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	<title>Arquivos Totalitarismo &#8226; Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 23 Mar 2026 02:55:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Totalitarismo &#8226; Cultura de Fato</title>
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		<title>Minha descoberta racional do conservadorismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luís Afonso Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 00:38:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Encontrei num dicionário na web uma definição de <em>conservador</em> absolutamente perfeita: 'é o sujeito otimista com relação ao passado e pessimista com relação ao futuro'. É exatamente isto.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/minha-descoberta-racional-do-conservadorismo/">Minha descoberta racional do conservadorismo</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Não tire uma cerca antes de saber por que ela foi colocada.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Gilbert">G</span> <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Keith">K</span> <span data-tooltip="Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) foi um escritor inglês." data-tooltip-position="top">Chesterton</span> (1874-1936)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Sempre imaginei o ser humano como resultado concreto e final de um exercício de criação divino.</p>



<p>Isso pode ser um pouco religioso ou metafísico demais para um mundo que se acostumou a nivelar tudo por baixo, que simplesmente finge que o que não entende “não existe”, mas é ainda a melhor explicação para o ser humano.</p>



<p id="RefNota01">“Melhor” por quê? Oras porque não somos de maneira alguma “animais”. Talvez a classificação do ser humano como representante do reino animal — feita pelo próprio ser humano — seja o único caso em que a famosa “paralaxe cognitiva”<strong><sup><a href="#Nota01">1</a></sup></strong> seria de fato autêntica. Explico: o simples fato de o homem ser o único ser que tem a capacidade de classificar dentro de uma estrutura racional de significados todos os outros animais, o deveria colocar automaticamente fora desta mesma classificação — afinal, nenhum dos animais analisados é capaz de tal façanha. Então o homem, quando classifica todas as espécies animais em filo, gênero e espécie, se coloca evidentemente numa visão superior a todos os animais. E o faz por estar fora desta mesma classificação. Foi nada menos do que uma tragédia o fato de que ao final do processo tenha ele mesmo se auto-classificado junto aos primatas, com um título nada animador de “animal racional”. Nem o cargo de “rei dos animais” nos sobrou.</p>



<p>Pois bem, esta percepção de que estamos acima do reino animal em todos os aspectos, menos no “construtivo”, é derivada de um senso comum. E a origem deste “senso comum”, descobri agora há pouco, tem a ver com uma tradição conservadora.&nbsp;</p>



<p>Encontrei num dicionário na <em>web</em> uma definição de “conservador” absolutamente perfeita: “é o sujeito otimista com relação ao passado e pessimista com relação ao futuro”. É exatamente isto. E ainda acrescento que o pessimismo em relação ao futuro se dá na exata percepção de avançamos no tempo perdendo a cada dia pedaços ainda maiores de nossa própria humanidade. Num futuro não muito distante talvez nem o título de animais “racionais” possamos usar. O racionalismo é conservador.</p>



<p>Mas de onde surge esta sensação de perda? Não é nostalgia. Para mim é o simples ceticismo que acompanha qualquer análise minimamente racional da atualidade.</p>



<p>Descobri que o meu modo de funcionamento era mesmo este: sempre desconfiar de qualquer explicação inovadora ou “revolucionária”, daquelas do tipo “esqueça tudo o que você já viu sobre&#8230;”. O fato é que não dá para esquecer, não podemos partir do zero a cada pseudo-revolução. Este é o ponto. Se a “novidade” é inconsistente, prefiro ficar com a última explicação.</p>



<p>Este é o porquê do meu apego pelo capitalismo: não é que eu morra de amores por ele (já escrevi até que o “odeio” em <em>post</em> anterior), mas é o único sistema econômico que funcionou até hoje. E o que mais respeitou a liberdade individual e econômica, quando atrelada ao regime democrático.</p>



<p>O binômio capitalismo (liberal) de um lado e a democracia de outro são dois dos pilares básicos do que eu chamaria de “realismo” político/econômico. Considero como “realismo” tudo o que se pode estabelecer como verdade absoluta ou pelo menos a coisa mais próxima dela. No caso do capitalismo e a democracia ainda têm a vantagem de serem verdades perfeitamente mensuráveis: não há outro regime que possa ser considerado mais justo e mais eficiente em produzir riquezas e gerar satisfação material às pessoas.</p>



<p>O fato de haver milhares de pessoas lutando por ditaduras e pela implantação de alguma forma de comunismo hoje em dia, só me faz ver que existem outras verdades absolutas: a burrice e a apatia mental dos tempos atuais são incontestáveis.</p>



<p>Mas faltava alguma coisa: eu tinha elementos realistas para embasar minha defesa da liberdade política e econômica, mas não para um sistema de valores morais ou “humanistas”, em que se baseia o conservadorismo.</p>



<p>Mas havia a certeza de que o binômio democracia/capitalismo só pode existir num ambiente social no qual as pessoas compartilhem a mesma visão e os mesmos valores morais. É o que chamam de sociedade de confiança.</p>



<p><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Eric Voegelin (1901-1985) foi filósofo, historiador e cientista político alemão, radicado nos Estados Unidos.">Voegelin</span> observou como o “senso comum” era um grande diferencial nas sociedades britânicas e americanas. Um senso comum tão arraigado que “blindou” estes países às influências mais perversas do século vinte: totalitarismo nazi-fascista e comunista. O senso comum é também a minha base de avaliação do mundo. É uma percepção intuitiva de conservadorismo.</p>



<p>A base deste conservadorismo não é só a “nostalgia” do passado ou a manutenção de tradicionalismos. Significa que determinados valores não podem ser colocados de lado em favor de outros “mais evoluídos” simplesmente pela razão de que a “evolução” nunca ter sido provada.</p>



<p>A compreensão de que minha simpatia pelo passado era muito mais do que simples “nostalgia”, mas a intuição de que elas abarcavam definições muito mais completas e complexas da própria humanidade, veio com o estudo dos filósofos clássicos.</p>



<p>A isto eu devo imensamente ao meu mestre Olavo de Carvalho: antes de tudo Olavo é um grande divulgador da tradição filosófica conservadora, traçando uma linha que vai dos antigos gregos até o judaísmo-cristianismo. Ao conhecer a história do pensamento filosófico, acabei por conhecer os fundamentos teóricos do conservadorismo.</p>



<p>Com isso pude enfim somar mais um sustentáculo — o mais importante — ao edifício do capitalismo liberal e democrático. Sem uma base de defesa de valores conservadora, o edifício não se sustenta.</p>



<p>No mundo de hoje, isso é especialmente dramático, pois o curso do pensamento conservador acabou assoreado por toneladas de relativismos, pós-modernismos entre outros, que transformaram a filosofia num grande supermercado de idéias, sem que nenhuma contradiga outra.</p>



<p>Os tempos atuais avançam até para dizer que o conservadorismo, o realismo não passam de mais um relativismo&#8230;</p>



<p>Tomo como exemplo a obra do “filósofo” <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Charles Feitosa é doutor em Filosofia pela Universidade de Freiburg, Alemanha. É professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da UNIRIO.">Charles Feitosa</span> “<a href="https://www.estantevirtual.com.br/livro/explicando-a-filosofia-com-arte-0V3-9962-000-BK" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Filosofia com arte</a>” em que sob o capítulo “vantagens e desvantagens do relativismo” afirma que o realismo (e os realistas) querem impor a “sua” visão a todos os outros. Cita como exemplo de “realista” o nacional-socialismo alemão&#8230; Do outro lado temos o relativismo, que é uma maravilha, pois “respeita” a todos os tipos de pensamento&#8230;</p>



