O primeiro presépio da História

Recorte 05: Presépio da Capela de Nossa Senhora da Glória e São Gens, mais conhecida como Capela de Nossa Senhora do Monte, situada em Lisboa, Portugal. A obra data do século XVIII (meados do século de 1700) e é tradicionalmente atribuída ao célebre escultor barroco António Ferreira, um dos mais notáveis mestres portugueses na arte dos presépios.

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível,
e de repente você estará fazendo o impossível.
São Francisco de Assis (1182 – 1226)



O belo costume de armar o presépio para rememorar o nascimento do Menino Jesus nos foi legado por São Francisco de Assis, conforme narra São Boaventura:


“Três anos antes de sua morte, encontrando-se o Santo em Grecio, movido por sua ardente devoção e para excitá-la nos outros, quis celebrar a festa da Natividade do Menino Jesus com toda a pompa e majestade possíveis.

Mas, para que ninguém pudesse tachar essa festa de ridícula novidade, pediu e obteve do Sumo Pontífice licença para celebrá-la.

Em seguida, Francisco fez preparar um presépio; mandou trazer grande quantidade de feno, juntamente com um asno e um boi, dispondo tudo ordenadamente; reuniram-se os religiosos, chamados de diversos lugares; concorreram pessoas do povo, ressoaram vozes de júbilo por todas as partes. E o grande número de luzes e resplandecentes tochas, bem como os cânticos sonoros que brotavam dos peitos simples e piedosos converteram aquela noite num dia claro, esplêndido e festivo.

Iniciou-se, então, a missa solene, na qual Francisco, que oficiava como diácono cantou o Evangelho. Pregou depois ao povo e lhes falou do nascimento do Rei pobre, a quem, quando a Ele se referia, chamava, impulsionado por seu terno amor, o Menino de Belém.

Havia entre os assistentes deste ato um soldado muito piedoso e veraz que, movido pelo amor a Cristo, renunciou à milícia secular e se uniu estreitamente ao servo de Deus. Chamava-se João de Grecio, e assegurou de um modo formal ter visto no presépio, reclinado e dormindo, um Menino extremamente belo, o qual o bem-aventurado Francisco tomou em seus braços, como se docemente o quisesse despertar do sono.

Que tal visão do piedoso soldado é inteiramente certa o afirma não só a santidade de quem a teve, mas também sua veracidade; e a evidenciam os milagres que depois se realizaram. Pois o exemplo de Francisco, mesmo humanamente considerado, tem poder para excitar a fé de Cristo nos corações mais frios. E aquele feno do presépio, cuidadosamente conservado pelo povo, foi um eficaz remédio para curar milagrosamente os animais doentes, e antídoto contra muitas outras espécies de peste. E assim, glorificou o Senhor seu servo com todas estas maravilhas e demonstrou a eficácia de suas orações com prodígios tão evidentes.”


Excerto da obra Legenda de São Francisco de Assis, em
Escritos Completos de San Francisco de Asis y Biografias de sua época. BAC, 1945, pp. 597-598.

Publicado originalmente pela Revista Catolicismo,
em dezembro de 1988.Edição número 456.


Nota da editoria:

A imagem (recorte) da capa retrata o presépio da Capela de Nossa Senhora da Glória e São Gens, mais conhecida como Capela de Nossa Senhora do Monte, situada em Lisboa, Portugal. A obra data do século XVIII (meados do século de 1700) e é tradicionalmente atribuída ao célebre escultor barroco António Ferreira, um dos mais notáveis mestres portugueses na arte dos presépios. Veja mais recortes abaixo:


Detalhes do Presépio da Capela de Nossa Senhora da Glória e São Gens:



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