O paradoxo da Inteligência Artificial

Obra: "Man and Machine XVI" (1955), por David Carr (1915 - 1968).

A estupidez real sempre vence a inteligência artificial.
Terry Pratchett (1948 – 2015)



A Inteligência Artificial disponibiliza, para qualquer um que se interessar, imediatamente, todo o conhecimento público existente, e isso pode fazer com que as pessoas fiquem mais “burras”.

É que agindo como uma Grande Mente, a IA oferece respostas rápidas e diretas a qualquer pergunta. Em princípio, isso parece bom, mas pode acabar tendo um efeito colateral terrível: tornar o conhecimento algo trivial e sem valor.

Na história, o conhecimento sempre foi visto como um tesouro de difícil obtenção. Por isso, sempre se estimulou guardá-lo e acumulá-lo. Agora, com a IA tornando-o prosaico, há o risco de ela mitigar o desejo por sua busca e entesouramento.

O efeito disso é a limitação do imaginário, e uma pessoa com o imaginário limitado não é capaz de fazer bom uso da Inteligência Artificial.

Explico: para saber algo sobre a Transnístria, por exemplo, é preciso tê-la em seu imaginário. Se você nada sabe sobre ela, jamais quererá saber algo a respeito dela e não perguntará nada sobre ela; mas se não se perguntar nada, nunca saberá nada sobre ela.

Como se pode, então, saber algo sobre a Transnístria? Por meio das informações extras que se recebe enquanto se pesquisam outros assuntos (como neste texto sobre IA que, agora, despertou sua curiosidade para saber o que é a Transnístria).

O fato é que uma coisa é fazer uma pergunta e receber uma resposta objetiva sobre um tema; outra é pesquisar sobre um tema e receber muito mais informações além dele, preenchendo, assim, boa parte do imaginário.

Se, porém, se perde o impulso para a pesquisa, limita-se o imaginário, e uma pessoa com o imaginário limitado não saberá o que perguntar para a Grande Mente – eis o paradoxo da Inteligência Artificial!

Se, porém, se perde o impulso para a pesquisa, limita-se o imaginário, e uma pessoa com o imaginário limitado não saberá o que perguntar para a Grande Mente – eis o paradoxo da Inteligência Artificial!

Por isso, o desafio da sociedade será manter na consciência das próximas gerações a importância do acúmulo de conhecimento, conservando, assim, o impulso pelo saber, tão necessário para a preservação da inteligência humana.


Por Fabio Blanco.
Publicado no canal do Telegram do autor, em 20 de junho de 2025.
Fabio Blanco também é o responsável pelo portal filosofiaintegral.com.br, e seu wesite fabioblanco.com.br.


Nota da editoria:

Imagem da capa: “Man and Machine XVI” (1955), de David Carr (1915 – 1968).


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