<p>O autor só não explicou como “realistas” puderam relativizar até mesmo a existência de seres humanos como fizeram nazistas e comunistas&#8230;</p>



<p>Para finalizar: a descoberta da tradição filosófica na qual se baseia o conservadorismo foi para mim como se encontrasse, no fundo de uma caverna esquecida, um tesouro, uma essência rara. Nossa obrigação é a de guardar e espalhar esta boa nova às novas gerações.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/luisafonsoassumpcao/">Luís Afonso Assumpção</a>.<br>Publicado originalmente em 21 de maio de 2005, no <em>website</em> <em><a href="https://midiasemmascara.net/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Mídia Sem Máscara</a></em>.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li id="Nota01">“Paralaxe cognitiva” é o fenômeno pelo qual o observador se coloca fora do campo de ação do fenômeno “universal” que pretende explicar. Exemplos: <span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Karl Marx foi um revolucionário socialista, nascido em 1818 em Tréveris (Prússia) e falecido em 1883 na cidade de Londres (Reino Unido). É considerado o ''pai do comunismo'', junto com Friedrich Engels.">Marx</span> explicando que à classe trabalhadora e não à burguesia pertencia o futuro da humanidade (Marx era um burguês); <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Nicolau Maquiavel (1469-1527) foi filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico de origem florentina do Renascimento.">Maquiavel</span> defendendo que o príncipe deveria em primeiro lugar eliminar os seus apoiadores e influenciadores, dando a entender que ele mesmo, Maquiavel, deveria ser uma das primeiras vítimas de sua invenção. <a href="#RefNota01"><img decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li>
</ol>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>A imagem da capa é um recorte da obra: “<em>Caminhante sobre o mar de névoa</em>” (aprox. 1818), de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Caspar David Friedrich (1774–1840) foi um pintor de paisagens do romântico alemão, geralmente considerado o mais importante artista alemão da sua geração.">Caspar David Friedrich</span> (1774–1840).<br><br>A obra retrata um homem solitário, posicionado acima de uma paisagem encoberta por névoa, portanto contemplando um horizonte incerto. A cena simboliza a condição do indivíduo que, apoiado em fundamentos sólidos, observa criticamente um mundo cada vez mais obscurecido pela perda de referências.</p>



<br>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Saiba mais, leia:</h2>



<br>



<section id="gm71bf303" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gm71bf303 gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="1" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="1">
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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/por-que-voce-deveria-ser-um-conservador/">Por que você deveria ser um conservador</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/davidcharlesstove/">David Charles Stove</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/eu-sou-um-conservador/">Eu sou um conservador</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/joaomellaoneto/">João Mellão Neto</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/a-essencia-do-conservadorismo/">A essência do conservadorismo</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/russellkirk/">Russell Kirk</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/qual-e-a-diferenca-basica-entre-a-esquerda-e-a-direita/">Qual é a diferença básica entre a Esquerda e a Direita?</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/orlandobraga/">Orlando Braga</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/acepcoes-do-adjetivo-reacionario/">Acepções do adjetivo “reacionário”</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/pliniocoliveira/">Plinio Corrêa de Oliveira</a></p>
</div></div>



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<div id="section-g-9xl3an4" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-9xl3an4 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/a-necessidade-de-uma-doutrina-conservadora/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2025/12/LiberdadeArmada.jpg" alt="Obra: &quot; Liberdade armada com o cetro da razão derrubando a ignorância e o fanatismo&quot; (1793), de Louis-Simon Boizot (1743 – 1809)." /></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/a-necessidade-de-uma-doutrina-conservadora/">A necessidade de uma doutrina conservadora</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/fabioblanco/">Fabio Blanco</a></p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/conservacao-e-progresso/">Conservação e progresso</a></em>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/fabioblanco/">Fabio Blanco</a></p>
</div></div>



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<div id="section-g-ce07mde" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-ce07mde gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/por-que-nao-sou-liberal/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/07/SedutaDOuvertureDelAssembleeDesEtatsGeneraux.jpg" alt="Recorte da obra &quot;Seduta d'ouverture de l'Assemblée des états généraux , 5 mai 1789&quot;, criada pelo pintor francês Couder Auguste (1789 - 1873)." /></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center"><br><a href="https://culturadefato.com.br/por-que-nao-sou-liberal/"><em>Por que não sou liberal</em></a>,<br>por <a href="https://culturadefato.com.br/author/stephenkanitz/">Stephen Kanitz</a></p>
</div></div>



<div id="col-g-n7aoo11" class="wp-block-gutentor-m0-col col-g-n7aoo11 gutentor-carousel-item"><div id="section-g-n7aoo11" class="section-g-n7aoo11 gutentor-col-wrap has-color-bg has-custom-bg">
<div id="section-g-ac1vcz5" class="wp-block-gutentor-e6 section-g-ac1vcz5 gutentor-element gutentor-element-image text-align-center-desktop"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/excertos-da-obra-direita-e-esquerda-razoes-e-significados-de-uma-distincao-politica/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/06/NoiteEstreladaVincentVanGogh.jpg" /></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center"><br><em><a href="https://culturadefato.com.br/excertos-da-obra-direita-e-esquerda-razoes-e-significados-de-uma-distincao-politica/">Excertos da obra “Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política”</a></em>, por <a href="https://culturadefato.com.br/author/norbertobobbio/">Norberto Bobbio</a></p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/minha-descoberta-racional-do-conservadorismo/">Minha descoberta racional do conservadorismo</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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		<item>
		<title>Por que os piores chegam ao poder</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/por-que-os-piores-chegam-ao-poder/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Friedrich Hayek]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 03:25:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Excerto de Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Friedrich A. Hayek]]></category>
		<category><![CDATA[Friedrich Hayek]]></category>
		<category><![CDATA[kulak]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Se não podemos conhecer pessoalmente todos os outros componentes do nosso grupo, eles terão de ser pelo menos do mesmo tipo dos que nos cercam, terão de pensar e falar do mesmo modo e sobre os mesmos assuntos, para que nos possamos identificar com eles.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/por-que-os-piores-chegam-ao-poder/">Por que os piores chegam ao poder</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe de maneira absoluta.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="John Emerich Edward Dalberg-Acton (1834 - 1902), 1º barão Acton.">Lord Acton</span> (1834 &#8211; 1902)</p>



<br>



<h6 class="wp-block-heading has-text-align-right">Excerto do capítulo 10 da obra “<em><a href="https://culturadefato.com.br//downloads/politica_e_economia/2024/ocaminhodaservidao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O caminho da servidão</a></em>”, de <a href="https://culturadefato.com.br/author/friedrichhayek/">Friedrich Hayek</a>.</h6>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Há três razões principais para que um grupo numeroso, forte e de ideias bastante homogêneas não tenda a <em>ser</em> constituído pelos melhores e sim pelos piores elementos de qualquer sociedade. De acordo com os padrões hoje aceitos, os princípios que presidiriam à seleção de tal grupo seriam quase inteiramente negativos.</p>



<p>Em primeiro lugar, é provavelmente certo que, de modo geral, quanto mais elevada a educação e a inteligência dos indivíduos, tanto mais se diferenciam os seus gostos e opiniões e menor é a possibilidade de concordarem sobre determinada hierarquia de valores. Disso resulta que, se quisermos encontrar um alto grau de uniformidade e semelhança de pontos de vista, teremos de descer às camadas em que os padrões morais e intelectuais são inferiores e prevalecem os instintos mais primitivos e “comuns”. Isso não significa que a maioria do povo tenha padrões morais baixos; significa apenas que o grupo mais amplo cujo valores são semelhantes é constituído por indivíduos que possuem padrões inferiores. Ê, por assim dizer, o mínimo denominador comum que une o maior número de homens. Quando se deseja um grupo numeroso e bastante forte para impor aos demais suas ideias sobre os valores da vida, jamais serão aqueles que possuem gostos altamente diferenciados e desenvolvidos que sustentarão pela força do número os seus próprios ideais, mas os que formam a “massa” no sentido pejorativo do termo, os menos originais e menos independentes.</p>



