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	<title>Samuel Gregg, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Samuel Gregg, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>O espectro do cientificismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samuel Gregg]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2020 22:46:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Naturais]]></category>
		<category><![CDATA[Cientificismo]]></category>
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		<category><![CDATA[E. O. Wilson]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria da Evolução]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O método científico nos legou um certo poder sobre os caprichos brutais da natureza. Um efeito colateral destas conquistas foi que alguns começaram a tratar as ciências empíricas como a única forma de raciocínio verdadeiro.</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/o-espectro-do-cientificismo/">O espectro do cientificismo</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros dez.</em>”,<br>George Bernard Shaw (1856 – 1950): dramaturgo e romancista irlandês.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Uma patologia característica de grande parte do pensamento pós-iluminista é frequentemente chamada de “cientificismo”: considerar o método científico a única maneira de conhecer toda e qualquer coisa.</p>



<p>Quase ninguém prescindiria dos progressos materiais à vida humana que as ciências naturais alcançaram. Por meio do método científico, a Idade da Razão nos legou um certo poder sobre os caprichos brutais da natureza. Um efeito colateral destas conquistas foi que alguns começaram a tratar as ciências empíricas como a <em>única</em> forma de raciocínio verdadeiro e o principal caminho para discernir o conhecimento verdadeiro […].</p>



<p>Poucos acadêmicos confessariam estar promovendo o “cientificismo”. Isto é frequentemente uma questão de mentalidade. O elogio de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Francis Bacon (1561 - 1626): político, filósofo, cientista, ensaísta inglês, barão de Verulam e visconde de Saint Alban.">Sir Francis Bacon</span> às ciências naturais em sua obra <a href="https://www.amazon.com.br/Nova-Atl%C3%A2ntida-Instaura%C3%A7%C3%A3o-Francis-Bacon/dp/972441485X/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=IZDGFWZNZ9BP&amp;keywords=francis+bacon&amp;qid=1578880113&amp;s=books&amp;sprefix=francis+ba%2Caps%2C354&amp;sr=1-1" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Nova Atlântida</a> (publicada postumamente) e seu respectivo silêncio a respeito das outras formas de raciocínio cheira a cientificismo. Mais próximo de nosso tempo, o enorme progresso tecnológico e industrial obtido durante o século XIX através de disciplinas como a biologia, química, engenharia e física encorajou uma retórica triunfalista acerca do potencial da ciência de eclipsar todo o resto […].</p>



<p>No dia-a-dia, o cientificismo aparece sempre que se apela à linguagem da ciência como um trunfo no debate. Quando alguém responde a um argumento dizendo “a ciência afirma…”, está frequentemente insinuando que as ciências naturais oferecem o único padrão real de objetividade, fazendo do cientista uma autoridade quase religiosa, a quem todos devem deferência.</p>



<p>O calcanhar de Aquiles do cientificismo é que ele é baseado no que os filósofos costumam chamar de premissa autorrefutável. A verdade da alegação “nenhuma alegação é verdadeira enquanto não puder ser provada cientificamente” não pode, por si mesma, ser provada cientificamente. É preciso empregar outras formas de raciocínio para usar este tipo de argumento. Mas essas são formas de raciocínio que o cientificismo considera irracionais.</p>



<p>Até mesmo a decisão de embarcar na empreitada científica apoia-se em algo que precede o método científico: a convicção racional de que existe a verdade, que nós podemos conhecê-la e, sobretudo, que é bom distinguir entre a verdade e o erro. Nós não nos dedicamos a pesquisas médicas, por exemplo, simplesmente porque queremos saber por que a penicilina mata bactérias. Queremos saber por que a penicilina mata bactérias para que possamos proteger a vida e saúde humanas. A vida humana, pensamos nós, é boa e merecedora de proteção da doença.</p>



<p>Apesar desses graves defeitos do cientificismo, sua aceitação possui dois efeitos na sociedade. Primeiro, acredita-se que qualquer coisa que não seja quantificada é subjetiva, relativa, arbitrária, uma questão de opinião ou um reflexo das emoções. A ideia de Deus, então, é reduzida, na melhor das hipóteses, ao conhecimento das estruturas matemáticas que sustentam a natureza. Isso pode apontar para uma hipótese como a Causa Primeira, proposta por deístas e alguns filósofos gregos. Porém, fora desse enquadramento Deus se torna uma questão de opinião subjetiva e costumes piedosos, ou seja, sem sentido […].</p>



<p class="img-direita"><a href="https://amzn.to/2sHhGsO" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><img decoding="async" class="wp-image-3606" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ReasonFaithWesternCivilization.jpg" alt="Capa da obra: “Reason, Faith, and the Struggle for Western Civilization”, escrita por Samuel Gregg."></a>O segundo efeito do cientificismo é que ele estimula tendências imperialistas nas ciências naturais. Ao invés de rejeitar tudo o que não é quantificável como mera opinião, nós buscamos submeter tudo ao método científico. Um exemplo notável dessa ideia é a utilização da teoria da evolução para explicar a moralidade. A proibição quase universal do incesto, por exemplo, é explicada como uma adaptação evolutiva que impediu a endogamia, aumentando a resistência da espécie humana. Este é um posicionamento descritivo, isto é, uma tentativa de demonstrar como uma regra moral veio a se formar. Mas também pressupõe – uma vez que não se esforça em provar – que nenhum raciocínio ou conhecimento moral é inato aos seres humanos.</p>



<p>Mas a moralidade evolucionária também pode assumir um caráter prescritivo na medida em que define o bem e o mal em termos evolutivos. “Bom” é o que fortalece a espécie. “Mau” é o que enfraquece a espécie. Este pensamento está na base de argumentos morais como aqueles criados pelo movimento eugenista na defesa de práticas como a esterilização compulsória dos deficientes. Bom é o que quer que tenha promovido a melhor reprodução dos mais aptos e limitado a reprodução daqueles menos bem-dotados geneticamente.</p>



