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	<title>Bruno Garschagen, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Bruno Garschagen, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>O liberalismo como ideologia ou como conjunto de ideais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Garschagen]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 23:09:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Quando o liberalismo é convertido numa ideia perfeita, capaz de responder a todas as perguntas com uma única resposta correta, transforma-se numa ideologia utópica similar às outras a que deveria combater ou servir de contraponto.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/o-liberalismo-como-ideologia-ou-como-conjunto-de-ideais/">O liberalismo como ideologia ou como conjunto de ideais</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado,</em><br><em>inclusive os valores morais e humanitários.</em>”<br>Olavo de Carvalho (1947 &#8211; 2022)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">O liberalismo é uma ideologia ou um conjunto de ideias úteis para lidar com questões sociais, políticas e econômicas? Ou o liberalismo é a conjugação de ambos?</p>



<p>Os liberais brasileiros estão inaugurando a segunda fase do liberalismo dos anos 2000. Primeiro, foi a descoberta das ideias. Agora, a tentativa de enquadrar-se em alguma derivação: liberalismo clássico, liberalismo austríaco, anarco-capitalismo etc.. Desenvolve-se neste momento, quase que exclusivamente pela internet, um debate no qual o interesse e a boa vontade muitas vezes são suplantados pela ausência de sensatez e pela falta de estudo dos temas em questão.</p>



<p>Pelas listas privadas de discussão, redes sociais, sites de organizações e <em>blogs</em>, os liberais têm lidado com o conjunto de ideias como se fosse um brinquedo novo que ainda não se aprendeu a usar, seja por falta de leitura do manual, seja por uma certeza ligeira de que se compreendeu a parte substantiva do pensamento e se podem construir certezas inabaláveis desde assuntos mais simples às questões mais complexas.</p>



<p>Quando o liberalismo é convertido numa ideia perfeita, capaz de responder a todas as perguntas com uma única resposta correta, transforma-se numa ideologia utópica similar às outras a que deveria combater ou servir de contraponto. Qual a diferença entre uma ideologia que confere ao indivíduo ou ao mercado o estatuto de infalibilidade e perfeição, e uma outra que confere a mesma infalibilidade ao partido, ao líder ou ao proletariado?</p>



<p>Se o mercado é conduzido pelos indivíduos, só se depositam todas as fichas no funcionamento ideal do mercado se se acredita na atuação perfeita dos seres humanos. O entendimento de que o ser humano agirá sempre de forma ordenada e eficiente desde que livre da intervenção de terceiros (pelo estado ou qualquer poder centralizado) advém da certeza de que o indivíduo é perfeito e só não age plenamente porque constrangido ou coagido. A questão de fundo é uma ideia de perfeição que conduz a soluções fáceis e igualmente inaplicáveis. Fico sempre impressionado com a quantidade de gênios que aparecem publicamente expondo a chave da compreensão humana e social.</p>



<p>É legítimo compreender e defender o liberalismo como um conjunto de ideais que oferecem respostas adequadas (e não uma única resposta) a determinados problemas. É perigoso e estúpido defender as ideias liberais como uma ideologia capaz de salvar todos os seres humanos ou, pior, capaz de aperfeiçoá-los segundo um plano ideal de sociedade ou de modo de vida.</p>



<p>O utopismo revolucionário não é uma exclusividade de socialistas e comunistas. A certeza de que basta destruir o que existe (estado, instituições etc.) para florescer uma nova sociedade é uma estrada rumo ao cinismo ou ao caos. Por ser a diferença um traço distintivo dos seres humanos, é impossível ignorar a diversidade e apresentar uma solução absoluta, que terá, necessariamente, de ser imposta. A história do século XX é um exemplo concreto e recente dos resultados de décadas de fermentação ideológica revolucionária.</p>



<p>Quais são as implicações de pensar e de aplicar o pensamento liberal de acordo com um receituário ideológico ou segundo um conjunto de ideias úteis para lidar com questões políticas e econômicas? É a discussão que pretendo desenvolver nos próximos ensaios.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por&nbsp;<a href="https://culturadefato.com.br/author/brunogarschagen/">Bruno Garschagen</a>.<br>Publicado originalmente no extinto <em>website</em> ordemlivre.org.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em><a href="https://www.dailyartmagazine.com/liberty-leading-the-people/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">A Liberdade guiando o povo</a></em>” (1830), por <a href="https://www.suapesquisa.com/biografias/delacroix.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Ferdinand Victor Eugène Delacroix</a> (1798 – 1863).</p>



