonho da Razão Produz Monstros</em> (1797 &#8211; 1798), de Francisco de Goya (1746 – 1828).</p>



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<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Mais do autor:</h2>



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<section id="gmd8f66bf" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmd8f66bf gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="1" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="1">
<div id="col-gmc97f3c" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc97f3c gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc97f3c" class="section-gmc97f3c gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g1d8741" class="wp-block-gutentor-e6 section-g1d8741 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2025/07/KnutHamsun.jpg" alt="Knut Hamsun, fotografado em 1941 por Anders Beer Wilse (1865 – 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/">Knut Hamsun: entre a poesia da terra e o abismo da história</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-u8s7lua" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-u8s7lua gutentor-carousel-item"><div id="section-g-u8s7lua" class="section-g-u8s7lua gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-ckpr0bu" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-ckpr0bu gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/09/APatria_PedroBruno.jpg" alt="Obra &quot;A pátria&quot; (1909), de Pedro Paulo Bruno (1888 - 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/">Versos do fim</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-l5wiaih" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-l5wiaih gutentor-carousel-item"><div id="section-g-l5wiaih" class="section-g-l5wiaih gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-70p7e1p" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-70p7e1p gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/09/AbbottHandersonThayer_Sleep.jpg" alt="Obra: &quot;Sleep&quot; (1887), de Abbott Handerson Thayer (1849 - 1921)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><em>Enquanto ele dorme</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm904eab" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm904eab gutentor-carousel-item"><div id="section-gm904eab" class="section-gm904eab gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5ea083" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5ea083 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/07/RosesOnAntiqueArtBox_JeremiahJWhite.jpg" alt="Obra &quot;Roses on Antique Art Box&quot;, por Jeremiah J. White."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><em>O valor das coisas</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc4bcc1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc4bcc1 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc4bcc1" class="section-gmc4bcc1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-gb5981a" class="wp-block-gutentor-e6 section-gb5981a gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/OlavoDeCarvalhoPorIsmaelsouza.jpg" alt="Olavo de Carvalho por Ismael Souza"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><em>Os mercadores da direita</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm97bc39" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm97bc39 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm97bc39" class="section-gm97bc39 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5d0b9c" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5d0b9c gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SOLIDARIEDADE_2021_AurelioBentesBravo.jpg" alt="Obra: &quot;Solidariedade&quot; (2021), por Aurelio Bentes Bravo."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><em>O que você viu?</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmec7203" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmec7203 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmec7203" class="section-gmec7203 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g3bb474" class="wp-block-gutentor-e6 section-g3bb474 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/olha/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ClosedEyes_1895_OdilonRedon.jpg" alt="Obra: &quot;Closed Eyes&quot; (1895), por Odilon Redon (1840 - 1916)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/olha/"><em>Olha</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmcea821" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmcea821 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmcea821" class="section-gmcea821 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g0e2421" class="wp-block-gutentor-e6 section-g0e2421 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/BadNewsInTroubledTimes_MargaretAllen.jpg" alt="Obra: &quot;Bad News in Troubled Times&quot;, por Margaret Allen (1830 - 1914)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><em>As boas notícias</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm26ed3b" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm26ed3b gutentor-carousel-item"><div id="section-gm26ed3b" class="section-gm26ed3b gutentor-col-wrap">
<div id="section-gad34c6" class="wp-block-gutentor-e6 section-gad34c6 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/11/FatGuyPatrickRafferty.jpg" alt="Obra “Fat Guy”, por Patrick Rafferty"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><em>A alegoria do mendigo gordo</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm74d5e7" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm74d5e7 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm74d5e7" class="section-gm74d5e7 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdbd9ba" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdbd9ba gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/LonelyInParis_MaryTuomi.jpg" alt="Obra &quot;Lonely in Paris&quot; (2010), por Mary Tuomi."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><em>O silêncio da minha cabeça</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmde7c23" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmde7c23 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmde7c23" class="section-gmde7c23 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g056053" class="wp-block-gutentor-e6 section-g056053 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/VidaIrlandesa_JohnOBrien.jpg" alt="A obra pertence a coleção &quot;Vida Irlandesa&quot;, de John O'Brien."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><em>O sequestro do Dr. Hélio Pinheiro</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmd27218" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmd27218 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmd27218" class="section-gmd27218 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g2ee9c4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g2ee9c4 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Train_ZdzislawBeksinski.jpg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><em>Teratomaquia</em>, Parte I</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc0c5b5" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc0c5b5 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc0c5b5" class="section-gmc0c5b5 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g147164" class="wp-block-gutentor-e6 section-g147164 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Deserto_ZdzislawBeksinski.jpeg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><em>Teratomaquia</em>, Parte II</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm7199f4" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm7199f4 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm7199f4" class="section-gm7199f4 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gd75b84" class="wp-block-gutentor-e6 section-gd75b84 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></p>
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<div id="col-gm4f6d85" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm4f6d85 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm4f6d85" class="section-gm4f6d85 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdab4fe" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdab4fe gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/06/KramerVsKramer.jpg"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><em>Kramer vs. Kramer: no tribunal do cinema moderno</em></a></p>
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		<title>Knut Hamsun: entre a poesia da terra e o abismo da história</title>
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					<comments>https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Jul 2025 01:06:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Adolf Hitler]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>
		<category><![CDATA[Vidkun Quisling]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Knut Hamsun é uma das figuras mais complexas e paradoxais da literatura mundial. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1920, sua obra foi aclamada por sua sensibilidade psicológica [...]. Contudo, a vida de Hamsun também é marcada por uma pesada sombra: seu apoio público ao regime nazista.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>No meio de um salão de festas, você pode permanecer indiferente,</em><br><em>seguro e não ser levado pela atmosfera geral. Pois é a própria</em><br><em>alma do homem a fonte de sua tristeza e alegria.</em>”<br>Knut Hamsun (1859 – 1952)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Knut Hamsun (1859 – 1952) é uma das figuras mais complexas e paradoxais da literatura mundial. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1920, sua obra foi aclamada por sua sensibilidade psicológica, seu lirismo telúrico e sua capacidade de mergulhar na alma humana com singular delicadeza. Contudo, a vida de Hamsun também é marcada por uma pesada sombra: seu apoio público ao regime nazista durante a <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Segunda Guerra Mundial: conflito militar global ocorrido entre 1939 e 1945.">Segunda Guerra Mundial</span>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hamsun nasceu na Noruega rural, e toda a sua obra carrega esse vínculo profundo com a natureza, com o ritmo da terra e com a solidão do homem diante do mundo. Seu romance <em><a href="https://amzn.to/3IE5MX5" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Os Frutos da Terra</a></em> (“<em><a href="https://amzn.to/45dqu8X" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Markens Grøde</a></em>”, 1917) é talvez o exemplo mais acabado dessa visão. A obra acompanha a vida de Isak, um colono rude e obstinado que, com suas próprias mãos, desbrava um pedaço de terra inóspita e o transforma em uma fazenda próspera. É um hino à vida simples, ao trabalho árduo, à persistência do homem em comunhão com o solo. Hamsun celebra a força silenciosa do indivíduo que constrói, planta, cria e colhe. Sua prosa delicada e ao mesmo tempo vigorosa confere uma espécie de dignidade poética ao labor manual e à vida no campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><a href="https://amzn.to/3IE5MX5" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Os Frutos da Terra</a></em> foi lido como um manifesto agrário, uma defesa da simplicidade contra a modernização crescente e alienante das cidades. Nele, Hamsun parece propor um retorno quase espiritual à terra, onde o homem reencontra seu verdadeiro propósito e sua essência. Mas a obra de Hamsun vai além da exaltação da vida campestre. <em><a href="https://amzn.to/3ISFQqG" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Em Fome</a></em> (“<em><a href="https://amzn.to/40slaMk" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Sult</a></em>”, 1890), seu primeiro grande romance e considerado um marco do modernismo literário, Hamsun mergulha na miséria física e espiritual de um jovem escritor faminto nas ruas de Kristiania (atual Oslo). A narrativa acompanha os delírios do protagonista enquanto este busca sobreviver à pobreza extrema, oscilando entre momentos de orgulho, desespero, alucinação e uma quase mística entrega ao sofrimento. Com um estilo inovador, introspectivo e psicológico, Hamsun inaugurou uma forma de escrever o fluxo de consciência que influenciaria autores como <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Franz Kafka (1883 — 1924) Franz Kafka (1883–1924) foi um escritor tcheco de língua alemã, conhecido por suas obras que exploram sentimentos de angústia, absurdo e opressão burocrática.">Kafka</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="James Augustine Aloysius Joyce (1882 - 1941) foi um romancista, contista e poeta da Irlanda que viveu boa parte de sua vida expatriado.">Joyce</span> e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Albert Camus (1913 - 1960) foi um escritor, filósofo e jornalista franco-argelino, conhecido por suas contribuições à literatura e ao pensamento filosófico do século XX.">Camus</span>. <em>Fome</em> revela sua impressionante capacidade de captar não apenas a degradação material, mas o esfacelamento interior, a solidão e o orgulho do homem diante de sua própria ruína. É uma dissecação visceral da condição humana, escrita com candura e crueza, antecipando as angústias existenciais do século XX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paradoxalmente, essa mesma visão de mundo, ora lírica, ora brutal, ora profundamente empática com o sofrimento de cada um, não impediu que Hamsun fosse seduzido por ideologias perigosas. Quando o nazismo ascendeu na Europa, Hamsun viu aí um movimento que prometia restaurar uma ordem natural, rural e disciplinada, em contraste com o caos urbano e as decadências que tanto criticava. Durante a ocupação alemã da Noruega, ele apoiou abertamente o regime nazista, chegando a encontrar-se pessoalmente com <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Adolf Hitler (1889 - 1945) foi a figura central do Holocausto.">Hitler</span>, a quem elogiou publicamente. Seu apoio ao colaboracionista norueguês <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Vidkun Abraham Lauritz Jonssøn Quisling (1887 - 1945) foi um oficial militar e político norueguês que chefiou nominalmente o governo da Noruega como Ministro-Presidente depois do país ter sido ocupado pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.">Vidkun Quisling</span> e suas declarações favoráveis ao Terceiro Reich causaram espanto e repulsa em boa parte do mundo intelectual. Essa aprovação incondicional do nazismo, no entanto, mancharia irremediavelmente sua biografia; como pôde um escritor capaz de descrever com tanta ternura a relação do homem com a natureza, e de explorar com tanta profundidade as contradições da alma, sucumbir a uma ideologia brutal, racista e assassina?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história de Hamsun é um lembrete trágico de que mesmo os mais sensíveis à arte e à beleza não estão imunes às seduções políticas do seu tempo. O escritor, voltado ao íntimo, ao lírico e ao essencial, pode, em momentos críticos, perder o discernimento diante de promessas de ordem, grandeza e purismo idealizado. Em Hamsun, vemos como o artista, mesmo sendo essa espécie de antena do espírito, pode cegar-se quando confunde estética com ideologia, pureza poética com pureza étnica, ordem natural com autoritarismo político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, apesar de sua importância literária, Hamsun continua sendo um autor relativamente pouco conhecido no Brasil. Sua obra, embora admirada por círculos restritos de leitores e estudiosos, nunca alcançou a mesma popularidade de outros gigantes europeus. Talvez por sua escrita extremamente introspectiva e existencial, ou talvez pelo peso de sua biografia política, sua leitura ainda não se disseminou amplamente entre o público brasileiro. No entanto, para aqueles que se aventuram por suas páginas, Hamsun oferece uma experiência literária intensa, dolorosa e sublime, que continua a dialogar com as angústias e dilemas mais universais da nossa condição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, não obstante o peso das escolhas de Hamsun, sua literatura permanece como um exemplo de sensibilidade ímpar e altíssimo refinamento técnico. Seus romances conservam intacta sua capacidade de emocionar e perturbar, de penetrar no mais recôndito das nossas experiências com uma força e beleza que atravessam o tempo, resistindo às manchas de sua história de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse paradoxo também nos leva a uma reflexão atual. Observando o panorama literário contemporâneo, especialmente no Brasil, percebemos como muitos autores parecem não mais buscar a expressão estética e a imersão honesta nas experiências que descrevem, mas apenas uma constante instrumentalização da literatura em função das causas políticas do dia. Especialmente entre simpatizantes do socialismo e de correntes progressistas em geral, observa-se uma tendência crescente à panfletagem, pela qual a literatura se torna um veículo de doutrinação e militância, muitas vezes sacrificando a profundidade e qualquer sinceridade artística. A complexidade interior, que Hamsun soube explorar com tanta maestria em <em><a href="https://amzn.to/3ISFQqG" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Fome</a></em> ou n’<em><a href="https://amzn.to/3IE5MX5" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Os Frutos da Terra</a></em>, cede lugar a personagens esquemáticos, discursos maniqueístas e narrativas rigidamente alinhadas a agendas ideológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O drama de Knut Hamsun serve, assim, como um duplo alerta: tanto para o perigo de se misturar arte e política a ponto de comprometer-se moralmente, quanto para a importância de se preservar na literatura, mesmo diante dos ideais mais sedutores, o espaço da dúvida, da consciência individual e da verdadeira busca pela condição humana, livre da contaminação dos interesses partidários do momento.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por&nbsp;<a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras&nbsp;<a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a>&nbsp;(2021) e&nbsp;<em><a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Âmbar Gris</a></em>&nbsp;(2023):</p>