<p>Se, contudo, um ditador em potencial tivesse de contar apenas com aqueles cujos instintos simples e primitivos são muito semelhantes, o número destes não daria peso suficiente às suas pretensões. Seria preciso aumentar-lhes o número, convertendo outros ao mesmo credo simples</p>



<p>A esta altura entra em jogo o segundo princípio negativo da seleção: tal indivíduo conseguirá o apoio dos dóceis e dos simplórios, que não têm fortes convicções próprias mas estão prontos a aceitar um sistema de valores previamente elaborado, contando que este lhes seja apregoado com bastante estrépito e insistência. Serão, assim, aqueles cujas ideias vagas e imperfeitas se deixam influenciar com facilidade, cujas paixões e emoções não é difícil despertar, que engrossarão as fileiras do partido totalitário.</p>



<p>O terceiro e talvez mais importante elemento negativo da seleção está relacionado com o esforço do demagogo hábil por criar um grupo coeso e homogêneo de prosélitos. Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil aos homens concordarem sobre um programa negativo — o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação — do que sobre qualquer plano positivo. A antítese &#8220;nós&#8221; e &#8220;eles&#8221;, a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas. Do seu ponto de vista, isso tem a vantagem de lhes conferir mais liberdade de ação do que qualquer programa positivo. O inimigo, seja ele interno, como o &#8220;judeu&#8221; ou o “<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="kulák significa ''punho''/''punho fechado''. É um termo pejorativo usado no linguajar político soviético para se referir a camponeses relativamente ricos do Império Russo que possuíam extensas fazendas e faziam uso de trabalho assalariado em suas atividades."><em>kulak</em></span>”, seja externo, parece constituir uma peça indispensável no arsenal do líder totalitário.</p>



<p>Se na Alemanha o judeu se tornou o inimigo, cedendo em seguida o lugar às “plutocracias”, isso foi decorrência do sentimento anticapitalista em que se baseava todo o movimento, o mesmo acontecendo em relação à escolha do <em>kulak</em> na Rússia. Na Alemanha e na Áustria, o judeu chegara a ser encarado como o representante do capitalismo porque a antipatia tradicional votada por vastas classes da população às atividades comerciais tornara tais atividades mais acessíveis a um grupo praticamente excluído das ocupações mais respeitadas. É a velha história: a raça alienígena, admitida apenas nas profissões menos nobilitantes, torna-se objeto de ódio ainda mais acirrado precisamente por exercê-las. O fato de, na Alemanha, o anti-semitismo e o anticapitalismo terem a mesma origem é de grande importância para a compreensão do que tem acontecido naquele país, embora os observadores estrangeiros poucas vezes se dêem conta disso.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br//downloads/politica_e_economia/2024/ocaminhodaservidao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" class="wp-image-20554" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2024/03/OCaminhoDaServidao_FriedrichHayek.jpg" alt="Capa da obra: &quot;O caminho da servidão&quot;, de Friedrich Hayek."></a>Considerar a tendência universal da política coletivista ao nacionalismo como decorrência exclusiva da necessidade de um apoio sólido seria negligenciar outro fator não menos significativo. Com efeito, é questionável que se possa conceber com realismo um programa coletivista que não atenda aos interesses de um grupo limitado, ou que o coletivismo possa existir sob outra forma que não a de um particularismo qualquer, nacionalista, racista ou classista. A ideia de uma comunhão de propósitos e interesses com os próprios semelhantes parece pressupor maior similaridade de ideias e pontos de vista do que aquela que existe entre os homens na qualidade de simples seres humanos. Se não podemos conhecer pessoalmente todos os outros componentes do nosso grupo, eles terão de ser pelo menos do mesmo tipo dos que nos cercam, terão de pensar e falar do mesmo modo e sobre os mesmos assuntos, para que nos possamos identificar com eles. O coletivismo em proporções mundiais parece inconcebível, a não ser para atender aos interesses de uma pequena elite dirigente. Ele por certo suscitaria problemas, não só de natureza técnica mas sobretudo moral, que nenhum dos nossos socialistas estaria disposto a enfrentar. Se o proletário inglês tem direito a uma parcela igual da renda atualmente proporcionada pelos recursos financeiros do país, assim como ao controle do emprego desses recursos, porque eles resultam da exploração, pelo mesmo princípio todos os hindus teriam direito não só à renda mas também ao uso de uma parcela proporcional do capital britânico.</p>



<p>Que socialistas, porém, pensam de fato em repartir de maneira equitativa, entre toda a população da terra, os atuais recursos de capital? Para todos eles o capital pertence, não à humanidade, mas à nação — embora, mesmo no âmbito da nação, poucos ousem sustentar que as regiões mais ricas devem ser privadas de “seus” bens de capital para auxiliar as regiões mais pobres. Os socialistas não estão dispostos a conceder ao estrangeiro aquilo que proclamam como um dever para com os seus concidadãos. De um ponto de vista coletivista coerente, os direitos dos países pobres a uma nova divisão do mundo são de todo justificados — embora, se fossem aplicados com lógica, aqueles que os reivindicam com maior insistência acabassem quase tão prejudicados quanto as nações mais ricas. Têm, por conseguinte, o cuidado de não fundamentar suas exigências em princípios igualitários, mas numa pretensa capacidade superior de organizar outros povos.</p>



<p>Uma das contradições inerentes à filosofia coletivista é que, embora baseada na moral humanista aperfeiçoada pelo individualismo, só se mostra praticável no interior de um grupo relativamente pequeno. Enquanto permanece teórico, o socialismo é internacionalista; mas ao ser posto em prática, na Alemanha ou na Rússia, torna-se violentamente nacionalista. Esta é uma das razões por que o “socialismo liberal”, tal como o imagina a maioria das pessoas no mundo ocidental, é apenas teórico, ao passo que a prática do socialismo é em toda parte totalitária. No coletivismo não há lugar para o amplo humani-tarismu do liberal, mas apenas para o estreito particularismo do totalitário.</p>



<p>Se a “comunidade” ou o Estado têm prioridade sobre os indivíduos, se possuem objetivos próprios superiores aos destes e deles independentes, só os indivíduos que trabalham para tais objetivos podem ser considerados membros da comunidade. Como conseqüência necessária dessa perspectiva, uma pessoa só é respeitada na qualidade de membro do grupo, isto é, apenas se coopera para os objetivos comuns reconhecidos, e toda a sua dignidade deriva dessa cooperação, e não da sua condição de ser humano. Os próprios conceitos de humanidade e, por conseguinte, de qualquer forma de internacionalismo são produtos exclusivos da atitude individualista e não podem existir num sistema filosófico coletivista.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Excerto do capítulo 10 da obra  “<em><a href="https://culturadefato.com.br//downloads/politica_e_economia/2024/ocaminhodaservidao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O caminho da servidão</a></em>”,<br>de <span data-tooltip-position="left" data-tooltip="Friedrich August von Hayek (1899 - 1892): economista e filósofo austríaco, posteriormente naturalizado britânico.">Friedrich Hayek</span> (1899 &#8211; 1892).</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Le boulevard des capucines</em>” (1813), por Claude Monet (1840 &#8211; 1926).</p>