<p>O que devemos ter em mente é que a moralidade evolucionária é profundamente cientificista. Ela pretende explicar a moralidade <em>e</em> resolver os problemas morais baseando-se no que alguns cientistas acreditam ter sido descoberto a respeito do desenvolvimento da espécie humana por determinadas ciências. Em 1975, o biólogo <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Edward Osborne Wilson: entomologista americano e biólogo conhecido por seu trabalho com ecologia, evolução e sociobiologia.">E. O. Wilson</span> chegou a sugerir que “é chegada a hora de removermos temporariamente a ética das mãos dos filósofos e a biologizarmos”.</p>



<p>Os problemas de tais posições são diversos. Elas defendem, por exemplo, um tipo de determinismo biológico que nega o livre-arbítrio, e que supostamente incluiria a livre escolha de propor uma teoria científica de tudo, refletir a respeito e responder críticas à teoria. Novamente entramos no domínio das proposições autorrefutáveis.</p>



<p>Ainda pior, nem o cientificismo nem o método científico podem dar respostas coerentes a importantes questões não-científicas, inclusive aquelas criadas pelo progresso das ciências. A física tornou possível o desenvolvimento da energia nuclear. Porém, nem a física nem o método científico podem nos ajudar a decidir se devemos construir usinas nucleares, muito menos se devemos usar armas nucleares.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/lei-do-certo-e-do-errado/"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="398" height="240" class="wp-image-3613" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EstatuaJustica.jpg" alt="Estátua da Justiça"></a>Começamos a perceber, portanto, como o cientificismo, com toda a sua exaltação da razão, subestima irracionalmente a capacidade da razão de conhecer a verdade e de dirigir as decisões do homem para o bem e o justo. Longe de representar a vitória da razão sobre a superstição, o cientificismo é a amputação da razão. Tornamo-nos incapazes de perguntar quais são e quais não são os usos racionais das ciências naturais. O cientificismo nos <em>proíbe</em> de usar a nossa razão para refletir sobre as dimensões filosóficas destas perguntas. Tais questões não são deixadas de lado, elas são suprimidas.</p>



<p>É claro que o cientificismo não consegue impedir que estas perguntas surjam em nossas mentes. Se dizem às pessoas que a razão está limitada às ciências naturais e elas descobrem que tais ciências não conseguem responder a questões importantes, elas tenderão a seguir por um de três caminhos. Alguns tentam construir novos sistemas de compreensão e formulação do mundo de uma maneira que eles consideram científica, enterrando a si próprios ainda mais fundo no <em>bunker</em> do cientificismo. Outros concluem que fora da ciência tudo é relativo. Isso pode levá-los a aceitar a proposição de que a única maneira de tomar decisões é recorrendo a quem quer que possua o maior poder e esteja disposto a utilizá-lo. Um terceiro grupo encontra respostas adotando sistemas de pensamento que exaltam o irracionalismo e a obediência irrefletida a ordens emanadas de autoridades.</p>



<p>E assim nós confrontamos as forças destrutivas que a separação entre fé e razão desencadeou.</p>



<br>



<hr class="wp-block-separator is-style-dots"/>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://culturadefato.com.br/author/samuelgregg/">Samuel Gregg</a>. Traduzido por <a href="https://www.culturadefato.com.br/?s=%22traduzido+por%22+%2B+victor+terra">Victor Terra</a>.<br>Este texto é um excerto do livro: “<em><a href="https://amzn.to/2sHhGsO" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Reason, Faith, and the Struggle for Western Civilization</a></em>”.<br>A publicação original encontra-se disponível em: <a href="https://acton.org/pub/commentary/2019/09/18/specter-scientism" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">https://acton.org/pub/commentary/2019/09/18/specter-scientism</a>.</p>



<p class="has-text-align-right img-esquerda"><img decoding="async" width="105" height="112" class="wp-image-3591" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/SamuelGregg.jpg" alt="Samuel Gregg"><br><a href="https://acton.org/about/staff/samuel-gregg" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Dr. Samuel Gregg</a> é diretor de pesquisas do <a href="https://acton.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>Acton Institute</em></a>. Escreve sobre economia política, história econômica, ética financeira e teoria da lei natural. Possui <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="MA: Master of Arts.">MA</span> em filosofia política da <a href="https://www.unimelb.edu.au/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Universidade de Melbourne</a> e doutorado em filosofia moral e economia política pela <a href="http://www.ox.ac.uk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Universidade de Oxford</a>.</p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color">Leituras recomendadas:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://amzn.to/2sHhGsO" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>Reason, Faith and the Struggle for Western Civilization</em></a> — Dr. Samuel Gregg.</li><li><a href="https://amzn.to/36qfWCE" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>Scientism and Secularism: Learning to Respond to a Dangerous Ideology</em></a> — <span data-tooltip-position="left" data-tooltip="James">J</span>. <span data-tooltip-position="left" data-tooltip="Porter">P</span>. Moreland.</li><li><a href="https://amzn.to/2ZV7CZ2" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Cosmos e Transcendência: Rompendo a Barreira da Crença Cientificista</a> —Wolfgang Smith.</li><li><a href="https://amzn.to/37CFMDD" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Ciência, Religião e Naturalismo</a> — Alvin Plantinga.</li><li><a href="https://amzn.to/37FDq7e" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Os Territórios da Ciência e da Religião</a> — Peter Harrison.</li><li><a href="https://amzn.to/2N0bgvw" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>Can Science Explain Everything?</em></a> — John Lennox.</li></ul>



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