<section id="section-e986ae19-46fb-4f2d-a3c2-5f81f8787a7f" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div></div></div></section>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: Knut Hamsun, fotografado em 1941 por Anders Beer Wilse (1865 – 1949).</p>



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<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Mais do autor:</h2>



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<section id="gmd8f66bf" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmd8f66bf gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="2" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="2">
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<div id="section-g1d8741" class="wp-block-gutentor-e6 section-g1d8741 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/09/APatria_PedroBruno.jpg" alt="Obra &quot;A pátria&quot; (1909), de Pedro Paulo Bruno (1888 - 1949)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/">Versos do fim</a></em></p>
</div></div>



<div id="col-g-l5wiaih" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-l5wiaih gutentor-carousel-item"><div id="section-g-l5wiaih" class="section-g-l5wiaih gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-70p7e1p" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-70p7e1p gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/09/AbbottHandersonThayer_Sleep.jpg" alt="Obra: &quot;Sleep&quot; (1887), de Abbott Handerson Thayer (1849 - 1921)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><em>Enquanto ele dorme</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm904eab" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm904eab gutentor-carousel-item"><div id="section-gm904eab" class="section-gm904eab gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5ea083" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5ea083 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/07/RosesOnAntiqueArtBox_JeremiahJWhite.jpg" alt="Obra &quot;Roses on Antique Art Box&quot;, por Jeremiah J. White."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><em>O valor das coisas</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc4bcc1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc4bcc1 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc4bcc1" class="section-gmc4bcc1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-gb5981a" class="wp-block-gutentor-e6 section-gb5981a gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/OlavoDeCarvalhoPorIsmaelsouza.jpg" alt="Olavo de Carvalho por Ismael Souza"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><em>Os mercadores da direita</em></a></p>
</div></div>



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<div id="section-g5d0b9c" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5d0b9c gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SOLIDARIEDADE_2021_AurelioBentesBravo.jpg" alt="Obra: &quot;Solidariedade&quot; (2021), por Aurelio Bentes Bravo."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><em>O que você viu?</em></a></p>
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<div id="col-gmec7203" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmec7203 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmec7203" class="section-gmec7203 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g3bb474" class="wp-block-gutentor-e6 section-g3bb474 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/olha/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ClosedEyes_1895_OdilonRedon.jpg" alt="Obra: &quot;Closed Eyes&quot; (1895), por Odilon Redon (1840 - 1916)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/olha/"><em>Olha</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmcea821" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmcea821 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmcea821" class="section-gmcea821 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g0e2421" class="wp-block-gutentor-e6 section-g0e2421 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/BadNewsInTroubledTimes_MargaretAllen.jpg" alt="Obra: &quot;Bad News in Troubled Times&quot;, por Margaret Allen (1830 - 1914)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><em>As boas notícias</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm26ed3b" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm26ed3b gutentor-carousel-item"><div id="section-gm26ed3b" class="section-gm26ed3b gutentor-col-wrap">
<div id="section-gad34c6" class="wp-block-gutentor-e6 section-gad34c6 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/11/FatGuyPatrickRafferty.jpg" alt="Obra “Fat Guy”, por Patrick Rafferty"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><em>A alegoria do mendigo gordo</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gm74d5e7" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm74d5e7 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm74d5e7" class="section-gm74d5e7 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdbd9ba" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdbd9ba gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/LonelyInParis_MaryTuomi.jpg" alt="Obra &quot;Lonely in Paris&quot; (2010), por Mary Tuomi."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><em>O silêncio da minha cabeça</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmde7c23" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmde7c23 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmde7c23" class="section-gmde7c23 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g056053" class="wp-block-gutentor-e6 section-g056053 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/VidaIrlandesa_JohnOBrien.jpg" alt="A obra pertence a coleção &quot;Vida Irlandesa&quot;, de John O'Brien."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><em>O sequestro do Dr. Hélio Pinheiro</em></a></p>
</div></div>



