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	<title>George Orwell, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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		<title>Limites de viagem na Europa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[George Orwell]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 May 2021 03:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até 1914 não se precisava de um passaporte para nenhum país, exceto a Rússia. O migrante europeu, se conseguisse arranjar umas poucas libras para a passagem, simplesmente embarcava para a América ou a Austrália, e quando lá chegava não lhe faziam perguntas. No século XVIII era quase normal e seguro viajar para um país com o qual seu próprio país estava em guerra.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em><strong>Atente</strong>: O ensaio desta postagem foi escrito por </em><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="George Orwell (1903 – 1950) é pseudônimo do escritor inglês Eric Arthur Blair, autor de distopias memoráveis como ''1984'' e ''A Revolução dos Bichos''."><em><a href="https://culturadefato.com.br/author/georgeorwell/">George Orwell</a></em></span><em> (1903 – 1950) em 1941. Atualmente podemos compará-lo com aqueles passatempos intitulados “jogo do sete erros”, onde são expostas lado a lado duas imagens parecidíssimas com pequenos detalhes divergentes que deverão se localizados pelo “jogador<em>”</em>. Coloque esta postagem ao lado dos atuais acontecimentos, e você encontrará diversas similaridades!</em></p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Lendo pouco tempo atrás uma porção de livros “progressistas” muito superficialmente otimistas, fiquei chocado com o modo automático com que as pessoas repetem certas expressões que estavam na moda antes de 1941. Duas grandes favoritas são “abolição das distâncias” e “desaparecimento das fronteiras”. Não sei quão frequentemente deparei com declarações de que “o avião e o rádio aboliram as distâncias” e “todas as partes do mundo são agora interdependentes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato é que o efeito das invenções modernas tem sido o de aumentar o nacionalismo, tornar a viagem imensamente mais difícil, reduzir os meios de comunicação entre um e outro país e fazer as várias partes do mundo ficarem <em>menos</em>, e não mais, dependentes uma da outra quanto a alimentos e bens manufaturados. Isso não é um resultado da guerra. As mesmas tendências vinham atuando desde 1918, embora tenham se intensificado após a <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="''Depressão Mundial'', ''Grande Depressão'' ou ''Crise de 1929'': grande crise financeira que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930.">Depressão Mundial</span>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, tomem-se as viagens. No século XIX algumas partes do mundo eram inexploradas, mas quase não havia restrição a viagens. Até 1914 não se precisava de um passaporte para nenhum país, exceto a Rússia. O migrante europeu, se conseguisse arranjar umas poucas libras para a passagem, simplesmente embarcava para a América ou a Austrália, e quando lá chegava não lhe faziam perguntas. No século XVIII era quase normal e seguro viajar para um país com o qual seu próprio país estava em guerra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nossa época, no entanto, viajar tem se tornado cada vez mais difícil. Vale a pena listar as partes do mundo que já eram inacessíveis antes de a guerra começar.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/3uADscm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="311" height="480" class="wp-image-8165" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/05/OQueEFascismoEOutrosEnsaios.jpg" alt="Capa do livro: &quot;O que é fascismo? E outros ensaios&quot;, escrito por George Orwell."></a>Em primeiro lugar, toda a Ásia Central. Com exceção talvez de uns pouquíssimos comunistas comprovados, nenhum estrangeiro entrou na Ásia soviética já faz muitos anos. O Tibete, graças ao ciúme entre Inglaterra e Rússia, tem se mantido fechado desde cerca de 1912. <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Xinjiang: Noroeste da China.">Sinkinang</span>, em tese parte da China, é igualmente inatingível. Depois todo o Império japonês, exceto o próprio Japão, foi quase barrado a estrangeiros. Nem mesmo a Índia tem sido tão acessível desde 1918. Muitas vezes passaportes foram recusados até para súditos britânicos — e em alguns casos até para indianos!