“O bem para o homem é a atividade da alma de acordo com a virtude.”
Aristóteles (356 a. C. – 323 a. C.)
Nem todos os bens reais são igualmente bons. Alguns são superiores a outros na escala dos desejáveis. Os bens inferiores são bens limitados, tais como o prazer sensível e a riqueza, coisas que são boas apenas moderadamente, não ilimitadamente. Os bens superiores são ilimitados, tal como o conhecimento, o qual nunca é excessivo.
Mas, inferiores ou superiores, todos os bens reais são coisas às quais temos direito natural. Nossas necessidades naturais são base para os nossos direitos naturais — direitos às coisas de que precisamos para cumprir nossas obrigações morais, para que então possamos buscar tudo quanto nos seja realmente bom e isto nos possa conduzir à realização de boas vidas humanas.
Se as necessidades naturais não fossem as mesmas para todos os seres humanos em toda parte, em todos os tempos e sob todas as circunstâncias, não teríamos base alguma para postular uma doutrina global que clama pela proteção dos direitos humanos por parte de todas as nações do planeta.
Se todos os bens fossem meramente aparentes, assim parecendo apenas por ocorrer a este ou àquele indivíduo querê-los, não poderiamos evitar o relativismo e o subjetivismo que reduzem os juízos morais a meras opiniões. Se não pudéssemos apreender nenhuma verdade a respeito do que é certo ou errado, ficaríamos à mercê da impiedosa doutrina segundo a qual a correção advém do poder.
Nada mais é preciso dizer para sublinhar a importância prática de corrigir os erros que reduzem os juízos morais à mera opinião, assim estabelecendo a objetividade e universalidade dos valores morais e dando à filosofia moral o estatuto de genuíno conhecimento.
Excerto do capítulo quinto — Valores Morais — do livro Dez erros filosóficos, de
Mortimer J. Adler, publicado pela Editora Vide Editorial, sob ISBN 978-6587138220.
Notas da editoria:
Imagem da capa: “Vanitas — still life” (1625), de Pieter Claesz (1597/1598 – 1660).
O título desta postagem (“A objetividade dos bens e a base dos Direitos Humanos”) foi atribuído por nossa editoria.



