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	<title>Roger Scruton, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Roger Scruton, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>Por que a beleza importa?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roger Scruton]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 03:19:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Michelangelo]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Roger Scruton]]></category>
		<category><![CDATA[Transcrição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas responderiam: a Beleza. Depois, a arte concentrou-se em perturbar e quebrar tabus morais.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>O belo é o esplendor da ordem.</em>”,<br>Aristóteles (384 a. C. – 322 a. C.).</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">A única função das poucas linhas deste artigo é a de remetê-lo ao documentário intitulado: <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Por que a beleza importa?"><em>Why Beauty Matters?</em></span> Afinal,já no próximo parágrafo temos transcrições de excertos dos primeiros minutos da fala do <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Roger Scruton: texto e apresentação.">autor</span> e apresentador, <a href="http://www.roger-scruton.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Roger Scruton</a> (1944 &#8211; 2020), renomado escritor e filósofo inglês nascido em 1944, que é autor de diversas obras, incluindo o livro “<a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8580331455/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8580331455&amp;linkCode=as2&amp;tag=culturateca-20&amp;linkId=fa030c85b349f4b92f71f9525e882406" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Beleza</a>”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas teriam respondido: a Beleza. E se você perguntasse pela razão disso, você aprenderia que a Beleza é um valor, tão importante quanto a Verdade e o Bem.</p><p>Depois, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, cada vez mais, concentrou-se em <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Leia o tópico: ''Arte - espetacular receptáculo'', disponível no artigo: ''O que é cultura?''.">perturbar e em quebrar tabus morais</span>. Não era a beleza, mas a originalidade, conseguida por qualquer meio e a qualquer usto moral, que ganhava os prêmios.</p><p>Não apenas a arte fez um culto à feiura; a arquitetura também se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso ambiente físico que se tornou feio. Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas.</p><p style="text-align: center;">• • •</p><p>Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida.</p></blockquote>



<br>



<p class="has-text-align-left has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph">Assista o documentário: <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Por que a beleza importa?"><em>Why Beauty Matters</em>?</span></p>



<div style="position:relative;padding-bottom:56.25%;height:0;overflow:hidden;"> <iframe style="width:100%;height:100%;position:absolute;left:0px;top:0px;overflow:hidden" frameborder="0" type="text/html" src="https://www.dailymotion.com/embed/video/x656ffi" width="100%" height="100%" allowfullscreen > </iframe> </div>



<br>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size wp-block-paragraph">Documentário exibido pela BBC em 28 de novembro de 2009. Equipe: <a href="https://culturadefato.com.br/author/rogerscruton/">Roger Scruton</a> (texto e apresentação); Louise Lockwood (direção); Andrew Lockyer (produtor); e, Andrea Miller (produtora executiva).</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>A foto associada a esta postagem ilustra (com tratamento) a escultura Davi, criada por <strong>Michelangelo</strong> di Lodovico Buonarroti Simon (1475 &#8211; 1564). A obra encontra-se na Galeria da Academia de Belas Artes de Florença em (Florença, Itália).</p>