<div id="col-gmd27218" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmd27218 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmd27218" class="section-gmd27218 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g2ee9c4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g2ee9c4 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Train_ZdzislawBeksinski.jpg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><em>Teratomaquia</em>, Parte I</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc0c5b5" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc0c5b5 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc0c5b5" class="section-gmc0c5b5 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g147164" class="wp-block-gutentor-e6 section-g147164 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Deserto_ZdzislawBeksinski.jpeg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><em>Teratomaquia</em>, Parte II</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm7199f4" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm7199f4 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm7199f4" class="section-gm7199f4 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gd75b84" class="wp-block-gutentor-e6 section-gd75b84 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm4f6d85" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm4f6d85 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm4f6d85" class="section-gm4f6d85 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdab4fe" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdab4fe gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/06/KramerVsKramer.jpg"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><em>Kramer vs. Kramer: no tribunal do cinema moderno</em></a></p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/">Knut Hamsun: entre a poesia da terra e o abismo da história</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://culturadefato.com.br/knut-hamsun-entre-a-poesia-da-terra-e-o-abismo-da-historia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Versos do fim</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/</link>
					<comments>https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Oct 2023 03:03:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://culturadefato.com.br/?p=18083</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Salvem de Américo os quadros!<br />
De Bilac e Castro Alves a fama!<br />
Tudo está acabado,<br />
Voltaremos à Pindorama!<br />
...”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/versos-do-fim/">Versos do fim</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tremula seu verde amazônico<br>Onde o amarelo-ouro destoa<br>Nos céus ouve-se um grito agônico<br>Pel’alva tempestade que ecoa</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">O último brasileiro sensato<br>Recebeu como dom profecia<br>Assim como João viu em Patmos<br>O fim de sua terra previa</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“Salvem de Américo os quadros!<br>De Bilac e Castro Alves a fama!<br>Tudo está acabado,<br>Voltaremos à Pindorama!”</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">O povo, porém, não ouviu<br>O profeta que em versos contava<br>Tudo aquilo que viu<br>Enquanto o Senhor lhe falava.</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“Encerro aqui, filho meu,<br>A existência de sua pátria amada;<br>Não há entre nós um dos teus<br>Que entenda o valor da jornada.”</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fogo e enxofre dos céus<br>Enquanto a terra boa rachou por inteiro<br>Ironicamente o atroz<br>Bem no mês de fevereiro</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quando quatro cavaleiros montados<br>Sobrevoavam o céu de Brasília<br>O povo, todo amontoado<br>Não pensou em findar a folia</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Acabou-se tudo que é belo<br>Coragem, virtude e candura<br>Envergonham-se em Monte Castelo<br>Os pracinhas em sua bravura</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">No paraíso também<br>Desfalece Pedro II<br>Entregou o coração a quem?<br>Pobre país moribundo</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">O profeta poeta, cansado,<br>Morreu por não ser ouvido<br>Deus o recolheu pro céu<br>Antes de todo o acontecido</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Não houve um só patriota<br>Que sofreu por seu gemido<br>E eu, que não fui arrebatado,<br>Sem a sorte do poeta cansado,<br>Vivo neste exílio moderno<br>Lutando pra burlar o inferno<br>Que a todos nós sentencia</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Deságuo angustiado<br>De coração apertado<br>Enquanto o café esfria<br>Tudo aquilo que é engasgado<br>Que estava sufocado<br>Nesta estúpida poesia</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Jogo as palavras fora<br>Perco tempo em demasia<br>E ainda vejo do alto<br>O anjo caído togado<br>Confirmando a profecia</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Declamando como um rei<br>Anunciando a nova lei<br>Por todos os meios que havia:</p>



<br>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“De nada adianta seu estudo<br>É melhor ficares mudo<br>Pois eu sou Democracia!”.</p>



<br>



<h5 class="wp-block-heading has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a></h5>



<h5 class="wp-block-heading has-text-align-right">Douglas é autor das obras <a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a> (2021) e <em><a href="https://www.estantevirtual.com.br/clube-de-autores/douglas-alfini-jr--ambar-gris-3889678800?show_suggestion=0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Âmbar Gris</a></em> (2023):</h5>



</p>



<section id="section-74847da3-790e-4156-836d-a2bb1b756fd5" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div></div></div></section>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa: “<em>A pátria</em>” (1909), por Pedro Paulo Bruno (1888 &#8211; 1949).</p>



