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	<title>Fernando Pessoa, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Fernando Pessoa, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>Excertos do “Livro do desassossego” (Máximas), de Fernando Pessoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Pessoa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 03:19:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Excerto de Livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A arte é um isolamento. Todo o artista deve buscar isolar os outros, levar-lhes às almas o desejo de estarem sós. O triunfo supremo de um artista é quando ao ler suas obras o leitor prefere tê-las e não as ler. Não é porque isto aconteça aos consagrados; é porque é o maior tributo.”</p>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em><sup>*</sup> O “<a href="https://amzn.to/3QatZUV" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Livro do desassossego</a>” é repleto de reflexões sobre a existência humana, a solidão, a identidade e a busca pelo sentido da vida.</em> <em>Logo no primeiro parágrafo do capítulo que nós selecionamos (intitulado “Máximas”), Bernardo Soares — heterônimo no qual Pessoa assina esta obra —, deixa clara sua sensação de desconexão e desorientação em relação ao mundo e à própria existência. No entanto, é importante salientar que a interpretação exata deste e de outros trechos do livro pode variar de leitor para leitor <em>— </em></em> <em>a obra é altamente subjetiva e aberta a diferentes interpretações, levando o leitor ao desassossego.</em></p>



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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido — tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver num doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si próprio é o único modo de vida que a um sábio convém e aquece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— A nossa personalidade deve ser indevassável, mesmo por nós próprios: daí o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos não seja possível ter opiniões ao nosso respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadeza ímpar. O que desloca a vulgar saudação — como está? — de ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Amar é cansar-se de estar só: é uma cobardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Dar bons conselhos é insultar a faculdade de errar que Deus deu aos outros. E, para além do mais, os actos alheios devem ter a vantagem de não serem também nossos. Apenas é compreensível que se peça conselhos aos outros para saber bem, ao agir ao contrário, que somos bem nós, bem em desacordo com a Outragem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— A única vantagem de estudar é gozar o quanto os outros não disseram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— A arte é um isolamento. Todo o artista deve buscar isolar os outros, levar-lhes às almas o desejo de estarem sós. O triunfo supremo de um artista é quando ao ler suas obras o leitor prefere tê-las e não as ler. Não é porque isto aconteça aos consagrados; é porque é o maior tributo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Ser lúcido é estar indisposto consigo próprio, O legítimo estado de espírito com respeito a olhar para dentro de si próprio é o estado de quem olha nervos e indecisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Por <span data-tooltip-position="left" data-tooltip="Fernando António Nogueira Pessoa (1888 - 1935), nasceu e faleceu em Lisboa (Portugal), é considerado um dos mais importantes escritores portugueses. Como poeta lírico cultivou poesia dirigida aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, expressnado reflexões sobre seu ''eu profundo'', suas inquietações, sua solidão e seu tédio.">Fernando Pessoa</span>.<br>Excerto da obra “<a href="https://amzn.to/3QatZUV" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Livro do desassossego</a>”.</p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Fernando Pessoa</em>”, por António Faria.</p>



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