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	<title>Otto Lara Resende, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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		<title>Vista cansada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Otto Lara Resende]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Nov 2023 03:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Hemingway]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê.“</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Ouça esta e outras crônica na voz de Ugo Alberto. <a id="ChamadaAoVideo" href="#Video">Link</a> no término deste artigo.</em></p>



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<p class="has-drop-cap">Acho que foi o <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Ernest Miller Hemingway (1899 - 1961), escritor norte-americano. Trabalhou como correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola. Esta experiência inspirou uma de suas maiores obras intitulada: ''Por Quem os Sinos Dobram''.">Hemingway</span> quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Fugiu enquanto pôde do <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="O pai de Hemingway suicidou-se. Sua mãe, Grace, enviou-lhe, pelo correio, a pistola com a qual o seu pai havia se matado.">desespero</span> que o roía – e daquele <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, depressão e perda de memória, na manhã de 2 de julho de 1961, Hemingway tomou um fuzil de caça e disparou contra si mesmo.">tiro brutal</span>.</p>



<p>Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.</p>



<p>Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo <em>hall</em> do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.</p>



<p>Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprido o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.</p>



<p>Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por Otto Lara Resende (1922 &#8211; 1992)</p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa: pintura conceitual a óleo. Para mais detalhes, <a href="https://www.vecteezy.com/photo/22740494-oil-painting-conceptual-abstract-picture-of-the-eye-oil-painting-in-colorful-colors-generate-ai" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">clique aqui</a>.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



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<p><span id="Video"></span>“Vista Cansada”, de Otto Lara Resende na voz de <a href="https://instagram.com/ugo_alberto?igshid=OGQ5ZDc2ODk2ZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Ugo Alberto</a>: <a href="#ChamadaAoVideo"><img decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“Vista Cansada”, de Otto Lara Resende" width="640" height="480" src="https://www.youtube.com/embed/vOqY0XkPq5E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">Ugo Alberto também está presente no Instagram. <a href="https://instagram.com/ugo_alberto?igshid=OGQ5ZDc2ODk2ZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Clique aqui</a> e ouça outras crônicas.</figcaption></figure>



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