<br>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Mais do autor:</h2>



</p>



<section id="gmd8f66bf" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmd8f66bf gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="2" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="2">
<div id="col-gmc97f3c" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc97f3c gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc97f3c" class="section-gmc97f3c gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g1d8741" class="wp-block-gutentor-e6 section-g1d8741 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/09/AbbottHandersonThayer_Sleep.jpg" alt="Obra: &quot;Sleep&quot; (1887), de Abbott Handerson Thayer (1849 - 1921)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/">Enquanto ele dorme</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm904eab" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm904eab gutentor-carousel-item"><div id="section-gm904eab" class="section-gm904eab gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5ea083" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5ea083 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/07/RosesOnAntiqueArtBox_JeremiahJWhite.jpg" alt="Obra &quot;Roses on Antique Art Box&quot;, por Jeremiah J. White."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/">O valor das coisas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc4bcc1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc4bcc1 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc4bcc1" class="section-gmc4bcc1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-gb5981a" class="wp-block-gutentor-e6 section-gb5981a gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/OlavoDeCarvalhoPorIsmaelsouza.jpg" alt="Olavo de Carvalho por Ismael Souza"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/">Os mercadores da direita</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm97bc39" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm97bc39 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm97bc39" class="section-gm97bc39 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g5d0b9c" class="wp-block-gutentor-e6 section-g5d0b9c gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SOLIDARIEDADE_2021_AurelioBentesBravo.jpg" alt="Obra: &quot;Solidariedade&quot; (2021), por Aurelio Bentes Bravo."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/">O que você viu?</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmec7203" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmec7203 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmec7203" class="section-gmec7203 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g3bb474" class="wp-block-gutentor-e6 section-g3bb474 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/olha/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ClosedEyes_1895_OdilonRedon.jpg" alt="Obra: &quot;Closed Eyes&quot; (1895), por Odilon Redon (1840 - 1916)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/olha/">Olha</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmcea821" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmcea821 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmcea821" class="section-gmcea821 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g0e2421" class="wp-block-gutentor-e6 section-g0e2421 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/BadNewsInTroubledTimes_MargaretAllen.jpg" alt="Obra: &quot;Bad News in Troubled Times&quot;, por Margaret Allen (1830 - 1914)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/">As boas notícias</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm26ed3b" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm26ed3b gutentor-carousel-item"><div id="section-gm26ed3b" class="section-gm26ed3b gutentor-col-wrap">
<div id="section-gad34c6" class="wp-block-gutentor-e6 section-gad34c6 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/11/FatGuyPatrickRafferty.jpg" alt="Obra “Fat Guy”, por Patrick Rafferty"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/">A alegoria do mendigo gordo</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm74d5e7" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm74d5e7 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm74d5e7" class="section-gm74d5e7 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdbd9ba" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdbd9ba gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/LonelyInParis_MaryTuomi.jpg" alt="Obra &quot;Lonely in Paris&quot; (2010), por Mary Tuomi."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/">O silêncio da minha cabeça</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmde7c23" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmde7c23 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmde7c23" class="section-gmde7c23 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g056053" class="wp-block-gutentor-e6 section-g056053 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/VidaIrlandesa_JohnOBrien.jpg" alt="A obra pertence a coleção &quot;Vida Irlandesa&quot;, de John O'Brien."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/">O sequestro do Dr. Hélio Pinheiro</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmd27218" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmd27218 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmd27218" class="section-gmd27218 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g2ee9c4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g2ee9c4 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Train_ZdzislawBeksinski.jpg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/">Teratomaquia, Parte I</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmc0c5b5" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmc0c5b5 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmc0c5b5" class="section-gmc0c5b5 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g147164" class="wp-block-gutentor-e6 section-g147164 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Deserto_ZdzislawBeksinski.jpeg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/">Teratomaquia, Parte II</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm7199f4" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm7199f4 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm7199f4" class="section-gm7199f4 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gd75b84" class="wp-block-gutentor-e6 section-gd75b84 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm4f6d85" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm4f6d85 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm4f6d85" class="section-gm4f6d85 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdab4fe" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdab4fe gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/06/KramerVsKramer.jpg"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/">Kramer vs. Kramer: no tribunal do cinema moderno</a></p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
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]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Enquanto ele dorme</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/</link>
					<comments>https://culturadefato.com.br/enquanto-ele-dorme/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Sep 2023 03:24:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://culturadefato.com.br/?p=17869</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nesta postagem, leia e ouça um emocionante poema escrito de pai para filho.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-audio has-text-align-right"><audio controls src="https://culturadefato.com.br/downloads/artes_e_literatura/2023/EnquantoEleDorme_DouglasAlfiniJr.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption"><em>Escrito e narrado por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a></em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Eu acordo cedo. E, a cada dia que passa, venho acordando ainda mais cedo, só para poder esperar mais. Esperar pelo despertar daquele que, quando acordar, fatalmente irá, um segundo antes até mesmo de abrir os olhos, me procurar. Procurar na intenção pura e simples de me pedir algo, qualquer coisa, possível ou não, desta realidade ou de outra, da sua própria em que ninguém mais esteve, só para testar até onde vai minha capacidade de atendê-lo, como se eu fosse capaz de qualquer coisa. E eu, aflito como estava, acordei cedo para esperar o pedido; pedido este que não será o único do longo dia, será só o primeiro de uma série de outros, corriqueiros e muito menos importantes do que este: o primeiro, o especial primeiro pedido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, fruto de minha época, cheio dos defeitos que não enxergo — e não enxergo unicamente por pertencer a ela, esta estranha época em que todos sentem-se cada vez mais como míticos seres de luz e menos como servos, uma verdadeira horda de deuses cegos que preferem sua cegueira contemporânea compartilhada ao doce e generoso ato de servir —, luto contra as influências, visíveis e invisíveis, políticas, sociais e sobrenaturais, apenas para poder, desprendendo-me de meu orgulho humano e masculino, ainda atender àquele pedido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah, como lamento por aqueles que acordam tarde… não têm um único pedido especial pelo qual aguardar antes que o sol se ponha, e, por isso, dormem seu longo sono mentiroso e solitário, descansando o corpo para enganar a alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não: eu acordo cedo. Acordo cedo na esperança de, quem sabe, conseguir um espaço dentro da sua realidade, aquela realidade que de tão imaculada não me permite entrar por completo, mas apenas espiar, por uma fresta, toda imensidão do mais puro amor de Deus refletido em sua inocência, através daquele pedido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está escuro. Ele, em sua cama, dorme o sono tranquilo que tão bem me recordo um dia também ter desfrutado; o sono de quem não conhece o pecado, de quem está mais próximo de Deus pelo simples fato de não saber, de não precisar saber. Eu, fruto de minha época, com meu coração doído e preocupado, sozinho desperto na penumbra da noite, porque cheguei mais uma vez antes do sol, à espera de suas surpreendentes primeiras palavras do dia, sempre ainda carregadas de sonho, de beleza, de lindas paisagens e de maravilhosas aventuras em terras distantes, ou de qualquer outra coisa impossível de ser imaginada por mim, alguém tão mais distante de Deus do que ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Falta pouco. Ele também acorda cedo. Sinto que, inconscientemente, ele, assim como eu, aguarda ansioso por este momento: o momento de compartilhar comigo tudo aquilo que viu e sentiu naquele lugar onde não me é mais permitido entrar, mas que posso experienciar, ao menos um pouquinho, através do presente de sua existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em silêncio o observo, ele sente minha presença. Não é preciso dizer nada, não é preciso fazer nada. A qualquer segundo meu menino vai acordar, o filho que Deus me deu, para me dizer tudo aquilo que eu preciso ouvir, para me fazer lembrar d’Ele a cada momento em que eu viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os olhos se abrem na mesma fração de segundo em que os lábios se movem. Ele sabe: o pai está ali. Enfim minha espera acabou! Não estou mais sozinho, a penumbra se foi ao despertar do menino, junto do sol. Não há limites para o que me espera, minha missão é sempre além das expectativas. Posso ter que ir à Lua num foguete junto dele, ou caçar uma fera desconhecida numa floresta distante. Às vezes, porém, o pedido é mais simples, e tudo o que ele quer é o absurdo de um sorvete de chocolate antes do café da manhã. Quem sabe? Meu papel não é entender, mas sim o de compartilhar, porque, afinal, eu posso tudo, enquanto ele acreditar. E se a Lua está distante, eu dou um jeito de trazê-la até o quarto, e a tal fera, que leve o tempo que for, mas é minha obrigação encontrá-la. Se ainda é cedo para o sorvete, por que não mais tarde? Nós podemos imaginá-lo juntos, em todos os seus detalhes, até que seja a hora…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas e hoje? E agora? Qual será o pedido que me espera? Um sorriso arrebatador precede as palavras ditas com o cuidado de quem não quer errar ao escolhê-las:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Pai, fica sempre aqui comigo?”</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras <a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a> (2021) e <em><a href="https://www.estantevirtual.com.br/clube-de-autores/douglas-alfini-jr--ambar-gris-3889678800?show_suggestion=0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Âmbar Gris</a></em> (2023):</p>



<section id="section-88e780ed-b44f-495e-b921-fb31c459c9df" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div></div></div></section>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa: “<em>Sleep</em>” (1887), por Abbott Handerson Thayer (1849 &#8211; 1921).</p>



<br>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Mais do autor:</h2>



</p>



<section id="gmf2e44fd" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmf2e44fd gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="2" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="2">
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<div id="section-gbaaa0b" class="wp-block-gutentor-e6 section-gbaaa0b gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/07/RosesOnAntiqueArtBox_JeremiahJWhite.jpg" alt="Obra &quot;Roses on Antique Art Box&quot;, por Jeremiah J. White."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/">O valor das coisas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm824dad" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm824dad gutentor-carousel-item"><div id="section-gm824dad" class="section-gm824dad gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g4c6ea1" class="wp-block-gutentor-e6 section-g4c6ea1 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/OlavoDeCarvalhoPorIsmaelsouza.jpg" alt="Olavo de Carvalho por Ismael Souza"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/">Os mercadores da direita</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmff85a1" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmff85a1 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmff85a1" class="section-gmff85a1 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-ga4ecb6" class="wp-block-gutentor-e6 section-ga4ecb6 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SOLIDARIEDADE_2021_AurelioBentesBravo.jpg" alt="Obra: &quot;Solidariedade&quot; (2021), por Aurelio Bentes Bravo."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/">O que você viu?</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmaef893" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmaef893 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmaef893" class="section-gmaef893 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g2552b2" class="wp-block-gutentor-e6 section-g2552b2 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/olha/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ClosedEyes_1895_OdilonRedon.jpg" alt="Obra: &quot;Closed Eyes&quot; (1895), por Odilon Redon (1840 - 1916)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/olha/">Olha</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmf18ad7" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmf18ad7 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmf18ad7" class="section-gmf18ad7 gutentor-col-wrap">
<div id="section-ge050f1" class="wp-block-gutentor-e6 section-ge050f1 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/01/BadNewsInTroubledTimes_MargaretAllen.jpg" alt="Obra: &quot;Bad News in Troubled Times&quot;, por Margaret Allen (1830 - 1914)."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/as-boas-noticias/">As boas notícias</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm953e4e" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm953e4e gutentor-carousel-item"><div id="section-gm953e4e" class="section-gm953e4e gutentor-col-wrap">
<div id="section-geab1f2" class="wp-block-gutentor-e6 section-geab1f2 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/11/FatGuyPatrickRafferty.jpg" alt="Obra “Fat Guy”, por Patrick Rafferty"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-alegoria-do-mendigo-gordo/">A alegoria do mendigo gordo</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm999af0" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm999af0 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm999af0" class="section-gm999af0 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g336e86" class="wp-block-gutentor-e6 section-g336e86 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/LonelyInParis_MaryTuomi.jpg" alt="Obra &quot;Lonely in Paris&quot; (2010), por Mary Tuomi."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/">O silêncio da minha cabeça</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm4482df" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm4482df gutentor-carousel-item"><div id="section-gm4482df" class="section-gm4482df gutentor-col-wrap">
<div id="section-g77b6bf" class="wp-block-gutentor-e6 section-g77b6bf gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/VidaIrlandesa_JohnOBrien.jpg" alt="A obra pertence a coleção &quot;Vida Irlandesa&quot;, de John O'Brien."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-sequestro-do-dr-helio-pinheiro/">O sequestro do Dr. Hélio Pinheiro</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm47b749" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm47b749 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm47b749" class="section-gm47b749 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g7df3d8" class="wp-block-gutentor-e6 section-g7df3d8 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Train_ZdzislawBeksinski.jpg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-i/">Teratomaquia, Parte I</a></p>
</div></div>