<br>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Leia também:</h2>



<br>



<section id="gma7ef691" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gma7ef691 gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="2" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="2">
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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/por-que-nao-sou-liberal/">Por que não sou liberal</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/olavodecarvalho/">Olavo de Carvalho</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><a href="https://culturadefato.com.br/liberais-e-conservadores/"><em>Liberais e conservadores</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/gustavocorcao/">Gustavo Corção</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><a href="https://culturadefato.com.br/a-essencia-do-conservadorismo/"><em>A essência do conservadorismo</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/russellkirk/">Russell Kirk</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><a href="https://culturadefato.com.br/o-profeta-tocqueville/"><em>O profeta Tocqueville</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/williamhchamberlin/">William Henry Chamberlin</a></p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
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		<title>República do Brasil: maculada por mentiras!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Garschagen]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 06:01:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Não compreendo a celebração da mentira que se convencionou chamar de “proclamação da república”. Porque a república presidencialista no Brasil foi imposta em 15 de novembro de 1889 com um golpe militar.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Talvez o Brasil já tenha acabado e a gente não tenha se dado conta disso.</em>”,<br>Paulo Francis (1930 – 1997).</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Não compreendo a celebração da mentira que se convencionou chamar de “proclamação da república”. Porque a república presidencialista no Brasil foi imposta em 15 de novembro de 1889 com um golpe militar que derrubou a Monarquia Parlamentar Constitucional.</p>



<p>Desde lá, tivemos <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_presidentes_do_Brasil" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><span data-tooltip="Este artigo foi originalmente publicado no 'Facebook' do autor, em 15 de novembro de 2017." data-tooltip-position="top">34 presidentes</span></a> e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/História_da_Constituição_do_Brasil" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">sete constituições</a>. Assim como voltaria a acontecer em 1964, o golpe militar contou com o apoio das elites militar, política, econômica e intelectual. Diz-se que naquele 15 de novembro de 1889 o Brasil dormiu monarquista e acordou republicano. Era melhor o país não ter dormido.</p>



<p>Encerrava, assim, com imerecida desonra, a nossa Monarquia, que em três ocasiões (1834, 1837, 1881) reformou o seu modelo político para se adequar aos desafios da época e estava prestes a realizar a quarta reforma, com o <span data-tooltip="Gabinete Ouro Preto: ministério formado pelo Partido Liberal em 7 de junho de 1889 e dissolvido em 15 de novembro do mesmo ano. Foi chefiado por Afonso Celso de Assis Figueiredo (Visconde de Ouro Preto), sendo o 32º e último gabinete do Império do Brasil, pois foi interrompido pela Proclamação da República." data-tooltip-position="top">Gabinete Ouro Preto</span>, quando foi derrubada.</p>



<p>A república nasceu, portanto, maculada. Fruto de um golpe militar, jamais conseguiu superar as virtudes construídas pela nossa Monarquia e as vicissitudes de sua origem jacobina. Com a república, o que era ruim não era novo, e o que era novo virou tragédia.</p>



<p>A história da república presidencialista brasileira é, também, uma sucessão de golpes e do desenvolvimento de uma tradição política autoritária. A república começou com duas ditaduras (<span data-tooltip="Manuel Deodoro da Fonseca (1827 - 1892): militar, político e proclamador da República. Foi o primeiro presidente do Brasil, governou entre 1889 e 1891." data-tooltip-position="top">Deodoro da Fonseca</span> e <span data-tooltip="Floriano Vieira Peixoto (1839 - 1895): militar e político. Foi o primeiro vice-presidente do Brasil (ocupou o cargo entre 1889 e 1891), durante o governo de Marechal Deodoro." data-tooltip-position="top">Floriano Peixoto</span>). A República Velha terminou em estado de sítio seguido de um golpe militar. A <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Era_Vargas" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Era Vargas</a> começou com um golpe eufemisticamente chamado de “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolução_de_1930" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Revolução de 1930</a>” e sediou um golpe dentro do golpe em 1937, eufemisticamente batizado de “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Brasil)" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Estado Novo</a>”, que de “novo” não tinha nem o ditador. Outro golpe ocorreu em 1945 para afastar <span data-tooltip="Getúlio Dornelles Vargas (1882 - 1954): advogado e político brasileiro, foi líder civil da Revolução de 1930." data-tooltip-position="top">Getúlio Vargas</span> do poder e novas eleições foram convocadas. Em 1964, um contragolpe impediu o golpe orquestrado pelas forças ideológicas e políticas que sustentavam o governo de <span data-tooltip="João Belchior Marques Goulart (1919 - 1976): advogado e político (popularmente conhecido como ''Jango''). Foi o 24° presidente do país (governou entre 1961 e 1964)." data-tooltip-position="top">João Goulart</span>. Entre 1964 e 1984, também houve golpes dentro do golpe. Golpe, portanto, não é novidade na história política republicana do Brasil.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://amzn.to/3pvwNhq" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="404" height="387" class="wp-image-4013" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/PareDeAcreditarNoGoverno_BrunoGarschagen.jpeg" alt="Bruno Garschagen com o livro de sua autoria. &quot; Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado&quot;, publicado pela Editora Record sob ISBN-13 : 978-8501103628."></a>Alguns apoiadores do golpe de 1889 perceberam muito cedo o tamanho do problema que ajudaram a criar. O sentimento de muitos que apoiaram a derrubada da Monarquia foi, aliás, semelhante ao expresso pelo jornalista e político <span data-tooltip="Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva (1836 - 1912): conhecido por sua atuação no processo da Proclamação da República. Foi o primeiro ministro das relações exteriores da República (entre 1889 e 1891), e presidente do estado do Rio de Janeiro (entre 1900 e 1903)." data-tooltip-position="top">Quintino Bocaiúva</span>, polemista inveterado, republicano fervoroso. Em carta à <span data-tooltip="Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga (1846 - 1921)." data-tooltip-position="top">Princesa Isabel</span>, Bocaiúva pediu perdão a Deus pelo que fez para o advento da república e se disse surpreso pelo fato de o povo não “<em>ter cortado a cabeça de quantos</em>” como ele que haviam cometido “<em>tão funesto erro</em>“.</p>



