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	<title>Nelson Ribeiro Fragelli, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Nelson Ribeiro Fragelli, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>Breve história do blue jeans</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nelson Ribeiro Fragelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2020 17:32:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Schober]]></category>
		<category><![CDATA[Blue Jeans]]></category>
		<category><![CDATA[Calça com Rebites]]></category>
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		<category><![CDATA[Revista Catolicismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O <em>blue jeans</em> surgiu no mundo operário. Jakob W. Davis, trabalhador nas minas de Comstock, é reconhecido como o criador das “calças azuis rebitadas”. Ele criou uma roupa resistente usando o mesmo tecido das tendas de acampamento.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.</em>”,<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="George Orwell é pseudônimo de Eric Arthur Blair.">George Orwell</span> (1903 – 1950): escritor inglês.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">O jornalista <span data-tooltip="George Frederick Will nasceu em 4 de maio de 1941 em Champaign (Illinois - EUA). É jornalista, escritor e colunista estadunidense, além de vencedor do ''Prêmio Pulitzer''." data-tooltip-position="top">George F. Will</span>, do “Washigton Post”, publicou em 16 de abril de 2009 o artigo <span data-tooltip="O demônio do ''blue jeans''." data-tooltip-position="top"><em>Demon denim</em></span>. Analisa a influência exercida pelo <em>blue jeans</em> sobre quem o usa; e também sobre quem a ele se conforma, mesmo sem usá-lo.</p>



<p>George Will cita uma recente colaboração do escritor norte-americano <span data-tooltip="Nasceu em 25 de maio de 1960 em New York (EUA). Foi indicado para o ''Prémio PEN/Faulkner'' de Ficção." data-tooltip-position="top">Daniel Akst</span>, publicada pelo “Wall Street Journal”, segundo o qual o <em>blue jeans</em> é sinal da profunda contradição de um aspecto da sociedade ocidental, sobretudo da burguesia:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Como é possível que a burguesia se vista de um modo que não representa o que ela é? Esse modo igualitário de vestir representa para os norte-americanos, ora o uniforme infantil da nação, ora os paramentos sacerdotais dos sequazes do catecismo democrático que prega a igualdade entre todos”.</p></blockquote>



<p><em>Demon denim</em> mostra o efeito nivelador e igualitário do <em>jeans</em>. E Daniel Akst, com a clarividência habitual de sociólogos norte-americanos, termina afirmando, de modo admirável, a existência de uma linha direta entre a <span data-tooltip="Evento decisivo para o início da Revolução Francesa de 1789. A Bastilha era uma velha fortaleza construída em 1370, utilizada pelo regime monárquico como prisão de criminosos comuns." data-tooltip-position="top">queda da Bastilha</span> e o <em>blue jeans</em>.</p>



<p>Que linha direta é esta entre um acontecimento político tão antigo e um modo atual de vestir? Os revolucionários franceses, ao derrubar a Bastilha, proclamavam entre outros erros a igualdade total entre os homens: “<span data-tooltip="Liberdade, igualdade, fraternidade. Foi o lema da Revolução Francesa." data-tooltip-position="top"><a href="https://culturadefato.com.br/liberte-egalite-fraternite-o-carvalho/">Liberté, égalité, fraternité</a>” </span>. Visto que o <em>blue jeans</em> tornou-se um uniforme, “<em>um modo igualitário de vestir</em>”, Akst viu logo que linha é essa.</p>



<br>



<h4 class="wp-block-heading">As “calças azuis”: origem no ambiente operário</h4>



<p>O <em>blue jeans</em> surgiu no mundo operário. <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Jacob_W._Davis" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Jakob W. Davis</a>, trabalhador nas minas de Comstock, em Nevada (Estados Unidos), é reconhecido como o criador das “calças azuis rebitadas”, no fim dos anos 60 do século XIX. Ele criou uma roupa resistente usando o mesmo tecido das tendas de acampamento, com um tipo de costura aparente utilizada então para selas e arreios.</p>



<p class="img-direita"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="338" height="450" class="wp-image-3224" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/10/BlueJeansRevolucao.jpg" alt="Mulher representando Revolução por meio do blue jeans">O operário das minas era frequentemente rústico, sem religião, admitindo poucos princípios morais. Colado ao corpo, revelando formas anatômicas, o <em>blue jeans</em> teve desde o início uma expressão de força do trabalho e de juventude sexualmente ativa. A revolução sexual, portanto, estava presente em suas formas. A partir de 1935 a propaganda passou a apresentar também mulheres vestidas com <em>blue jeans</em>.</p>