<div id="col-gme3198f" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gme3198f gutentor-carousel-item"><div id="section-gme3198f" class="section-gme3198f gutentor-col-wrap">
<div id="section-gea253e" class="wp-block-gutentor-e6 section-gea253e gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Deserto_ZdzislawBeksinski.jpeg" alt="Obra sem título, do artista polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005)"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/teratomaquia-parte-ii/">Teratomaquia, Parte II</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm690dc5" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm690dc5 gutentor-carousel-item"><div id="section-gm690dc5" class="section-gm690dc5 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g87cb77" class="wp-block-gutentor-e6 section-g87cb77 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmd87b67" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmd87b67 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmd87b67" class="section-gmd87b67 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g617149" class="wp-block-gutentor-e6 section-g617149 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/06/KramerVsKramer.jpg"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/kramer-vs-kramer-no-tribunal-do-cinema-moderno/">Kramer vs. Kramer: no tribunal do cinema moderno</a></p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
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			</item>
		<item>
		<title>O valor das coisas</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/o-valor-das-coisas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jul 2023 14:28:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Materialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Bomfim]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Certo tempo atrás me foi contada uma história que, de tão interessante e cheia de camadas, volta e meia retorna à minha memória com um significado renovado. Não é uma história longa e cheia de personagens, e não há qualquer dificuldade em compreendê-la.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>Olho para meus pais, para minha mulher, para meus filhos, e sinto o chão debaixo dos meus pés.</em><br><em>A vida passa e nós estamos em torno de uma mesa, almoçando esperanças, jantando emoções e ceando fatias da noite.</em>”<br>Paulo Bomfim (1926 – 2019)</p>



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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Certo tempo atrás me foi contada uma história que, de tão interessante e cheia de camadas, volta e meia retorna à minha memória com um significado renovado. Não é uma história longa e cheia de personagens, e não há qualquer dificuldade em compreendê-la. Ao contrário, é uma história simples sobre um barão do café no interior de São Paulo, do tempo em que estes eram grandes magnatas dividindo a vida entre a sede de suas fazendas e os casarões da Avenida Paulista, onde desfilavam sua elegância em passeios de charrete com suas damas a tiracolo, enquanto sacas daquele pequeno fruto rendiam-lhes milhões e milhões, não muito longe dali. Pois bem; um desses barões, cujo nome desconheço, não vinha da linhagem cafeeira dos seus confrades milionários da vizinhança, e apesar de já ter nascido entre os pés de café, sempre soube da origem humilde de seu pai, agricultor visionário e único responsável pelo império que herdara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia, enquanto gastava seu dinheiro na capital, recebeu a visita de um mensageiro, que trazia a notícia de que sua fazenda havia sido alvo de um incêndio criminoso. Imediatamente, o barão viajou de volta à sede, a fim de saber o que havia acontecido realmente, e, quando lá chegou, o que encontrou foi um cenário de terra arrasada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pés de café queimados ainda ardiam, e as cinzas exalavam o doce aroma do fruto agora em brasa, mas o dono de tudo aquilo pouco se importou. Sem perder tempo lamentando o estrago da plantação, correu para dentro de sua casa e, subindo as escadas rapidamente, ajoelhou-se ao lado da cama, retirando por debaixo dela uma caixinha de madeira. E que alívio sentiu ao vê-la intocada, em meio a toda aquela violação que sua propriedade sofrera! Chegou mesmo a abraçá-la, pressionando-a contra o peito.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://culturadefato.com.br/ambar-gris-de-douglas-alfini-jr/"><img loading="lazy" decoding="async" width="544" height="318" class="wp-image-16379" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/StillLife_VitaSchagen_PequenaCantosEsfumacados.jpg" alt=""></a>Ali dentro não havia nenhum rubi, nenhuma esmeralda encontrada por um antepassado bandeirante ou coisa que o valha. O valor do que ali estava guardado, para um homem grato à vida que tinha, como era o caso, ia muito além das pepitas de ouro. Dentro da caixinha de madeira havia um ramo seco de café, que, mesmo preservado entre duas folhas de papel manteiga, ainda exalava um pouco de seu odor peculiar, que o barão fazia questão de experimentar, inspirando profundamente, a cada vez que o revisitava. Ainda em uma dessas folhas, quase apagado, mas não menos importante para ele, era possível ler um recado: “Não se esqueça de onde veio”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era o que dizia a frase escrita pelo pai ao presenteá-lo com o primeiro ramo de café que havia colhido em sua vida, semente original de toda aquela riqueza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O barão tinha plena convicção do tamanho de sua fortuna. Sabia que o prejuízo daquele estrago não era algo à toa, mas que as perdas também faziam parte dos negócios. Trabalhando duro e com a experiência que já tinha no ramo, junto das reservas que havia se preocupado em guardar para uma ocasião como aquela, recomeçaria e se recuperaria a seu tempo. O que seria mesmo impossível de se conseguir outra vez, caso perdida, seria aquela demonstração do carinho de seu falecido pai, materializada naquele ramo preservado de café.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O barão não era de maneira alguma um sujeito materialista. Seu amor não estava depositado na caixinha de madeira, no ramo de café, e nem no recado escrito. Seu amor estava no gesto, na lembrança, na figura do pai querido que vivia apenas em sua memória, mas que se fazia presente a cada vez que abria a singela recordação. Aquela sensação era para ele muito mais gratificante do que o dinheiro que ganhava na lavoura agora perdida; afinal, sem aquele ramo, hoje transformado em símbolo, ele não teria nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que vivemos todos num mundo a cada dia mais materialista é algo óbvio e indiscutível. Mas o materialismo de hoje é um materialismo diferente, evoluído em sua natureza egoísta. O materialista atual odeia até mesmo a própria matéria, despreza o palpável e dedica-se a amar um objeto irreal, virtual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A realidade parece cada vez mais distante, transportada para dentro das telas, dos <em>softwares</em>, dos <em>pendrives</em>, das “nuvens”, afastando-nos mais e mais das boas lembranças e, principalmente, dos bons sentimentos, aqueles que de tão reais são capazes de fundir-se a um simples objeto, fazendo-o tornar-se algo de valor incalculável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os álbuns de fotografia desapareceram, trocados pelas pastas virtuais de um “<em>smartphone</em>”. Ninguém mais revisita os bons momentos, pois eles estão todos ali, no bolso, ao alcance das mãos a qualquer hora, figurando em alguma rede social (ou em várias). Quem é que saca o celular e reúne a família para mostrar os registros daquela viagem de anos atrás?</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pessoas sentem-se mais seguras ao transportar suas lembranças, deixando-as ao cuidado deste arquivo virtual, sem nem ao menos preocupar-se com a possibilidade de que, um dia, toda essa realidade paralela venha a ser simplesmente apagada. É assustador ter que explicar que suas coisas estão mais bem guardadas com você, enquanto neste outro mundo não estão realmente ao seu alcance, para ser devidamente aproveitadas, e, na verdade, nem mais lhe pertencem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Será que o barão de nossa história teria hoje o mesmo sentimento que tinha ao segurar nas mãos o presente de seu pai, fosse este apenas mais um entre milhares de outros objetos aleatórios na memória artificial de um telefone celular? Tenho certeza de que não, pelo simples fato de que nada pode substituir o toque humano, a impressão do sentir e do viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta que fica, no fim das contas, é esta: quanto tempo ainda nos resta até que tudo tenha sido transportado a este novo mundo artificial do qual, aos poucos, fazemos parte cada vez mais? Não ficarei espantado se, em breve, precisarmos baixar algum aplicativo numa loja virtual para que possamos experienciar um sentimento qualquer, ou uma boa lembrança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De minha parte, enquanto ainda posso, prefiro viver a experiência de contemplar um quadro pendurado na parede, ou folhear um álbum de fotografias antigas, tomando deles todas as boas sensações que dão sentido à sua existência real, assim mesmo como fazia o barão ao reviver o amor de seu pai através daquele simples ramo de café guardado numa caixinha de madeira…</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras <a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a> (2021) e <em><a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Âmbar Gris</a></em> (2023):</p>