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		<title>O Estado e seus amantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Percival Puggina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2023 15:31:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Censura]]></category>
		<category><![CDATA[PL 2630]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“O PL 2630/2020 é PL da Censura, sim. Leis contra o crime são leis penais, de tipificação precisa, sem subjetividade e sem 'veja bem, doutor'. Sua eficácia depende menos do rigor e muito mais da efetiva relação crime/aplicação da pena. O resto é censura, eterna volúpia dos amantes do Estado.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>O ódio revela muita coisa que permanece oculta ao amor. Lembra-te disso e não desprezes a censura dos inimigos.</em>”<br>Leonardo da Vinci (1452 – 1519)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Muitas pessoas amam o Estado como uma forma de amor próprio. Encarnam o objeto de seu amor e, amando o Estado, amam a si mesmos. Os demais possuídos por essa volúpia pensam que o Estado lhes pertence e o amam como a um bem próprio. Os dois grupos, por suas paixões, ferem o funcionamento das instituições.</p>



<p>A tragédia central dessa relação não é, de modo algum, o patrimonialismo nem a corrupção, nem a inanição fora do agasalho do Estado. A tragédia central é o controle da manifestação das opiniões, notadamente das opiniões políticas. Esse é sonho de consumo de quem, funcionalmente, se confunde e se funde com o Estado. Controlar o que os adversários podem dizer até a extinção total de seu sentido é o mecanismo preferido dos totalitarismos para se eternizarem no poder. Não é à toa que ditadura – usura do poder – rima com censura.</p>



<p>As ideias acima são pensamentos da noite de ontem (02/05/2023) enquanto via defensores e opositores se digladiarem em prolongado contraditório. Os que a defendiam, não por acaso alinhados com a esquerda, viviam algo que para eles é o inferno da comunicação: não terem palavra ou chavão que lhes permitam controlar o discurso. Afinal, censura é censura e chamar uma lei de censura de “lei da liberdade, transparência e responsabilidade” dá um nó na língua e outro no cérebro. Sua rota de fuga era defender o combate à criminalidade: “Tem gente morrendo por falta dessa lei!”, diziam a todo instante, enquanto as máscaras caíam e eram pisoteadas no tapete do plenário.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/em-prol-do-estado-todos-contra-todos/"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="630" height="360" class="wp-image-12231" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/04/PunhoCerrado.jpg" alt="Punhos Cerrado"></a>Combate ao crime? Por parte de quem? Da turma do desencarceramento, do prender não resolve, do helicóptero devolvido ao <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="André Oliveira Macedo, do PCC é apontado pela Polícia Federal como responsável por remessas de toneladas de cocaína para a Europa via porto de Santos.">André do Rap</span>, da impunibilidade do “di menor”, do desarmamento, da liberação das drogas, do “polícia não sobe morro”, dos processos anulados por erro de CEP? Desde quando o combate ao crime virou prioridade de Estado num governo de esquerda? Quando foi que o topo do poder judiciário pisou no acelerador do combate à criminalidade objetiva com a energia e o dinamismo equivalentes aos usados para pôr tornezeleiras nas <em>tias do zap</em> e aos subjetivos “crimes” de <em>fake news</em> e discursos de ódio? Como podem punir o Google por defender editorialmente seus interesses “afetando a independência do Parlamento” e atravessar a rua e ir ao Congresso para … fazer o quê, mesmo? E não perceberam a mesma conduta, pelo lado do governo, afetar a independência do Parlamento quando compra votos com emendas para tentar aprovar a Lei da Censura?</p>



<p>O que a sociedade tem visto, com louvores de muitos, sim, é a censura objetiva. Primeiro, já de longa data, como prática de direito uti possidetis esquerdista nos relevantes espaços da Educação e da Cultura, portas cerradas a toda divergência conservadora ou liberal, imediatamente rotulada de fascista e de extrema-direita. Depois, na diversidade de modos e casos testemunhados durante a recente campanha eleitoral.</p>



<p>Ontem, quiseram meus sentidos discernir um grito de independência ecoar no plenário da Câmara dos Deputados. Desconheço sua extensão, mas percebi no bulício do plenário um coro de fundo a entoar “Não passarão!”, palavras nem sempre decisivas, mas marcantes em momentos significativos da história do último século.</p>



<p>Espero que também as plataformas aprendam algo com a censura que quer agir contra elas. Algumas, com claro viés progressista, censuram com habitualidade seus usuários conservadores reduzindo-lhes a propagação ou jogando-os para detrás das cortinas do <em>shadowban</em>.</p>



<p>O PL 2630/2020 é <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Projeto de Lei">PL</span> da Censura, sim. Leis contra o crime são leis penais, de tipificação precisa, sem subjetividade e sem “veja bem, doutor”. Sua eficácia depende menos do rigor e muito mais da efetiva relação crime/aplicação da pena. O resto é censura, eterna volúpia dos amantes do Estado.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/percivalpuggina/">Percival Puggina</a>.<br>Publicado no <em><a href="http://www.puggina.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">website</a></em> do autor em 2 de maio de 2023.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa: “<em><a href="https://fineartamerica.com/featured/chained-heart-bamdad-saririan.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Coração acorrentado</a></em>” (pirografia). Para mais mais detalhes, <a href="https://fineartamerica.com/featured/chained-heart-bamdad-saririan.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">clique aqui</a>.</p>



<br>
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		<title>O caminho para a liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Percival Puggina]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 03:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre de Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Inácio Lula da Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia da Libertação]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A receita do totalitarismo não começa com a censura da opinião. Esta é uma fase posterior, abrutalhada e menor. O primeiro ingrediente da receita é a censura do pensamento.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/o-caminho-para-a-liberdade/">O caminho para a liberdade</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>A crítica não tem sobre a psicologia das massas o poder sugestivo que têm as crenças afirmativas, mesmo falsas.</em>”<br>Olavo de Carvalho (1947 &#8211; 2022)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">A receita do totalitarismo não começa com a censura da opinião. Esta é uma fase posterior, abrutalhada e menor. O primeiro ingrediente da receita é a censura do pensamento. Sei que você dirá, leitor, ser impossível impedir as pessoas de pensar. No entanto, é perfeitamente viável restringir, com determinação e êxito, o acesso das mentes ao contraditório, ao pluralismo, às fontes da sabedoria, à informação ampla sobre o passado, o presente e as perspectivas para o futuro. Ou seja, é possível trazer o horizonte do saber para a ponta do nariz do cidadão, encurralando sua mente e confinando seu pensamento a uma preconcebida gaiola. E isso está em pleno curso.</p>



<p>Não estou falando de alguma distopia. Estou descrevendo, enquanto posso, o que vejo acontecer através dos mais poderosos mecanismos de formação e informação em nosso país: Educação, Cultura, Imprensa e Igrejas (Teologia da Libertação). A censura, em fases que vão dos direitos do texto aos direitos individuais do autor, é o arremate, o retoque sobre o trabalho de um mecanismo de ação muito mais intensa, extensa e profunda. A primeira fase é dos intelectuais; a segunda, dos brutamontes.</p>



<p>Não deixa de ser contraditório que, no Brasil, a censura seja exercida, notoriamente pelos andares mais altos do Poder Judiciário. Afinal, o direito à liberdade de expressão do mais humilde e derrotado mané é superior ao de qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal. Não se zanguem estes, nem se surpreenda o leitor: os manés não exercem atividade jurisdicional, não têm qualquer compromisso ético e funcional com imparcialidade, neutralidade, isenção, equanimidade, equilíbrio, etc. Ministros do <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Supremo Tribunal Federal">STF</span> e magistrados, por todas as razões, deveriam evitar a própria expressão pública, falar nos autos e deixar para os políticos as tagarelices e ativismos da política.</p>