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		<title>O verdadeiro, o bom e o belo</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/o-verdadeiro-o-bom-e-o-belo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Roger Scruton]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2020 16:02:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Belo]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Excerto de Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Platão]]></category>
		<category><![CDATA[Plotino]]></category>
		<category><![CDATA[Verdadeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aquele que pergunta “por que acreditar no que é verdadeiro” ou “por que desejar o que é bom”, foi incapaz de compreender a natureza do raciocínio. Justificamos crenças e desejos ancorando nossa razão no verdadeiro e no bom.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>Ó beleza! Onde está tua verdade?</em>”,<br>William Shakespeare (1564 – 1616).</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Existe uma ideia encantadora sobre a beleza que remete a <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Nasceu em Atenas em 428 a. C. ou 427 a. C. e faleceu em 348 a. C. ou 347 a. C.">Platão</span> e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Filósofo neoplatônico, nasceu no Egito em 205 e faleceu em 270.">Plotino</span> e que foi incorporada ao pensamento teológico cristão. Segundo ela, a beleza é um valor supremo que buscamos por si só, sem ser necessário fornecermos qualquer motivo ulterior. Desse modo, a beleza deve ser comparada à verdade e à bondade, integrando um trio de valores supremos que justifica nossas inclinações racionais. Por que acreditar em <em>p</em>? Porque <em>p</em> é verdadeiro. Por que desejar <em>x</em>? Porque <em>x</em> é bom. Por que comtemplar <em>y</em>? Porque <em>y</em> é belo. De certo modo, declararam esses filosófos, tais respostas estão no mesmo plano: cada qual traz um estado de espírito ao âmbito da razão, vinculando-o a algo que nós, sendo seres racionais, buscamos naturalmente. Aquele que pergunta “por que acreditar no que é verdadeiro” ou “por que desejar o que é bom” foi incapaz de compreender a natureza do raciocínio. Ele não percebe que, para justificarmos nossas crenças e desejos, nossa razão deve estar ancorada no verdadeiro e no bom.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8580331455/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8580331455&amp;linkCode=as2&amp;tag=culturateca-20&amp;linkId=fa030c85b349f4b92f71f9525e882406" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><img decoding="async" width="138" height="208" class="size-full wp-image-5688 alignright" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Beleza.jpg" alt=""></a>O mesmo, então, se aplicaria à beleza? Se alguém me pergunta por que me interesso por <em>x</em>, “porque <em>x</em> é belo” seria uma resposta definitiva, isto é, uma resposta imune a qualquer contra-argumento – a exemplo de um “porque é bom” e um “porque é verdadeiro”? Afirmar que sim é negligenciar a natureza subversiva da beleza. Alguém que se veja encantado por determinado mito pode se sentir tentado a crer nele; nesse caso, a beleza é inimiga da verdade (<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Abreviação de conforme.">cf.</span> <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Píndaro de Cinoscefale ou Píndaro de Beozia (518 a.C., Tebas – 438 a.C., Argos): poeta grego.">Píndaro</span>, <a href="http://primeiros-escritos.blogspot.com.br/2014/11/primeira-ode-olimpica-pindaro-traducao.html" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Primeira Ode Olímpica</em></a>: “A beleza, que dá ao mito aceitação, faz do incrível crível”). Um homem atraído por uma mulher pode sentir-se tentado a perdoar seus vícios, e nesse caso a beleza é inimiga da bondade (<span data-tooltip-position="bottom" data-tooltip="Abreviação de conforme.">cf.</span> <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Antoine François Prévost (1697 — 1763) foi um escritor francês.">Abade Prévost</span>, <a href="https://www.wdl.org/pt/item/15522/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Manon Lescaut</em></a>, em que a ruína moral do Cavaleiro des Grieux é causada pela bela Manon). A bondade e a verdade, supomos, jamais rivalizam, e a busca de uma é sempre compatível com o respeito que se deve à outra. A busca da beleza, por outro lado, é muito mais questionável.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Excerto do tópico “O verdadeiro, o bom e o belo”, do <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Julgando a beleza">primeiro capítulo</span> da obra: “Beleza”, de <a href="https://culturadefato.com.br/author/rogerscruton/">Roger Scruton</a>.<br>Publicado por <a href="http://www.erealizacoes.com.br/home" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É Realizações</a>, sob <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="ISBN: International Standard Book Number.">ISBN</span>: 978-85-8033-145-5.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph"><strong>Nota do editor:</strong><br><br>A ilustração associada a este artigo origina-se da pintura “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Nascimento_de_V%C3%AAnus" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">O nascimento de Vênus</a>” (1483), obra de Sandro <a href="https://educacao.uol.com.br/biografias/sandro-botticelli.htm" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Botticelli</a> (1445 – 1510). <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/artes_e_literatura/2020/ONascimentoDeVenusSandro-Botticelli_Grande.jpg" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Clique aqui</a> para visualizá-la em tamanho maior.</p>



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<hr class="wp-block-separator"/>



