Paradoxo do amadurecimento: liderar sem abandonar o passado

Obra: "Manhood" (1842), de Thomas Cole (1801 - 1848). Esta é uma das quatro paisagens da sequencia intitulada: "The Voyage of Life".

O essencial é invisível aos olhos.
Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944)

Notas da editoria



Todo processo de evolução pessoal acarreta um sentimento ambíguo: por um lado, a certeza de um amadurecimento, resultado do acúmulo de experiências e conhecimento, por outro, uma sensação de incapacidade de lidar com aspectos triviais da vida.

É muito comum pessoas que alcançam estágios superiores começarem a sentir que as escolhas que elas fizeram em outros momentos, e que faziam muito sentido até ali, já não se encaixam mais nessa nova fase mais amadurecida. Seja a carreira profissional, a linha de estudos, a fé religiosa e até as pessoas com quem decidiu conviver, se mostram agora em dissonância com essa nova fase.

Isso é perigoso porque aquelas antigas escolhas, que até este momento faziam parte da vida da pessoa, começam a ser vistas como entraves, como elementos que a dificultam de seguir em frente.

Só que não é possível abandonar tudo. Isso traria consequências traumáticas e irreversíveis. Além do que, o abandono seria como uma fuga, o que não condiz com a atitude de uma pessoa evoluída.

A verdade é que quem se encontra em um estágio superior de amadurecimento precisa ser capaz, em vez de abandonar as coisas, absorvê-las. Precisa aprender a ressignificar as circunstâncias para que elas façam sentido nesse novo momento.

Para isso, porém, precisa tornar-se protagonista da própria existência. Isso significa agir intencionalmente no sentido de transformar todas as coisas que fazem parte da sua vida em colaboradoras do seu processo de evolução pessoal.

Por esse motivo, não cabe fazer-se de vítima das circunstâncias. Pelo contrário, como superior, deve se esforçar para entendê-las e guiá-las. Não cobrar delas que estejam no mesmo nível de amadurecimento, mas evitar o estágio que elas estão e aprender a conviver com elas, compreendendo-as e amando-as.

Claro que, de tempos em tempos, algumas coisas precisam ser abandonadas. No entanto, estas se referem aquelas que, por sua natureza, são temporárias e já cumpriram o seu papel. As outras precisam ser absorvidas e receber um novo significado.

Portanto, é preciso ser o líder da sua própria existência e luz na existência dos outros. Não se deve fugir, nem abandonar as coisas, como se tudo fosse descartável, nem agir como quem é impedido pelas coisas que lhe rodeiam. Deve-se, sim, dirigi-las e iluminá-las.

E é exatamente essa capacidade de dar sentido positivo a tudo o sinal mais claro de um verdadeiro amadurecimento.


Por Fabio Blanco.
Publicado no canal do Telegram do autor, em 6 de agosto de 2025.
Fabio Blanco também é o responsável pelo portal filosofiaintegral.com.br, e seu wesite fabioblanco.com.br.




Subir com fundo cinza Notas da editoria:

Imagem da capa: “Manhood” (1842), de Thomas Cole (1801 – 1848). Esta é uma das quatro paisagens da sequência intitulada “The Voyage of Life”.

O título desta postagem (“Paradoxo do amadurecimento: liderar sem abandonar o passado”) foi atribuído por nossa editoria.




Em complemento ao artigo, assista ao depoimento de Silvio Grimaldo: como Olavo de Carvalho mudou sua vida:


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