<p>A república presidencialista permitiu o crescimento do Estado e do poder do governo e contribuiu decisivamente para esvaziar do imaginário popular o sentido de dever e de responsabilidade existente durante a Monarquia e o substituiu gradualmente pela ação do governo. A consequência foi o aumento do estatismo na elite política e no imaginário popular.</p>



<p>Para impor culturalmente o novo modelo político num país majoritariamente monarquista, os republicanos fizeram tudo o que podiam para destruir quaisquer traços e símbolos públicos e imaginários da Monarquia. Nesse processo, a bandeira foi modificada, diversas datas cívicas foram criadas, tudo foi feito para tentar destruir de cima para baixo a identidade cultural e política monárquica cravada no espírito, no coração e na mente dos brasileiros.</p>



<p>Com isso, os republicanos sepultaram não só a Monarquia Parlamentar Constitucional, mas a parte benéfica de sua experiência de quase sete décadas de Brasil independente, incluindo a tentativa de desenvolver um governo representativo para delimitar o poder de cooptação pelo estado patrimonial. A república destruiu a herança e o espírito de continuidade que fornecia aquilo que <span data-tooltip="Edmund Burke (1729 - 1797): foi um político, filósofo e orador irlandês." data-tooltip-position="top">Edmund Burke</span> chamou de “<em>um princípio seguro de conservação e um seguro princípio de transmissão; sem de todo excluir um princípio de melhoramento</em>”, elementos capazes de manter “<em>a união do passado e do presente, da tradição e do progresso</em>” (“<a href="https://amzn.to/35ygzfv" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Reflexões sobre a Revolução em França</a>”, Tradução de Ivone Moreira, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2015).</p>



<p>Lamentavelmente, nos restou não um legado virtuoso, mas uma infame caricatura criada pela ignorância e a ridicularizarão de um período relevante e fascinante da história brasileira.</p>



<p>Não, não houve “proclamação da república”. Houve golpe. O golpe mais nefasto da história do país e cujas consequências sociais, políticas e econômicas nos afetam até hoje.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por&nbsp;<a href="https://culturadefato.com.br/author/brunogarschagen/">Bruno Garschagen</a>.<br>Publicado originalmente no <a href="https://www.facebook.com/brunogarschagen/?hc_ref=ARSTT0AbFv7b1Qe-4as-XnmJsNzKo8Mx8wHBMF1Ky0TZEnshL1fLQlY07L6N_2f2E1s&amp;fref=nf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Facebook</em> do autor</a>, em 15 de novembro de 2017.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota do editor:</strong><br><br>Imagem de capa: “Proclamação da República” (1893), de <span data-tooltip="Benedito Calixto de Jesus (1853 — 1927): pintor, desenhista, professor, historiador e astrônomo amador brasileiro." data-tooltip-position="top">Benedito Calixto</span>. A pintura (óleo sobre tela) faz parte do acervo da <a href="http://pinacoteca.org.br/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Pinacoteca do Estado de São Paulo</a>.</p>



<br>
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