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<p class="wp-block-paragraph">Assista ao documentário escrito por Roger Scruton, “<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Por que a beleza importa?"><em>Why Beauty Matters?</em>”, </span>o qual foi apresentado pela primeira vez em 28 de novembro de 2009 pela <a href="http://www.bbc.co.uk/programmes/b00p6tsd" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">BBC</a>.</p>



<div style="position:relative;padding-bottom:56.25%;height:0;overflow:hidden;"><iframe style="width:100%;height:100%;position:absolute;left:0px;top:0px;overflow:hidden" frameborder="0" type="text/html" src="https://www.dailymotion.com/embed/video/x656ffi" width="100%" height="100%" allowfullscreen ></iframe></div>



<br>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size wp-block-paragraph">Documentário exibido pela BBC em 28 de novembro de 2009. Equipe: <a href="https://culturadefato.com.br/author/rogerscruton/">Roger Scruton</a> (texto e apresentação); Louise Lockwood (direção); Andrew Lockyer (produtor); e, Andrea Miller (produtora executiva).</p>



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<br>



<p class="wp-block-paragraph">Sumário da obra:</p>



<ol class="wp-block-list"><li><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Esta postagem origina-se de excerto do tópico: ''O verdadeiro, o bom e o belo'', associado a este capítulo.">Julgando a beleza</span></li><li>A beleza humana</li><li>A beleza natural</li><li>A beleza cotidiana</li><li>A beleza artística</li><li>Gosto e ordem</li><li>Arte e erõs</li><li>A fuga da beleza</li><li>Reflexões finais</li></ol>



<br>
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		<item>
		<title>Acenando, não se afogando!</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/acenando-nao-se-afogando/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Roger Scruton]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2020 16:24:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Sem Máscara]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Politicamente Correto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nossa tarefa agora é menos política que cultural. Para os jovens, a armadilha já foi preparada e, não há nenhuma maneira, temo eu, de destruí-la completamente. Ela é feita pela engenhosidade humana e fisgada com nossos próprios desejos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<em>O passado não é o que passou. É o que ficou do que passou.</em>”,<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde. Foi crítico literário e polígrafo. Ocupou a Cadeira 40 da ABL (Academia Brasileira de Letras).">Alceu Amoroso Lima</span> (1893 – 1983).</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Quando o regime de auto-policiamento da moralidade se quebra, o Estado deve assumir o comando da bagunça e resgatar as vítimas – tanto as vítimas passivas, como os órfãos de relações casuais, como as vítimas voluntárias que escolheram a dependência do Estado como a opção mais fácil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa situação, muitos conservadores tendem a culpar o <em>establishment</em> liberal, que tem dedicado muita energia para minar as normas morais e instituições. Mas, embora as idéias tenham conseqüências, as idéias são também conseqüências de outras coisas. A desmoralização da sociedade é o efeito de muitas causas e apenas algumas pertencem ao campo das idéias. Paz prolongada, abundância sem precedentes, mobilidade social, métodos contraceptivos, drogas e estimulantes – tudo isso tem um efeito previsível no enfraquecimento dos laços da sociedade. E a essas famosas tentações devemos acrescentar os efeitos da tecnologia recente: os cérebros humanos agora estão saturados por mensagens efêmeras, enquanto as relações humanas foram transferidas do mundo real para o virtual. O amor sexual é conhecido por alterar seu posicionamento e estilo, mas entramos em uma nova situação em que grande parte deste amor ocorre na esfera dos sinais eletrônicos. Nós não devemos nos surpreender quando esse amor virtual, muitas vezes, se parecer com ódio. O espaço virtual é mercurial, demoníaco, um espaço de transformações que não podemos controlar. Ao viver com os olhos fixos nesse espaço, você adquire uma mentalidade que não tem precedente real nos anais da humanidade. Os jovens, portanto, acham difícil visualizar o futuro como algo pelo que são responsáveis, e que os obriga a fazer sacrifícios em seu nome.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os problemas que enfrentamos não podem ser resolvidos pela filosofia, uma vez que eles são mais profundos do que pensamos. Mesmo que derrotemos os liberais num debate, refutando satisfatoriamente os argumentos labirínticos de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="John Rawls (1921 - 2002): professor norte-americano de filosofia política na Universidade de Harvard.">Rawls</span> e os desafios espertinhos de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Ronald Myles Dworkin (1931 - 2013): filósofo, jurista e estudioso do direito constitucional (note-americano).">Dworkin</span> e companhia, não conseguimos mudar o que é mais importante para nós. Sem dúvida, era perfeitamente razoável para os conservadores, na época do <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="O ''New Deal'' foi o nome dado à série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana."><em>New Deal</em></span>, alertar contra o crescimento do poder do Estado e a erosão da responsabilidade individual. Olhando para trás, podemos sentir a força de seus argumentos e reconhecer que há muita verdade no que diziam. Mas também temos de reconhecer que os argumentos conservadores não fizeram diferença, assim como os argumentos de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Friedrich August von Hayek (1899 - 1892): economista e filósofo austríaco, posteriormente naturalizado britânico.">Hayek</span> na Grã-Bretanha pós-guerra – tão manifestamente superiores em poder e alcance aos argumentos de figuras insignificantes como <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Harold Joseph Laski (1893 - 1950): cientista político e importante líder do Partido Trabalhista Britânico. Nasceu na cidade de Manchester (Reino Unido).">Harold Laski</span>, que despacharam Hayek para a América – não fizeram nenhuma diferença. O poder do Estado continuou a crescer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim é a situação hoje. O Estado aumenta e a responsabilidade individual diminui, independentemente se liberais, socialistas ou conservadores estão no governo; independentemente do legado social e político e independentemente de qual facção intelectual parece estar ganhando a batalha de idéias.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph">Além disso, devemos reconhecer que este processo não é estritamente um fenômeno dos países desenvolvidos. A cultura de dependência surgiu simultaneamente na Europa e na América, e a família tradicional se desintegrou por todo o mundo ocidental. O “<a href="https://amzn.to/2YvEVjq" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">declínio do Ocidente</a>” pode não ser o inevitável processo descrito por <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Oswald Arnold Gottfried Spengler (1880 - 1936): historiador e filósofo alemão.">Spengler</span> em um famoso livro de 1918 de mesmo título. Mas certamente não é um processo que pode ser ligado a qualquer nação em particular ou a qualquer forma de política nacional. Também não é um processo restrito ao campo das idéias ou facilmente desviado pela afirmação dos valores tradicionais contra a alternativa liberal.</p>