<p>Dezenas de milhões de brasileiros perceberam que, proclamada a vitória de <a href="https://culturadefato.com.br/lula-em-estado-puro/">Lula</a> na eleição presidencial, fechava-se o cerco às divergências. Anteviu que a inteira cúpula dos três poderes de Estado estaria trabalhando conjunta e afoitamente na criação de distintas e múltiplas estruturas de controle das opiniões expressas pelos manés da vida. A judicialização da Política coligar-se-ia com a politização da Justiça. Passaram a pedir socorro. Silenciosamente, muitos, em diálogo com seus travesseiros; outros, em desacertos e desconcertos familiares; outros ainda acamparam às portas dos quartéis. Inutilmente, como se viu.</p>



<p>O vandalismo de uns poucos foi o instrumento para o inacreditável arrastão judicial do dia 9 de janeiro, mas – estranho, não é mesmo? – em quase dois mil brasileiros cumpriu-se a profecia do ministro <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Alexandre de Moraes: jurista, magistrado e ex-político brasileiro, atual ministro do Supremo Tribunal Federal. É professor associado da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde se graduou.">Alexandre de Moraes</span> quando, no dia 14 de dezembro, apenas três semanas antes, com um sorriso irônico, anunciou haver ainda muita gente e multa para aplicar. Estranho, também, que sobre todos incidiu a mesma acusação comum: foram arrebanhados porque expressavam diante dos quartéis medo do que, bem antes do esperado, acabou se abatendo sobre eles de modo impiedoso.</p>



<p>Só não se angustia com isso quem aceita que a liberdade seja protegida com a supressão da liberdade. E só aceita esse contrassenso quem, usando neologismo da moda, apoia a <em>esquerdonormatividade</em> que, em outubro, fechou cerco e tomou o Estado brasileiro.</p>



<p>“E qual é a saída?”, perguntará o leitor afoito. Meu caro, não há porta de saída. O que há é caminho. Porta da esperança é programa de auditório, crença que levou à derrota em outubro. Há o caminho da política, percorrido com coragem, determinação, formação, organização e ação contínua.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/percivalpuggina/">Percival Puggina</a>.<br>Publicado no <em><a href="http://www.puggina.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">website</a></em> do autor em 28 de fevereiro de 2023.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa “<em>Mute and blind to the world</em>” (2019), por Yashashri Rao.</p>



<br>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/o-caminho-para-a-liberdade/">O caminho para a liberdade</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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		<title>Vamos falar sobre violência política</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Percival Puggina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 03:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Antifas]]></category>
		<category><![CDATA[Black Blocs]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Messias Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[PSDB]]></category>
		<category><![CDATA[Rambla]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitário]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
		<category><![CDATA[UEFA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A política, por si mesma, só dá causa à violência quando sua matriz ideológica é violenta. Se a ideologia que a pessoa abraça não constrói uma frase sem a palavra <em>luta</em>, se ela estimula atos violentos como invasões, se ela acha que <em>o poder se toma</em> e considera que os fins justificam os meios, ela gera violência.”</p>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/vamos-falar-sobre-violencia-politica/">Vamos falar sobre violência política</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.</em>”<br>Luis Fernando Verissimo<br><br>“<em>O advento da grande mídia democratizou a ignorância.</em>”<br>Olavo de Carvalho (1947 &#8211; 2022)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">A violência política sofre da mesma síndrome que acometeu o jornalismo brasileiro. Quando algum eleitor de Bolsonaro ataca física ou moralmente um opositor do governo, o fato ganha certo tipo de destaque. Quando a situação se inverte, o fato só chega ao seu conhecimento através das redes sociais, ou sai da página política e vira notinha nas páginas policiais. Só falta proporcionarem à matéria o título padrão: “Petista agride bolsonarista, mas…”.</p>



<p>Minha opinião sobre esse tipo de violência diverge do senso corrente na velha imprensa. A política, por si mesma, só dá causa à violência quando sua matriz ideológica é violenta. Se a ideologia que a pessoa abraça não constrói uma frase sem a palavra “luta”, se ela estimula atos violentos como invasões, se ela acha que “o poder se toma” e considera que os fins justificam os meios, ela gera violência. Todas as revoluções e movimentos totalitários bem como as respectivas ditaduras são violentos e usam da violência. Fora isso, pessoas violentas existem em toda parte e essa sua natureza explode por variadas motivações.</p>



<p>Quase todo dia alguém me envia relato pessoal sobre seu doloroso convívio com <em>bulling</em> e discriminação. São padecimentos, duradouros e sofridos, causados por professores e colegas. Fatos assim compõem rotina e praxe, notadamente nos cursos de Ciências Humanas e têm como causa serem, os queixosos, jovens “de direita” ou conservadores. Essa violência, de matriz política, é cotidiana e afeta centenas de milhares de estudantes e professores em nosso país. Dessa violência ninguém fala, mas você sabe, não é mesmo? Querem é mantê-lo desinformado.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/cultura-de-massa/"><img decoding="async" width="470" height="273" class="wp-image-13846" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/10/SpeechOfLeninOnTheRedQquare._ViktorShatalin.jpg" alt="Obra: &quot;Speech of Lenin on the Red Square&quot; (1959), por Viktor Shatalin (1929 - 2003). Tamanho Pequeno."></a>Há outras causas e formas para a violência eclodir. Em 2015, estávamos em Barcelona quando o Barça venceu o Juventus e arrebatou a taça da <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="União das Federações Europeias de Futebol">UEFA</span>. A torcida da equipe catalã, vitoriosa, comemorou destruindo com fúria a esplêndida <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Via que liga a Praça da Catalunha ao Porto Velho, na Cidade Velha, em Barcelona, na Catalunha.">Rambla</span> de uma ponta à outra. Por quê? Não sei se alguém saberia dizer.</p>



<p><em>Black blocs</em>, antifas e outros grupos pouco “amáveis” não põem o pé na rua sem máscaras e bonés, coquetéis Molotov, latas de tinta e porretes. Mantêm histórica animosidade contra bancos, vitrinas e lojas. As tropas militantes de Stédile não saem às ruas ou estradas sem suas rutilantes e afiadas ferramentas. Você sabe.</p>



<p>Não mencionei os conflitos entre torcidas em estádios de futebol por serem uma analogia demasiadamente óbvia. É o futebol que faz isso, ou são pessoas cuja violência explode sob determinadas condições? Você sabe. Querem é lhe confundir.</p>



<p>O que talvez você não saiba é o motivo dessa politização eleitoreira da violência fortuita. Ela só está na pauta porque desde 2018, após muitas décadas, os campos que disputam a eleição são nitidamente antagônicos. Por causa dessa alteração convivemos com censura e prisões políticas. Também isso é violência! O novo antagonismo causa desconforto à esquerda que dominava o palco com o jogo de cena entre <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Partido dos Trabalhadores">PT</span> e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Partido da Social Democracia Brasileira">PSDB</span> mantendo conservadores e liberais bem acomodados na plateia.</p>



<p>É esse “equilíbrio”, danoso à nação e proveitoso a si mesmos, que alguns gostariam de manter. Toda violência deve ser contida, punida, tratada, mas, no país da leniência, da impunidade e dos maus exemplos, ela prospera.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/percivalpuggina/">Percival Puggina</a>.<br>Publicado no <em><a href="http://www.puggina.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">website</a></em> do autor em 11 de outubro de 2022.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em><a href="https://www.1stdibs.com/art/more-art/pamela-blaies-love-blind-oil-painting/id-a_10791172/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">O amor é cego</a></em>”, por Pamela Blaies.</p>