<section id="section-e986ae19-46fb-4f2d-a3c2-5f81f8787a7f" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/45uleLS" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div></div></div></section>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa “<em><a href="http://jeremiahjwhite.com/artwork/roses_on_antique_art_box-oil_painting_on_canvas-still_life.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Roses on Antique Art Box</a></em>”, por <a href="http://jeremiahjwhite.com/bio.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Jeremiah J. White</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Artigos similares:</h2>



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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><a href="https://culturadefato.com.br/postagens-selecionadas-do-telegram-marco-de-2023/"></a><br><a href="https://culturadefato.com.br/ambar-gris-de-douglas-alfini-jr/"><em>“Âmbar Gris”, de Douglas Alfini Jr.</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/editoriaculturadefato/">Editoria Cultura de Fato</a></p>
</div></div>



<div id="col-gm7937fd" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gm7937fd gutentor-carousel-item"><div id="section-gm7937fd" class="section-gm7937fd gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><a href="https://culturadefato.com.br/os-primitivos-do-futuro-ou-os-documentadores-musicais/"><br></a><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-voce-viu/"><em>O que você viu?</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a></p>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/a-bola/">A Bola</a></em><a href="https://culturadefato.com.br/jingles-inesqueciveis-mas-evitaveis/">,</a><br>por Luís Fernando Veríssimo.</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><a href="https://culturadefato.com.br/fragmentacao-historica/"><em>Fragmentação histórica</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/danielmarcondes/">Daniel Marcondes</a></p>
</div></div>



<div id="col-gma49c84" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gma49c84 gutentor-carousel-item"><div id="section-gma49c84" class="section-gma49c84 gutentor-col-wrap">
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/o-silencio-dentro-da-minha-cabeca/">O silêncio dentro da minha cabeça</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a></p>
</div></div>



<div id="col-gmf1bf68" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gmf1bf68 gutentor-carousel-item"><div id="section-gmf1bf68" class="section-gmf1bf68 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g67e755" class="wp-block-gutentor-e6 section-g67e755 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-mala/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/10/AMala.jpg" alt="Mala deitada no gramado com flores dispostas em cima"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/a-mala/">A mala</a></em><br>(<a href="https://culturadefato.com.br/author/autordesconhecido/">autor desconhecido</a>)</p>
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<div id="col-gme80c46" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gme80c46 gutentor-carousel-item"><div id="section-gme80c46" class="section-gme80c46 gutentor-col-wrap">
<div id="section-g61f14e" class="wp-block-gutentor-e6 section-g61f14e gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Dune_MarinaShirjaeva.jpg" alt="Obra: &quot;Dune&quot; de Marina Shirjaeva."/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/poemas-douglas-alfini-jr/">Poemas</a></em><br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a></p>
</div></div>



<div id="col-gme98d35" class="wp-block-gutentor-m0-col col-gme98d35 gutentor-carousel-item"><div id="section-gme98d35" class="section-gme98d35 gutentor-col-wrap">
<div id="section-gdbd574" class="wp-block-gutentor-e6 section-gdbd574 gutentor-element gutentor-element-image gutentor-enabled-width text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/saudade-e-o-amor-que-fica/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Saudade_AlmeidaJunior.jpg" alt="Obra: &quot;Saudade&quot;, por Almeida Júnior (1850 - 1899) criada por"/></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/saudade-e-o-amor-que-fica/">Saudade é o amor que fica!</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/rogeriobrandao/">Rogério Brandão</a></p>
</div></div>
</div></div></section>



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			</item>
		<item>
		<title>Os mercadores da direita</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/os-mercadores-da-direita/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 03:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[Conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Curso Online de Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo de Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Platão]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<category><![CDATA[Seminário de Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Sócrates]]></category>
		<category><![CDATA[Torto arado]]></category>
		<category><![CDATA[True Outspeak]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Graças à internet e ao ‘saudoso’ Orkut, Olavo de Carvalho ‘furaria a bolha”, como dizem alguns, e adentraria os lares daqueles brasileiros sedentos por conhecimento, mas que ainda não haviam tido contato com seu trabalho como filósofo e escritor.”</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>O fraco, quando quer imitar o poderoso, perece.</em>”<br>Fedro (cerca de 15 a. C. &#8211; 50 d. C.), fabulista romano nascido na Macedônia.</p>



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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">E cá estamos nós, quase vinte anos após os primeiros ecos daquela voz que ganharia, finalmente, o merecido alcance popular através do surgimento de uma ainda embrionária rede social que, utilizada de modo absolutamente original, mudaria de maneira singular e para sempre os rumos do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Graças à internet e ao “saudoso” Orkut, Olavo de Carvalho “furaria a bolha”, como dizem alguns, e adentraria os lares daqueles brasileiros sedentos por conhecimento, mas que ainda não haviam tido contato com seu trabalho como filósofo e escritor. Em seguida, o advento do memorável programa <em><a href="https://culturadefato.com.br/?s=true+outspeak%3A">True Outspeak</a></em> resultaria no <a href="https://sl.seminariodefilosofia.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Curso Online de Filosofia</a>, e uma verdadeira rede de alunos seria formada com o passar dos anos, alunos que reconheciam merecidamente, na figura de seu mestre, a voz da verdade há tanto sufocada. Enfim o conservadorismo brasileiro estava de volta, e talvez com uma força — ao menos política — nunca vista antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faço este breve resumo apenas como um pretexto, pois é lugar comum, tanto entre os “influenciadores” do meio como também para os próprios esquerdistas, a consideração do professor Olavo como o maior responsável por tal fenômeno. Quanto a isso, acredito, não há dúvidas nem pontos de discordância: os inimigos reconhecem sua importância, os seguidores também, e assunto encerrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ou não”, diria ironicamente o tedioso “poeta baiano”, colecionador de indenizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Coloco em dúvida o reconhecimento do professor entre muitos dos seus, não pelos méritos que evidentemente possuía, mas porque agora, mais de um ano após sua morte, noto com incômodo pesar o descaso com que seu legado, mais que sua obra — esta inatingível —, vem sendo tratado por aqueles que, pensávamos, levariam sua bandeira ao próximo forte.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://culturadefato.com.br/ambar-gris-de-douglas-alfini-jr/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" class="wp-image-16374" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/StillLife_VitaSchagen_PequenaCantosEsfumacados.jpg" alt=""></a>Não é o que vemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é preciso citar nomes — mesmo porque, para o consumidor habitual de conteúdo conservador nas redes, não é difícil identificá-los, acredito —, mas, em geral, são os mesmos que mendigavam “<em>lives</em>” com o professor em seus canais, repetindo nestas os jargões criados por ele e chegando ao ridículo de copiá-lo não só verbalmente, mas também no modo de se vestir e nos trejeitos. Patético. Se esses alunos digamos “<em>mainstream</em>” já se comportavam assim com o professor ainda em atividade, abusando de sua reconhecida boa vontade para com aqueles que lhe pediam alguma visibilidade, era óbvio que a coisa iria degringolar após sua partida. E degringolou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os mercadores do templo tiraram Jesus do sério ao transformar aquele lugar sagrado em balcão de negócios: hoje, permito-me a grosseira comparação desta passagem com o cenário atual dos “discípulos famosos” do professor, que usam da proximidade que tinham com ele para vender seus conteúdos, muitas vezes absurdos, no “ambiente” conservador das redes — ambiente criado por ele —, aos ainda sedentos e pouco esclarecidos conservadores brasileiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há pudor algum em misturar Platão com a mais fútil autoajuda de banca de jornal de aeroporto, Aristóteles com a cultura pop ou Sócrates com as mais gritantes manchetes de jornal sobre a rasteira política do dia, esta pela qual parecem possuir uma inexplicável tara. Tão extrema é a fixação pelas movimentações em Brasília que talvez a galinha dos ovos de ouro dessa turma seja, além dos cursos sobre nada, os livros de temática política sensacionalista. Novas (velhas) obras sobre o comunismo no Brasil e os planos do PT multiplicam-se como <em>gremlins</em> nas lojas virtuais, remoendo sem qualquer novidade teórica um tema que já foi esmiuçado com habilidade pelo próprio professor Olavo e tantos outros, ao mesmo tempo em que ignora-se, com altiva surdez seletiva, sua mais importante constatação: só equilibraremos as forças no Brasil quando retomarmos a cultura através da arte, principalmente no campo literário, produzindo romances, peças e todo tipo de ficção de real valor, alimentando o imaginário popular com o inverso da proposta de destruição moral implantada pela esquerda ao longo de décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguém está realmente fazendo isso, e com a seriedade que a situação exige? Tenho a impressão de que não. Aliás, a quem esteja disposto a produzir ficção de viés conservador sem apelar a bobagens futuristas ou emulações baratas da Terra Média, é aconselhável um bom investimento para adentrar a panelinha — afinal, garantir uma cadeira ao lado dos autoproclamados senhores da verdade conservadora parece custar caro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imaginem só, que sorte a nossa, se a esquerda também cultivasse, entre seus “pilares”, tamanho ego e ganância. Será que teriam sido vendidos os 400 mil exemplares do panfleto progressista <em>Torto arado</em>, por exemplo? Duvido muito. Neste sentido, admito, há algo de admirável nos comunistas. Eles, sim, entendem que é a solidariedade com os seus iguais que faz a máquina girar. Levantam escritores e os divulgam, compram, distribuem, cedem lugar e entendem a guerra muito mais que os de cá, que parecem nada conseguir fazer além de seguir editando intermináveis edições do <em><a href="https://culturadefato.com.br/downloads/artes_e_literatura/2020/1984-george-owell.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">1984</a></em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que falta nos faz o professor Olavo! Que pena que não houve tempo para que pudesse chicotear, com suas broncas “alborghetianas”, esses mercadores do templo conservador que ele tanto ajudou a construir.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br>Douglas é autor das obras <a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Crônicas do Invisível</em></a> (2021) e <em><a href="https://www.estantevirtual.com.br/clube-de-autores/douglas-alfini-jr--ambar-gris-3889678800?show_suggestion=0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Âmbar Gris</a></em> (2023):</p>



