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	<title>Juan Ramón Rallo, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Juan Ramón Rallo, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>“É incompreensível um pobre ser de direita!”, diz a esquerda — eis as duas contradições desta frase</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Juan Ramón Rallo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2022 14:10:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia de Esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Ludwig von Mises Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pobreza]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Defender uma política econômica que não atente contra a livre iniciativa — é prejudicial para os pobres? Pobres deveriam votar de acordo com seus interesses diretos, e não de acordo com princípios morais gerais e imparciais?”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/e-incompreensivel-um-pobre-ser-de-direita-diz-a-esquerda-eis-as-duas-contradicoes-desta-frase/">“É incompreensível um pobre ser de direita!”, diz a esquerda — eis as duas contradições desta frase</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre;<br>se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico.”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Lúcio Aneu Sêneca (04 a.C. - 65): Filósofo, escritor, mestre da arte da retórica, membro do senado, questor e magistrado da justiça criminal durante o Império Romano.">Sêneca</span> (04 a.C. – 65).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Quando a esquerda não recebe o apoio eleitoral — ou mesmo espontâneo, como passeatas de rua — daqueles indivíduos cujos interesses ela acredita representar, ela rapidamente se entrega ao discurso arrogante e elitista de que o pobre que não a apoia é “burro”, “ignorante” e “alienado”, pois está indo contra seus próprios interesses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Você próprio pode conferir exemplos práticos disso <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53788197" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">aqui</a>, <a href="https://www.diap.org.br/index.php/noticias/artigos/90155-o-pobre-de-direita-e-a-esquerda-perplexa-um-esclarecimento" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">aqui</a>, <a href="https://www.jornalminuano.com.br/colunas/2020/08/20/a-moralidade-do-pobre-de-direita" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">aqui </a>e <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/a-nova-luta-de-classes-pobres-de-direita-contra-ricos-de-esquerda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica é simples: dado que a esquerda supostamente defende o aumento da tributação sobre os ricos para repassar o dinheiro aos mais pobres — tanto diretamente, via assistencialismo, quanto indiretamente, via educação e saúde “públicas” —, então todo pobre, por definição, tem de apoiar a esquerda, que seria composta por superiores seres abnegados e salvadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que não é toda a esquerda que adota esta postura de desdém geral pelos indivíduos que “não sabem votar”, mas é recorrente encontrar estes tipos nas redes sociais. (E isso é um fenômeno mundial: na Espanha, <a href="https://cadenaser.com/emisora/2021/05/05/sercat/1620202749_061667.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">uma proeminente figura pública recentemente xingou</a> os trabalhadores que não votam na esquerda espanhola).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Duas premissas discutíveis</h3>



<br>



<p class="wp-block-paragraph">Essa afirmação de que um pobre de direita é um tolo — para colocar em tons mais leves — parte de duas premissas extremamente discutíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>primeira premissa</strong> é a de que “ser de direita” — no caso, defender uma política econômica que não atente contra a livre iniciativa — é prejudicial para os pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>segunda premissa</strong> é a de que os pobres deveriam votar de acordo com seus interesses diretos, e não de acordo com princípios morais gerais e imparciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira pergunta é: seria do interesse dos pobres atentar contra a livre iniciativa?</p>



<p class="wp-block-paragraph">No <em>curto prazo</em>, uma política de alta tributação e redistribuição até poderia ser do seu interesse, pois o pobre ganharia renda imediata à custa do confisco do capital que foi imobilizado pelo capitalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No <em>longo prazo</em>, porém, há o alto risco de que o capitalista espoliado deixe de reinvestir esse capital, o que faria com que a economia se descapitalizasse e, consequentemente, fossem reduzidos os investimentos, as contratações e, consequentemente, os salários, o que prejudicaria acima de tudo o mais pobre, que passaria a ter um menor padrão de vida.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://culturadefato.com.br/os-ricos-pobres/"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="511" height="283" class="wp-image-13611" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/10/PapelHigienicoDeOuro.jpg" alt="Papel higiênico de ouro"></a>Capital e trabalho não são necessariamente fatores substitutivos e concorrentes. Ao contrário: eles se complementam e cooperam para se enriquecer mutuamente. Trabalho e capital não são inimigos; são aliados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a segunda premissa acaba se revelando a mais interessante, pois quem a defende nem sequer se dá ao trabalho de analisar as implicações de sua própria postura, a saber: dizer que um pobre tem de votar na esquerda (porque seus interesses são defendidos pela esquerda) significa equiparar moralidade e justiça a interesse próprio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, seria possível que os pobres (ou qualquer outra pessoa de qualquer classe social) agissem não exclusivamente por interesses materiais, mas também por critérios mais gerais e abstratos de justiça e moralidade? Para a esquerda, é impossível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagine um pobre que tenha a opção de roubar a carteira de seu vizinho mais rico sem que ninguém possa descobrir, ou mesmo suspeitar. Deveria este pobre efetuar o roubo? Fazê-lo, sem dúvidas, seria uma demonstração de seu interesse próprio: seu bem-estar material aumentaria à custa do de seu vizinho mais rico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consequentemente, se justiça e moralidade forem sinônimos de interesse pessoal — como afirma a esquerda para o caso eleitoral dos pobres —, então devemos concluir que sim, este pobre deveria roubar a carteira do vizinho. Mais ainda: se ele não o fizer, será um direitista tolo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, tão logo constatamos que a questão da justiça e da moralidade não está restrita a um estrito interesse material egoísta, deveria então resultar de todo compreensível, e sensato, que este pobre declinará de roubar a carteira do vizinho mais rico. Não é que ele seja um direitista tolo; ele é simplesmente uma pessoa íntegra, honesta e justa para com seu vizinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exatamente o mesmo raciocínio se aplica ao pobre que se opõe a espoliar, por meio do estado, os empresários ou os ricos, mesmo quando este esbulho poderia lhe redundar em um benefício social de curto prazo: quem se opõe a algo que o beneficia porque acredita ser injusto não é um tolo direitista, mas sim uma pessoa que coloca suas convicções à frente de seu interesse próprio. Consequentemente, toda a sociedade está melhor por conviver com uma pessoa íntegra e honesta.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Para concluir</h3>



<br>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que podemos debater se tais convicções são reais ou se, como parece acreditar a esquerda, derivam de uma falsa consciência da realidade ou de uma falsa “<a href="https://www.mises.org.br/article/3271/a-ironia-da-consciencia-de-classe-marxista%E2%80%94no-fim-a-tese-de-marx-e-comicamente-contraditoria" target="_blank" rel="noreferrer noopener">consciência de classe</a>”. No entanto, mesmo nestes casos, o pobre que não vota na esquerda estaria sobrepondo seu ideal imparcial de justiça a seus interesses egoístas — algo que não deveria ser criticado, mas sim aplaudido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de insultar os pobres que não se mostram atraídos pela ideia de esbulhar terceiros para repartir o botim, a esquerda deveria tentar persuadi-los da superioridade de suas ideias e valores (os quais têm sido rechaçados).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desdém, neste caso, diz muito mais a respeito do desdenhador do que do desdenhado.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Escrito por <a href="https://www.mises.org.br/SearchByAuthor.aspx?id=334&amp;type=articles" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Juan Ramón Rallo</a>.<br>Publicado originalmente em  3 de outubro de 2022 no <em>website</em> do <a href="https://www.mises.org.br/Default.aspx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Mises Brasil</a>.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Trecho do Muro de Berlin grafitado por Kani Alavi.</p>



<br>
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