<br>
<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/vamos-falar-sobre-violencia-politica/">Vamos falar sobre violência política</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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		<title>Por que não sou de esquerda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 03:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Ambientalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia de Esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Social]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo de Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Progressistas]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Não sou de esquerda porque essa posição ideológica é baseada em três crenças equivocadas: a de que totalitarismo produz liberdade, a de que a distribuição da riqueza é mais importante que sua criação, e a de que o Estado deve dirigir nossas vidas nos mínimos detalhes.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas;<br>a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.</em>”<br><span data-tooltip="Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (1874 - 1965): político conservador e estadista britânico, famoso principalmente por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial." data-tooltip-position="top">Winston Churchill</span> (1874 – 1965)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Não sou de esquerda porque essa posição ideológica é baseada em três crenças equivocadas: a de que totalitarismo produz liberdade, a de que a distribuição da riqueza é mais importante que sua criação, e a de que o Estado deve dirigir nossas vidas nos mínimos detalhes.</p>



<p>Essas crenças são a base do comunismo e do socialismo, que são a mesma coisa: sistemas filosóficos, morais e políticos mórbidos, usados por psicopatas e aventureiros para transformar o ser humano em um farrapo corroído por fome, miséria e degradação.</p>



<p>Esse é o resumo breve do que é “esquerda”.</p>



<p>Faltou dizer que a esquerda sempre contou com o apoio dos intelectuais e, por isso, tem um <em>marketing</em> incomparável: foi assim que uma ideologia totalitária, violenta e empobrecedora se tornou promotora da “justiça social” (seja lá o que for isso) e ganhou o apelido de “progressista”.</p>



<p>Quando as revoluções sangrentas saíram de moda, a esquerda <a href="https://culturadefato.com.br/em-prol-do-estado-todos-contra-todos/">abraçou as bandeiras das minorias</a>, do feminismo e da ecologia para se manter no poder. Percebam a ironia de ter esquerdistas liderando movimentos feministas, antirracistas e ecológicos: basta contar quantos negros já foram presidentes de Cuba ou Venezuela, quantas mulheres já foram chefes do Partido Comunista Russo ou Chinês, ou lembrar do desastre ambiental da China e da usina nuclear russa de Chernobyl.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/razoes-para-desejar-um-governo-de-esquerda/"><img decoding="async" class="wp-image-12722" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/06/SocialistaRolex_Peq.jpg" alt="Socialista Rolex"></a>No ano passado os Estados Unidos foram paralisados pelos protestos contra a morte de <span data-tooltip="George Perry Floyd Jr. (1973 - 2020): afro-americano morto por policial em Minneapolis desencadeando protestos contra o racismo pelos EUA." data-tooltip-position="top">George Floyd</span>. Em qualquer país comunista, você jamais teria ouvido falar do George Floyd; ele teria sumido rápida e completamente, e toda sua família e amigos teriam sido internados em algum campo de “reeducação”.</p>



<p>Todo os regimes comunistas da história foram ditaduras. NÃO HÁ UMA ÚNICA EXCEÇÃO. Opositores são perseguidos, presos, torturados e mortos. Os países são cercados de muros para que ninguém escape.</p>



<p>Apesar disso, o comunismo ainda é apresentado como o regime da solidariedade e do amor, onde “cada um dá o que pode e recebe o que precisa”.</p>



<p>O comunismo é um remédio que mata 100% dos doentes, mas que continua sendo vendido até para crianças. “Pode confiar”, diz o fabricante. “Da próxima vez vai dar certo”.</p>



<p>Essa mentira assombrosa é divulgada nas artes plásticas, na literatura, na arquitetura, no teatro, no cinema e na TV como verdade.</p>



<p>Livros escolares usados por nossos filhos plantam, em suas mentes imaturas, uma ideia que significará, para muitos, uma vida de frustração, revolta vazia, vício e pobreza.</p>



<p>Escolas de direito doutrinam futuros juízes, promotores e defensores públicos no ódio ao capitalismo e à prosperidade, e na promoção de um Estado intervencionista, autoritário e onipresente.</p>



<p>O esquerdismo, socialismo ou “progressismo” é isso: um equívoco moral e lógico, um instrumento de violência e opressão, e uma armadilha emocional e intelectual, glamourizada, divulgada e promovida pelos segmentos mais influentes e charmosos da sociedade.</p>



<p>Quem paga o preço disso são os que não podem se informar ou se defender.</p>



<p>Como disse <a href="https://culturadefato.com.br/author/theodoredalrymple/">Theodore Dalrymple</a>, “os pobres colhem o que os intelectuais semeiam”.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por Roberto Motta.<br>Publicado originalmente no <a href="https://www.robertobmotta.com.br/artigos/porque-nao-sou-de-esquerda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>website</em> do autor</a> em  21 de março de 2021.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Last Communist</em>”, por Leonardo Digenio.</p>



<br>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<br>



<p>Confira, neste áudio, o filósofo Olavo de Carvalho (1947 – 2022) desmantelando o comunismo:</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://culturadefato.com.br/downloads/politica_e_economia/2022/DesmantelandoSocialismo.mp3"></audio><figcaption>Para assistir integralmente o Programa&nbsp;<em>True Outspeak</em>&nbsp;de 18 de julho de 2012,&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=oyckNkx0-yk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clique aqui</a>.</figcaption></figure>



<br>
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		<title>A teologia do mal de Dugin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robert Zubrin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 17:18:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Dugin]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Yanov]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Moeller van den Bruck]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Schmitt]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Eurasianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Eurasianista]]></category>
		<category><![CDATA[Fim do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Gnosticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Hitler]]></category>
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		<category><![CDATA[Karl Haushofer]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Nazistas]]></category>
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		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Shenfield]]></category>
		<category><![CDATA[Thule Society]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
		<category><![CDATA[União Eurasiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“É difícil saber como reagir a alguém que afirma querer trazer o fim do mundo. (...) É uma afirmação que evoca o riso – até que se perceba que o homem que pensa que o 'significado da Rússia' é 'o Fim do Mundo' é o homem cuja doutrina geopolítica está sendo implementada pelo governante da Rússia.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo &#8216;o Império do Fim&#8217;, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.”</em><br>Olavo de Carvalho (1947 &#8211; 2022)</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<h2 class="wp-block-heading">Seu eurasianismo é um culto satânico</h2>



<br>



<p class="has-drop-cap">Homens de ação tem uma grande figura nos livros de história, mas são as ideias colocadas em suas cabeças por homens de pensamento que realmente determinam o que eles fazem. Assim, os rabiscos de filósofos loucos podem levar à morte de milhões. Como herdeiro moderno dessa tradição, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Alexándr Gélievitch Dúgin, em russo Алекса́ндр Ге́льевич Ду́гин: cientista político de viés fascista.">Alexander Dugin</span> faz apostas justas para quebrar o recorde.</p>



<p>A maioria dos americanos não sabe nada sobre Alexander Dugin. Eles precisam, porque Dugin é o filósofo louco que está redesenhando os cérebros de grande parte do governo e do público russo, enchendo suas mentes com uma nova ideologia totalitária odiada cujas consequências só podem ser catastróficas ao extremo, não apenas para a Rússia, mas para toda a raça humana.</p>