<p class="img-direita wp-block-paragraph"><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8530935888/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8530935888&amp;linkCode=as2&amp;tag=culturateca-20&amp;linkId=3c7a605d13027c73501364101462b359" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><img loading="lazy" decoding="async" width="201" height="403" class="wp-image-2139" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/09/DecadenciaOcidente.jpg" alt="Capa do livro: &quot;A Decadência do Ocidente: Esboço de uma Morfologia da História Universal&quot;, escrito por por Oswald Spengler. ISBN-13 : 978-8530935887"></a>Além disso, a expansão do Estado em todas as áreas de nossas vidas e a contração constante da esfera da responsabilidade pessoal têm produzido uma nova ordem das coisas – que torna muito difícil para nós, conservadores nos comunicarmos com aqueles que esperamos influenciar. Assim, muitos dos nossos argumentos e <em>insights</em> dependem da velha ordem da virtude, dos velhos pressupostos morais, e da velha concepção do ser humano como um agente livre e responsável. Contudo, as coisas velhas passaram, e nós pareceremos tolos se não reconhecermos o fato. Não é apenas que a sociedade mudou, o ser humano mudou com ela. Nós pertencemos à mesma espécie de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Homero (928 a. C. - 898 a. C.): poeta épico da Grécia Antiga.">Homero</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="São Tomás de Aquino (1225 - 1274): filósofo italiano da idade média.">Aquino</span> e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Wolfgang Amadeus Mozart (1756 - 1791): compositor austríaco do período clássico.">Mozart</span>, mas também somos produtos da interação social e mudamos a nossa natureza de acordo com o contexto em que nós crescemos. As nossas sociedades são agora radicalmente diferente daquelas observadas por <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Edmund Burke (1729 - 1797): filósofo, teórico político e orador irlandês, membro do parlamento londrino pelo ''Partido Whig''.">Burke</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Conde Joseph-Marie de Maistre (1753 - 1821): escritor, filósofo, diplomata e advogado francês.">Maistre</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Alexis-Charles-Henri Clérel (1805 - 1859): pensador político, historiador e escritor francês.">Tocqueville</span>, e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 - 1831): filósofo alemão.">Hegel</span>, e os pensamentos desses grandes homens, independentemente do seu valor intelectual, não nos permitirá construir uma política conservadora adequada às nossas necessidades atuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos que aceitar que não é mais possível governar os jovens pelos métodos usados para governar e influenciar os jovens da minha geração. Exortação, exemplo, as histórias de santos e heróis, a vida de humildade, sacrifício, penitência e oração – todas essas influências morais têm pouca ou nenhuma importância para eles. E, embora de vez em quando eles se deparem com obstáculos, e talvez experimentem o amor verdadeiro, o ciúme real, verdadeiro medo e tristeza real, essas emoções não estão disponíveis para eles nas doses regulares e circunstâncias previsíveis que estavam disponíveis para nós.</p>