<p><a href="http://www.annaschober.com/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Anna Schober</a> é doutora em Filosofia, escreve sobre História da Arte e vive em Viena. Publicou recentemente os resultados de sua investigação sobre as calças azuis, num volume intitulado <span data-tooltip="Vida, tecidos e modelos." data-tooltip-position="top"><em>Vom Leben in Stoffen und Bildern</em></span>. Surpreendeu-a a constatação de que a história dessa calça é a de um imenso esforço publicitário para impor uma moda: o <em>blue jeans</em>. O processo da difusão das calças azuis se confunde com a história das técnicas de propaganda religiosa e ideológica, através de programas radiofônicos, filmes, revistas, painéis publicitários. Num desses painéis, de 1946, aparece Marilyn Monroe vestindo<em> blue jeans</em>, já com o ventre à mostra — moda que só se fixaria 50 anos mais tarde.</p>



<p>O esforço da propaganda obteve resultado. A calça com rebites deixou o mundo do trabalho e tornou-se símbolo de grupos sociais. Nenhuma outra peça indumentária foi, no século XX , tão propalada; a tal ponto que, em certo momento, ela se tornou um dos símbolos do século.</p>



<br>



<h4 class="wp-block-heading">Tendências contraditórias despertadas pelo <em>blue jeans</em></h4>



<p>Qual o efeito psicológico causado pelo <em>blue jeans</em>? Que tendências desperta? Cria ele um ambiente revolucionário? Pesquisas de opinião revelam que as duas primeiras tendências despertadas por essa roupa são: vontade de ser igual a todos e de sumir na massa, tornando-se imperceptível, portanto sendo “como todo mundo”. Entretanto, se esse traje dá a quem o usa a sensação de imperceptibilidade, contraditoriamente causa impressão de notoriedade, ao realçar as formas do corpo.</p>



<p>Inicialmente, durante a fase de lançamento, o <em>blue jeans</em> atraiu os espíritos apaixonados por inovações, em razão da ruptura com o gosto dominante, com a formalidade e com a tradição. Vesti-lo, importava numa crítica radical à sociedade vigente. Imperceptibilidade e proeminência, eis a misteriosa contradição suscitada por essa calça. Ela parece proclamar: “Queres ser diferente? Padroniza-te”.</p>



<p>Ao lado destes dois estímulos psicológicos há um terceiro: ela evoca uma “simpática” proletarização da sociedade. Esse efeito de proletarização requintou-se mais tarde nos modelos sucessivos apresentados pelos fabricantes, primeiramente desbotados e depois rasgados e esfarrapados.</p>



<br>



<h4 class="wp-block-heading"><em>Blue jeans</em>: rumo ao uniforme tribal da sociedade</h4>



<p class="img-direita"><img decoding="async" width="240" height="327" class="wp-image-3225" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/10/GiantBallOfJean.jpg" alt="Bola gigante formada por calças jeans expostas em shopping center.">O modo de trajar, diz <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Plinio_Corr%C3%AAa_de_Oliveira" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Plinio Corrêa de Oliveira</a>, denota uma preferência por certos princípios expressos simbolicamente pelas formas do traje; e as almas são influenciadas muito mais pelos princípios vivos, contidos nos ambientes e nas modas, do que pelas teorias filosóficas expostas nos tratados.</p>



<p>Segundo Anna Schober, o símbolo atua particularmente na vida quotidiana, impregnando os espíritos com o princípio simbolizado. E a idéia que a calça suscita é a proletária, e de um mundo em contradição consigo mesmo. Ela habitua assim as mentalidades ao igualitarismo de sabor marxista e ao absurdo próprio do comunismo.</p>



<p>Os trajes exprimiram infalivelmente, através dos tempos, a mentalidade de quem os criou e usou. A disseminação das “calças americanas” revela um prodigioso processo de despersonalização dos povos. O <em>blue jeans</em> tornou-se um uniforme. Setores inteiros da sociedade passam a se padronizar, levados inicialmente pela rebeldia contra a mediocridade do mundo burguês. De início imposto como a indumentária da era industrial, passou em seguida a evocar o gosto juvenil pela liberdade absoluta. Hoje, sua atração totêmica se exerce sobre todas as idades e o transforma aos poucos no uniforme tribal da sociedade pós-moderna.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://culturadefato.com.br/author/nelsonribeirofragelli/">Nelson Ribeiro Fragelli</a>.<br>Publicado originalmente pela <a href="http://catolicismo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Catolicismo</a> em fevereiro de 2010.</p>



<br>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/breve-historia-do-blue-jeans/">Breve história do blue jeans</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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