<p id="ContemRefNota01">Nos últimos meses, à medida que a adoção das ideias duginistas pelo regime de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Vladimir Vladimirovitch: atual presidente da Rússia, além de ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente.">Putin</span> se tornou cada vez mais evidente, vários artigos foram escritos chamando a atenção para a ameaça. Mas agora, com o aparecimento de “<em><a href="https://www.amazon.com/American-Empire-Should-Destroyed-Immanentized/dp/1891469436/ref=sr_1_1?crid=30YMPF7VGYXG&amp;keywords=The+American+Empire+Should+Be+Destroyed%E2%80%9D%3A+Alexander+Dugin+and+the+Perils+of+Immanentized+Eschatology&amp;qid=1646191560&amp;sprefix=the+american+empire+should+be+destroyed+alexander+dugin+and+the+perils+of+immanentized+eschatology%2Caps%2C801&amp;sr=8-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">The American Empire Should Be Destroyed”: Alexander Dugin and the Perils of Immanentized Eschatology</a></em><sup><a href="#Nota01">1</a></sup>, de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="James D. Heiser: Bispo da Diocese Evangélica Luterana da América do Norte e Pastor da Igreja Luterana de Salem.">James Heiser</span>, finalmente temos um tratamento do tamanho de um livro. Vale a pena ler.</p>



<p>Heiser é um bispo da igreja luterana e, portanto, ele lida com os aspectos políticos e teológicos da ideologia “eurasianista” supostamente conservadora, mas na verdade neopagã de Dugin. O subtítulo do livro pode afastar vários leitores, mas como um engenheiro de fala simples que atravessa a rua para evitar termos como “escatologia imanentizada”, achei a escrita bastante clara em geral e, em alguns lugares, elegante.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/a-aproximacao-tipo-pedro-o-grande/"><img loading="lazy" decoding="async" width="401" height="390" class="wp-image-11419" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/03/PedroOGrande_Jean-MarcNattier_Peq.jpg" alt="Pedro O Grande"></a>Heiser segue a carreira de Dugin, passando de sua expulsão do Instituto de Aviação de Moscou para envolvimento em círculos místicos proto-nazistas no início dos anos 1980, através de seu desenvolvimento contínuo em associação com várias organizações semelhantes à <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Thule" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Thule Society</a> até o final dos anos 80, seus contatos com o anti-nazismo &#8211; democrática <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nouvelle_Droite" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Nouvelle Droite</a> europeia, sua co-fundação e carreira com o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Nacional-Bolchevique" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Partido Nacional Bolchevique</a> na década de 1990, e sua subsequente mudança para o <em>mainstream</em> político russo após sua percepção de que ele poderia ganhar muito mais influência como conselheiro para aqueles no poder do que ele jamais poderia operar como um partido dissidente por conta própria.</p>



<p>Heiser então prossegue para dissecar a ideologia política e geopolítica de Dugin do eurasianismo. A ideia central disso é que o “eurasianismo” (pelo qual Dugin quer dizer todo o consenso ocidental) representa um ataque à organização hierárquica tradicional do mundo. Repetindo as ideias dos teóricos nazistas <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Karl Ernst Haushofer (1869 - 1946): geopolítico alemão. Muitas das suas ideias, passando pelo seu aluno Rudolf Heß, influenciaram o desenvolvimento das estratégias expansionistas de Adolf Hitler.">Karl Haushofer</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Rudolf Walter Richard (1894 - 1987): político de destaque da Alemanha Nazi. Nomeado Vice do Führer por Adolf Hitler em 1933, prestou serviço neste cargo até 1941, quando viajou de avião, sozinho, para a Escócia, numa tentativa de negociar a paz com o Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial.">Rudolf Hess</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Carl Schmitt (1888 - 1985): filósofo político, jurista, e professor universitário alemão. Membro proeminente do Partido Nazista, é considerado um dos mais significativos e controversos especialistas em direito constitucional e internacional da Europa do século XX.">Carl Schmitt</span> e <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Arthur Moeller van den Bruck (1876 - 1925): historiador e escritor alemão, mais conhecido por seu controverso livro publicado em 1923 Das Dritte Reich, que promovia o nacionalismo alemão e que exerceu uma forte influência sobre o nazista Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.">Arthur Moeller van den Bruck</span>, Dugin diz que essa ameaça liberal não é nova, mas é a ideologia do poder marítimo-cosmopolita “Atlântida”, que conspirou para subverter sociedades mais conservadoras baseadas na terra desde os tempos antigos. Assim , ele escreveu livros em que ele reconstruiu toda a história do mundo como uma batalha contínua entre essas duas facções, de Roma contra Cartago à Rússia contra a “Ordem Atlântica” anglo-saxônica hoje. Se quiser vencer sua luta contra os subversivos oceânicos portadores de ideias “racistas” (porque estrangeiras) como direitos humanos, a Rússia deve unir em torno de si todas as potências continentais, incluindo a Alemanha, a Europa Central e Oriental, as ex-repúblicas soviéticas, Turquia, Irã e Coreia, na grande União Eurasiática forte o suficiente para derrotar o Ocidente.</p>



<p>Para ser tão unida “de Lisboa a Vladivostok”, esta União Eurasiana precisará de uma ideologia definidora, e para isso Dugin desenvolveu uma nova “Quarta Teoria Política” combinando todos os pontos mais fortes do comunismo, nazismo, ecologismo e tradicionalismo, permitindo assim atrair os adeptos de todos esses diversos credos antiliberais. Ele adotaria a oposição do comunismo à livre iniciativa. No entanto, ele abandonaria o compromisso marxista com o progresso tecnológico, um ideal de origem liberal, em favor do apelo demagógico do ecologismo para deter o avanço da indústria e da modernidade. Do Tradicionalismo, ele deriva uma justificativa para parar o pensamento livre. Todo o resto vem diretamente do nazismo, desde teorias jurídicas que justificam o poder ilimitado do Estado e a eliminação dos direitos individuais, até a necessidade de populações “enraizadas” no solo, a estranhas ideias gnósticas sobre a origem secreta da raça ariana no Polo Norte.</p>



<p>O que a Rússia precisa, diz Dugin, é de um “fascismo fascista genuíno, verdadeiro, radicalmente revolucionário e consistente”. Por outro lado, “o liberalismo é um mal absoluto. (…) Somente uma cruzada global contra os EUA, o Ocidente, a globalização e sua expressão político-ideológica, o liberalismo, é capaz de se tornar uma resposta adequada. (…) O império americano deve ser destruído”.</p>



<br>



<h2 class="wp-block-heading">Heiser então fornece uma análise arrepiante da teologia de Dugin:</h2>



<br>



<p id="ContemRefNota02">Seria nossa alegação que a fusão do tradicionalismo e eurasianismo de Dugin se tornou um “movimento de massa gnóstico” do terceiro tipo, “misticismo ativista”. Não é exagero afirmar que o objetivo pretendido por Dugin, seu telos, é o Fim do Mundo, e que a realização desse objetivo depende, ele acredita, da implementação de sua ideologia. Como Dugin proclamou em seu livro recente, <a href="https://pt.scribd.com/book/506921052/The-Fourth-Political-Theory?utm_medium=cpc&amp;utm_source=google_search&amp;utm_campaign=3Q_Google_DSA_NB_RoW&amp;utm_device=c&amp;gclid=CjwKCAiApfeQBhAUEiwA7K_UH6zGKwPP2ELzW1q9rvDuW3e6k8kgfgLPm6fTTW4e-siBwHM_8vIQbxoCPc4QAvD_BwE" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><em>The Fourth Political Theory</em></a><sup><a href="#Nota02">2</a></sup>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“O fim dos tempos e o significado escatológico da política não se realizarão sozinhos. Vamos esperar pelo fim em vão. O fim nunca virá se esperarmos por ele, e nunca virá se não o fizermos (…). Se a Quarta Prática Política não for capaz de realizar o fim dos tempos, então seria inválida. O fim dos dias deve chegar, mas não virá por si só. Isso é uma tarefa, não é uma certeza. É uma metafísica ativa. É uma prática.”</p></blockquote>