<section id="section-d9ef611d-4c7d-459b-aa8c-8886c2f3231f" class="wp-block-gutentor-image-box alignfull gutentor-section gutentor-image-wrapper imagebox-template1 wow animated zoomIn" data-wow-animation="zoomIn" data-wow-delay="0s" data-wow-duration="2s" data-wow-iteration="1"><div class="grid-container"><div class="grid-row gutentor-grid-item-wrap"><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-0 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Ambar_Gris.png" alt="Capa da obra: &quot;Âmbar Gris&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://www.estantevirtual.com.br/clube-de-autores/douglas-alfini-jr--ambar-gris-3889678800?show_suggestion=0" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div><div class="gutentor-grid-column grid-lg-6 grid-md-4 grid-12"><div class="gutentor-single-item gutentor-image gutentor-single-item-1 g-single-column-link-enabled"><div class="gutentor-single-item-wrap"><div class="gutentor-single-item-image-box"><div class="gutentor-image-thumb"><img loading="lazy" decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Cronicas_do_Invisivel.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr." height="643" width="453"/></div></div><div class="gutentor-single-item-content"></div></div><a class="gutentor-single-item-box-link gutentor-link" href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"></a></div></div></div></div></section>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em><a href="https://www.behance.net/gallery/149645211/Olavo-de-Carvalho/modules/845114607" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Olavo de Carvalho</a></em>”, por <a href="https://ismaelespindola.myportfolio.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Ismael Souza</a>.</p>



<br>
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		<title>O que você viu?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 12:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Rearmamento Moral]]></category>
		<category><![CDATA[Solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Há muito tempo ouço dizer que o mundo está virado, que nada mais é como antes e que tudo já foi melhor. Sempre julguei que esse tipo de afirmação fosse coisa de velho, papo furado para puxar conversa ou puro saudosismo. Começo, porém, a achar que estava errado, ao menos em partes.”</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos.</em><br><em>Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Gilbert">G.</span> <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Keith">K.</span> Chesterton (1874 – 1936).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Que estranha sensação me causa o atual estado das coisas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há muito tempo ouço dizer que o mundo está virado, que nada mais é como antes e que tudo já foi melhor. Sempre julguei que esse tipo de afirmação fosse coisa de velho, papo furado para puxar conversa ou puro saudosismo. Começo, porém, a achar que estava errado, ao menos em partes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O mundo muda, tudo evolui e se transforma, é assim mesmo”, pensei um dia, e não acho que estivesse totalmente equivocado, mas, sem dúvida, não imaginava a velocidade em que se dariam essas transformações, nem o tanto que impactariam a vida cotidiana das pessoas comuns. Entre o ir e vir do trabalho, da escola, da igreja, do lazer, existe agora uma gama de fatores complicadores que não estava ali há dez ou quinze anos, quanto mais a trinta ou quarenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há de se pesar, obviamente, o fator da idade, uma vez que com ela vem a experiência e um olhar sobre o mundo que a ansiedade da juventude não nos permite ter. Com o passar do tempo, enxergamos a tudo com muito mais receio, mais desconfiança, e sei que isso deve ter acontecido com cada geração anterior, e acredito ser normal acontecer. Isto posto, há um adendo a ser feito: será mesmo que os nossos antepassados, mais ou menos distantes, tinham realmente tantos motivos para se preocupar como nós os temos agora? Duvido muito, e lamento que não tenha sido possível avisá-los: “Fiquem tranquilos, vocês não verão o pior”.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="543" height="341" class="wp-image-15022" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Calendario_Relogio.jpg" alt="Calendário e Relógio">Seja como for, por mais anestesiado que esteja diante dos acontecimentos do meu tempo, enquanto adulto, pai de família e cidadão pagador de impostos, ainda não consigo estar completamente alheio aos absurdos do mundo de hoje. Basta estar vivo para ver como as pessoas estão estranhas, banalizando e adaptando ao seu dia a dia todo tipo de anormalidade. Uma rápida visita ao centro de qualquer grande cidade é o suficiente para que se faça a constatação. Não é mais possível distinguir os sexos, não existe mais qualquer cordialidade ou gentileza, não há incômodo com a falta de beleza por onde quer que se olhe, e não há diálogo racional algum. Até os cães e gatos foram elevados ao status de igualdade, e até superioridade, em relação ao ser humano: são os “filhos” daqueles que não fazem ideia da relevância divina que esta palavra encerra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, ainda temos as notícias internacionais, a economia, as guerras, os conflitos, as revoltas, as doenças. “Mas tudo isso sempre esteve aí”, você poderá me confrontar, e com razão. A diferença, no entanto, é a completa histeria com que as pessoas, hoje, encaram tudo isso. A leitura dos acontecimentos é cada dia mais distorcida e corrompida, e tudo isso gritado em alto e bom som num megafone caótico chamado “redes sociais”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minha impressão é a de que o mundo sempre esteve sob um processo de enlouquecimento gradativo, mas agora descobriu seu jeito de acelerar freneticamente esse processo, e os que não o percebem, ou fingem não fazê-lo, é porque já perderam sua razão há muito tempo…</p>