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo na Europa os limites para viajar estavam constantemente se estreitando. A menos que fosse para uma visita curta, era muito difícil entrar na Inglaterra, como descobriram tantos alquebrados refugiados antifascistas. Vistos para a URSS eram emitidos com bastante relutância a partir de 1935. Todos os países fascistas se fechavam a qualquer um em cujos registros constasse ser antifascista. Havia muitas áreas que só se podiam atravessar com a condição de não descer do trem. E ao longo de todas as fronteiras existiam cercas de arame farpado, metralhadoras e rondas de sentinelas, frequentemente usando máscaras antigás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à migração, tinha quase desaparecido desde os anos 1920. Todos os países do Novo Mundo fizeram o que era possível para manter imigrantes afastados, a menos que trouxessem com eles consideráveis somas de dinheiro. A imigração japonesa e chinesa para as Américas havia cessado completamente. Os judeus da Europa foram obrigados a ficar e ser chacinados porque para eles não havia para onde ir — no caso dos <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Pogrom: perseguição deliberada de um grupo étnico ou religioso, aprovado ou tolerado pelas autoridades locais, sendo um ataque violento massivo, com a destruição simultânea do respectivo ambiente.">pogrons</span> tsaristas de quarenta anos antes, tinham conseguido fugir em todas as direções. Diante de tudo isso, dizer que os métodos modernos de viagem promovem a intercomunicação é algo que simplesmente não posso entender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os contatos intelectuais também diminuíram já há muito tempo. Não faz sentido dizer que o rádio põe as pessoas em contato com países estrangeiros. Se o rádio faz alguma coisa, é exatamente o contrário. Uma pessoa comum jamais ouve uma rádio estrangeira, mas, se em qualquer país um grande número de pessoas sinalizar que o está fazendo, o governo tratará de impedi-las, seja com punições brutais, seja com a apreensão de aparelhos de ondas curtas ou com a instalação de estações que transmitem sinais de interferência. O resultado disso é que toda rádio nacional é um tipo de mundo totalitário em si mesmo, zurrando noite e dia propaganda para pessoas que não têm como ouvir nenhuma outra coisa. Enquanto isso, a literatura fica cada vez menos internacional. A maioria dos países totalitários barra a entrada de jornais estrangeiros e só permite uma pequena quantidade de livros estrangeiros, que são submetidos a uma cuidadosa censura e às vezes são publicados em versões deturpadas. Cartas que circulam de um país a outro habitualmente são adulteradas no meio do caminho. E em muitos países, durante a última dúzia de anos, livros de história têm sido reescritos em termos muito mais nacionalistas do que antes, de modo que as crianças possam crescer com a visão mais falsa possível do mundo lá fora.</p>



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<p class="has-text-align-right img-esquerda wp-block-paragraph"><a href="https://culturadefato.com.br/author/georgeorwell/"><img decoding="async" class="wp-image-8180" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/05/George_Orwell.jpg" alt="George Orwell"></a><br>Escrito por <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="George Orwell (1903 – 1950) é pseudônimo do escritor inglês Eric Arthur Blair, autor de distopias memoráveis como ''1984'' e ''A Revolução dos Bichos''."><a href="https://culturadefato.com.br/author/georgeorwell/">George Orwell</a></span> (1903 – 1950).<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Semanário jornalístico do qual em 1943 George Orwell tornou-se editor."><em>Tribune</em></span>, 12 de maio de 1944.<br><br>Este ensaio faz parte da obra: “<a href="https://amzn.to/3uADscm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">O que é o fascismo? E outros ensaios</a>”,<br>publicada pela <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Companhia das Letras</a>, sob <span data-tooltip="ISBN: International Standard Book Number." data-tooltip-position="top">ISBN</span> 978-8535928891.</p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Nota do editor:</strong><br><br>A imagem associada a esta postagem ilustra recorte de obra criada por Peregrine Heathcote. O artista é conhecido por suas pinturas requintadas que lembram tempos antigos, quando viajar era o auge do luxo. Para mais detalhes (obras e artista), <a href="https://peregrineheathcote.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">clique aqui</a>.</p>



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