<figure class="wp-block-pullquote alignright"><blockquote><p>“<em>A Cultura Ocidental é criação do Cristianismo. Retire o Cristianismo e o que sobra de Dante, Chaucer, Shakespeare, Racine, Victoria, Bach, Titian, Tintoretto…?</em>”</p><cite>Roger scruton (1944 &#8211; 2020)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">ENTÃO O QUE OS CONSERVADORES DEVIAM FAZER? Este é o último dos meus artigos regulares para <a href="https://spectator.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>The American Spectator</em></a>, então deixe-me concluir esse período feliz da minha vida com algumas observações para uso futuro. Ao que me parece, o nosso trabalho consiste no que <span data-tooltip-position="~right" data-tooltip="Platão (428 ou 427 a. C. - 348 ou 347 a. C.): filósofo da Grécia Antiga.">Platão</span> chamou anamnese – a derrota do esquecimento. Não podemos pedir aos jovens que vivam como vivíamos ou valorizem o que valorizávamos. Mas podemos encorajá-los a ver do ponto de vista de como vivemos, e reconhecer que a <a href="https://culturadefato.com.br/qual-e-a-natureza-da-liberdade-humana/">liberdade sem responsabilidade</a> é, no final, um ativo vazio. Podemos contar-lhes histórias das antigas virtudes e ampliar sua simpatia com um mundo em que o sofrimento e sacrifício não eram as coisas puramente negativas como são representados pela cultura do consumo, mas uma parte imóvel de qualquer felicidade duradoura. Nossa tarefa, em outras palavras, é agora menos política do que cultural – uma educação da simpatia, que exige de nós virtudes (como a imaginação, a criatividade, e um respeito pela alta cultura) que têm um lugar diminuto no mundo da política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que devemos fazer o nosso melhor para controlar o crescimento do Estado e tornar mais difícil a dependência sob sua expansão constante. Devemos procurar, por quais vias remanescentes, reconstruir o nosso sistema de ensino com conhecimento em vez de “auto-estima” como produto. Há uma centena de pequenas formas que podemos ajudar a próxima geração a não cair completamente na armadilha que está sendo preparada. Mas não há nenhuma maneira, temo eu, de destruir completamente essa armadilha. Ela é construída pela engenhosidade humana e fisgada com nossos próprios desejos.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Escrito por <a href="https://culturadefato.com.br/author/rogerscruton/">Roger Scruton</a> (1944 &#8211; 2020).<br>Escrito para o <em>website</em> <a rel="noreferrer noopener nofollow" href="https://spectator.org/" target="_blank"><em>The American Spectator</em></a>, em julho de 2012.<br>Titulo original: <em>Waving, Not Drowning</em>. Tradução de Augusto Peretti Barrozo.<br>Publicado inicialmente no <em>website</em> <a href="https://midiasemmascara.net/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Sem Máscara</a>, em 10 de outubro de 2012.</p>



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