<br>



<p class="wp-block-paragraph">Dito isto, me vejo agora devendo desculpas ao leitor. Nada do que foi escrito aqui é novidade, correto? Não entreguei até agora nada que você não esteja cansado de saber. Você, que compartilha de meu desabafo, de minha desolação perante tudo que se vê atualmente, não foi surpreendido por este relato. Assim como eu, você acorda pela manhã, olha para o mundo ao redor, em uma ou outra hora qualquer do dia, e se pergunta o que está de fato acontecendo. Mas depois, sem respostas nem solução, segue sua vida, toca seus afazeres e tenta não enlouquecer, apoiando-se como pode no pouco de virtude que resta. Meu alerta é para que você se atente ao gigantesco massacre de mau gosto e loucura que nos sufoca e, principalmente, nos cega, mas não deixe que tudo isso o faça esquecer, aos poucos, do que já tenha visto ou sentido de belo e realmente emocionante nesta vida. O desaparecimento da beleza a olho nu, seja na moda, na arquitetura, na música ou na palavra escrita e falada, afastou de nós a sensibilidade para compreender o que de fato é importante, e este é o ponto onde quero chegar: o que realmente você viu que valha a pena ser lembrado, e que se sobrepõe a todo o caos e feiura que tomaram conta do mundo? Não falo de paisagens, viagens, filmes, shows ou eventos esportivos, mas de vida real, de acontecimentos de beleza incontestável, de cenas que sintetizam a existência de Deus, em vez de toda a futilidade que está sempre em constante evidência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, por exemplo, tinha 16 anos quando minha avó materna, Dona Malvina, faleceu de um infarto fulminante durante a madrugada. Eis meu primeiro contato mais próximo com a morte, que, assim inesperada, e tratando-se de um ente querido, pode ser um acontecimento terrível, ainda mais para aqueles que, como eu, dividiam a mesma casa com quem se foi. A ambulância foi chamada, a família toda avisada, mas nada mais podia ser feito: meu avô estava viúvo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu Severino Arruda, nascido em Iacanga, no interior de São Paulo, era um filho de agricultores que perdeu a mãe aos 5 anos de idade, sendo depois renegado, aos 12, pela nova esposa do pai. Criado pelas irmãs, foi agricultor na lavoura de algodão até servir no Exército. Após a dispensa, casou-se, segundo ele, com a mulher mais bonita da cidade, e logo deixou a vida dura na roça para tentar a sorte em Santo André, no ABC paulista, onde viria a criar as quatro filhas. Trabalhou por 25 anos na fábrica de pneus Pirelli, e só não foi mais reconhecido profissionalmente pela falta de leitura, que o impedia de subir a cargos maiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este homem forte, que após a aposentadoria aprendeu a fabricar vasos e jardineiras, montando sua própria oficina nos fundos da casa, onde viria a trabalhar quase até aos 80 anos, via-se agora sozinho, sem a companheira de tantas décadas. Ainda me lembro bem dos seus olhos vazios no dia após o ocorrido, e de como seu andar sempre firme, resquício dos tempos de militar, tornara-se desnorteado como se houvesse perdido o senso de direção. Foi chegada a hora do velório; muitas pessoas vieram dar seu último adeus a minha avó, e entre elas estiveram presentes os pais de meu pai, Dona Elza e Seu Mário Alfini, este último a peça que falta para completar minha história.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><img loading="lazy" decoding="async" width="389" height="548" class="wp-image-12225" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/CronicasDoInvisivel_Grande.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr."></a>Meu avô Mário era filho de imigrantes italianos. Nascido em São Simão, também no interior de São Paulo, foi para Santo André ainda criança, junto dos pais e irmãos. Trabalhou por incríveis 40 anos na mesma empresa, a tecelagem Kovarick, onde chegou ao cargo de encarregado geral, inclusive presidindo o sindicato da categoria. Nos anos 50 fez parte do movimento do Rearmamento Moral, viajando por inúmeros países do mundo, como Inglaterra, França, Suíça, Alemanha, Holanda e até Senegal, acompanhando uma comitiva brasileira em palestras contra a expansão comunista. Era um homem duro, severo, que criou seus oito filhos com mão de ferro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até aquele fatídico dia, eu não me recordava de ter visto meus dois avôs em um mesmo local. Em minha cabeça pueril, eu os tinha como mundos diferentes, o que, de certa forma, eles de fato eram. Homens diferentes em vários aspectos, de personalidades diferentes e vidas que haviam tomado rumos diferentes, tinha em comum, porém, o trabalho como norte e a família como base — gente de uma outra época, um outro tempo em que um homem orgulhava-se do trabalho duro e não chorava à toa, e em que os sentimentos não eram tão facilmente externalizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois bem; eu estava sentado, em silêncio, num canto da sala de velório, sem saber que meus avós paternos chegariam, quando vi meu avô Mário entrando pela porta. Este, que era para mim o símbolo máximo de austeridade e firmeza, reconheceu-se agora na figura do outro, mesmo tendo sua companheira ainda ao seu lado, e, ao fazê-lo, pôs-se em lágrimas, ao abraçá-lo no gesto mais sincero que eu veria em toda a minha vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda hoje me emociono ao recordar a cena que, admito, nada tem de especial para as outras pessoas — ora, o que pode haver de tão incrível em um abraço num velório? Mas sei bem o que aquele dia significou para mim, e sei bem qual foi o impacto de estar presente diante daquele acontecimento. Posso dizer, com a certeza de quem estava lá, que vi de perto dois grandes homens e, principalmente, dois legítimos exemplares de homens bons, compartilhando a dor de uma perda e dando substância real à palavra <em>solidariedade</em>, sem qualquer interesse ou compromisso, apenas dando e recebendo um abraço de consolo, porque era o mais humano que se podia fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredito que meus avôs nunca mais se viram depois daquele dia. Mário morreu de causas naturais aos 92 anos de idade, três meses após a partida da esposa, depois de um casamento de sessenta anos. Severino se foi aos 98, dormindo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mundo pode ainda me surpreender todos os dias e, na maioria das vezes, negativamente, com seus absurdos surreais. Mas nada, absolutamente nada terá maior impacto em mim do que tudo o que senti quando aqueles dois senhores se encontraram. Deus estava ali, e foi isso que eu vi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas e você? O que você realmente viu?</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br><br>Douglas é escritor, tendo como principais influências os clássicos do<br>romance e da literatura fantástica, bem como o cinema <em>western</em>.<br>A obra <a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow"><em>Crônicas do Invisível</em></a> (2021) é seu livro de estreia.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa “<em><a href="https://www.artmajeur.com/aurelio-bentes-bravo/pt/artworks/14282201/solidariedade" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Solidariedade</a></em>” (2021), por <a href="https://www.artmajeur.com/aurelio-bentes-bravo" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Aurelio Bentes Bravo</a>.</p>



<br>
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		<title>Olha</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/olha/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 01:48:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas do Invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Douglas Alfini Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apresentamos mais um belíssimo poema do escritor Douglas Alfini Jr. Confiram!</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>Tendo olhos, não vedes, e tendo ouvidos, não ouvis?</em>”<br><span data-tooltip="Marcos" data-tooltip-position="top">Mc</span> <span data-tooltip="Capítulo 8" data-tooltip-position="top">8</span>,<span data-tooltip="Versículo 18" data-tooltip-position="top">18</span></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Não, eu não acredito em conselhos.<br>Eu somente acredito em olhos, nos meus olhos,<br>os olhos que Deus me deu e, ao dá-los, disse: “Olha!”.</p>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">“Olha e vê, que Eu sou perfeito,<br>e não duvide, não tem jeito…<br>não há modo de duvidar,<br>porque tudo que foi feito, Eu pretendo lhe mostrar.</p>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A cada manhã que acordares, abertos como janelas,<br>feito um par de sentinelas, infalíveis a lembrar<br>que não importa tua idade, se já foi a mocidade,<br>ainda é tempo de acordar.</p>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Não falta sinceridade Àquele que te faz olhar.</p>



<br>



<p class="has-text-align-left img-direita wp-block-paragraph">Olha<br><img loading="lazy" decoding="async" width="389" height="548" class="wp-image-12225" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/05/CronicasDoInvisivel_Grande.jpg" alt="Capa da obra: &quot;Crônicas do Invisível&quot;, escrita por Douglas Alfini Jr.">para a realidade. Nada pode te escapar.<br>Se o mundo perde a razão, muda o sentido da verdade,<br>ainda lhe resta a visão que preserva a sanidade.</p>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Olha.<br>Se a árvore lhe diz que é poste,<br>ou a doença se disfarça em morte,<br>não há por que se enganar.<br>Tu ainda tens a sorte de poder olhar pra vida<br>e realmente a enxergar.</p>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Olha.<br>Entre o ‘ver’ e o ‘ouvir dizer’, é tão fácil de escolher;<br>como podes rejeitar o natural do próprio ser?</p>



<br>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Olha!”<br>Eu, que nunca fui pagão, me sinto na obrigação de fazer por merecer.<br>Pelo dom que me foi dado, por tudo que é mais sagrado,<br>eu rejeito este pecado de ter olhos e não ver.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/douglasalfini/">Douglas Alfini Jr.</a><br><br>Douglas é escritor, tendo como principais influências os clássicos do<br>romance e da literatura fantástica, bem como o cinema <em>western</em>.<br>A obra <a href="https://amzn.to/3iYz0Rw" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow"><em>Crônicas do Invisível</em></a> (2021) é seu livro de estreia.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Closed Eyes</em>” (1895), por Odilon Redon (1840 &#8211; 1916).</p>



<br>
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