<p class="img-direita"><img loading="lazy" decoding="async" width="303" height="333" class="wp-image-11459" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/03/SimbEurasianismoComLeg.jpg" alt="Símbolo do Eurasianismo">Esse desejo de provocar o fim do mundo não é um desenvolvimento repentino no pensamento de Dugin. Conforme observado na citação no início deste capítulo, já em 2001, as intenções de Dugin estavam sendo publicadas no exterior e podiam ser lidas por um público de língua inglesa. Em 2001, [Stephen] <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Stephen D. Shenfield : Ph.D., Estudos Soviéticos e Economia, Universidade de Birmingham (Reino Unido).">Shenfield</span> observa que a visão escatológica de Dugin é “maniqueísta” – ou seja, uma forma dualista de gnosticismo que vê o mundo como um campo de batalha de forças igualmente combinadas do bem e do mal, em que as forças espirituais da luz lutam com as forças materiais do mal. Nesse maniqueísmo, Dugin mistura conceitos cristãos, muitas vezes repetindo a noção de que o Ocidente é o reino do “Anticristo”. Como Shenfield cita Dugin:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“O significado da Rússia é que através do povo russo será realizado o último pensamento de Deus, o pensamento do Fim do Mundo. . . . A morte é o caminho para a imortalidade. O amor começará quando o mundo acabar. Devemos ansiar por isso, como verdadeiros cristãos. . . . Estamos desenraizando a amaldiçoada Árvore do Conhecimento. Com ela perecerá o Universo.”</p></blockquote>



<p>Shenfield então observa: “<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Aleksandr Yanov: historiador. Nasceu em 1930 na Odessa (Ucrânia).">Alexander Yanov</span>, citando essas linhas, conclui que o ‘sonho real de Dugin é a morte, antes de tudo a morte da Rússia’. Em sua resposta, Dugin evita lidar diretamente com a substância da crítica de Yanov, mas observa que não consegue apreciar o significado positivo da morte…”.</p>



<p>É difícil saber como reagir a alguém que afirma querer trazer o fim do mundo. Quando esse desejo é expresso com um forte sotaque russo, o ouvinte fica mais propenso a simplesmente descartar o orador como uma espécie de “super vilão” de um filme ruim de “ação/aventura”. É uma afirmação que evoca o riso – até que se perceba que o homem que pensa que o “significado da Rússia” é “o Fim do Mundo” é o homem cuja doutrina geopolítica está sendo implementada pelo governante da Rússia.</p>



<br>



<h2 class="wp-block-heading">Heiser continua:</h2>



<br>



<p>Dugin está bastante interessado na noção de que a era vindoura é a terceira e última era. Como Dugin escreveu em <em><a href="https://www.geopolitica.ru/pt-br/article/metafisica-do-nacional-bolchevismo" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">A Metafísica do Nacional-Bolchevismo</a></em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Além de &#8216;direitas&#8217; e &#8216;esquerdas&#8217;, há uma e indivisível Revolução, na tríade dialética &#8216;terceira Roma &#8211; Terceiro Reich &#8211; terceira Internacional&#8217;. O reino do nacional-bolchevismo, o Regnum, seu Império do Fim, é a realização perfeita da maior Revolução da história, tanto continental quanto universal. É o retorno dos anjos, a ressurreição dos heróis, a revolta do coração contra a ditadura da razão. Esta última revolução é uma preocupação do acéfalo, o portador sem cabeça da cruz, foice e martelo, coroado pelo eterno sol fylfot.”</p></blockquote>



<p>Este “Império do Fim” é marcado pela “tríade dialética” que combina “Terceira Roma – Terceiro Reich – Terceira Internacional”. Todas as expectativas de delírios messiânicos russos históricos, combinadas com os objetivos joaquimitas do nazismo e do bolchevismo soviético, supostamente encontram sua mais alta expressão nessa nova ideologia, de acordo com Dugin.</p>



<p>Finalmente, Heiser comenta sobre a adoração de Dugin ao Caos, e a adoção do símbolo oculto da “Estrela do Caos” de oito pontas como o emblema (e, quando inscrito em ouro sobre um fundo preto, a bandeira) do movimento eurasianista.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Para Dugin, o logos é substituído pelo caos, e o próprio símbolo da magia do caos é o símbolo da Eurásia: ‘O logos expirou e todos seremos enterrados sob suas ruínas, a menos que façamos um apelo ao caos e seus princípios metafísicos, e usemos como base para algo novo’. Dugin vestiu sua discussão sobre o logos na linguagem de Heidegger, mas sua terminologia não pode ser lida fora de uma tradição bíblica ocidental de 2.000 anos que associa o Logos com o Cristo, e a invocação de Dugin do caos contra o logos leva a certas conclusões inevitáveis a respeito de suas doutrinas.”</p></blockquote>



<br>



<h2 class="wp-block-heading">Em suma, o eurasianismo de Dugin é um culto satânico</h2>



<br>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/o-que-e-o-exercito/"><img loading="lazy" decoding="async" width="481" height="277" class="wp-image-11415" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/03/MilitaryArtTitleWingsHope_Peq.jpg" alt="Military Art"></a>Esta é a ideologia por trás do projeto “União Eurasiana” do regime de Putin. É para esse programa sombrio, que ameaça não apenas as perspectivas de liberdade na Ucrânia e na Rússia, mas a paz do mundo, que o ex-presidente ucraniano Victor Yanukovych tentou vender “seu” país. É contra esse programa que os corajosos <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Euromaidan" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">manifestantes do Maidan</a> se posicionaram e – com escandalosamente pouca ajuda do Ocidente – de alguma forma milagrosamente prevaleceram. É em nome desse programa que o regime de Putin criou um banho de sangue no leste da Ucrânia, que, seguindo Dugin, agora chama de “Nova Rússia”. É em nome deste programa que Dugin, com apoio maciço do governo russo, organizou uma internacional fascista de partidos marginais europeus, sem a Ucrânia, o projeto fascista da União Eurasiana de Dugin é impossível e, mais cedo ou mais tarde, a própria Rússia terá se juntado ao Ocidente e se tornado livre, deixando apenas algumas ilhas de tirania desprezadas e condenadas ao redor do globo. Mas com a Ucrânia sob os pés, o programa eurasianista pode e vai prosseguir, e uma nova cortina de ferro cairá no lugar, aprisionando uma grande fração da humanidade nas garras de um poder totalitário monstruoso que se tornará o arsenal do mal em todo o mundo nas próximas décadas. Isso significa outra guerra fria, trilhões de dólares desperdiçados em armas, crescimento acelerado do estado de segurança nacional em casa, repetidos conflitos por procuração que custam milhões de vidas no exterior, só que desta vez, nossos oponentes da Guerra Fria não serão comunistas seculares, mas verdadeiros crentes de um culto de adoração à morte que gostaria de trazer o fim do mundo.</p>



<p>Cada vitória de seu programa expansionista no exterior aumenta o poder dos eurasianistas na Rússia. Como resultado da capitulação ocidental até agora, o movimento duginista está crescendo exponencialmente, enquanto as forças da sanidade estão sendo intimidadas ou esmagadas. Se a Ucrânia cair, Vladimir Putin pode descobrir que, como os generais alemães que deram poder a Hitler, ele promoveu o nascimento de um monstro que não pode mais controlar.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Zubrin" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Robert Zubrin</a><br>Traduzido por W. Tossan<br>Via canal “Desfragmentando a Verdade” (<a href="https://t.me/DesfragmentandoAverdade" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clique aqui</a> para acessar)</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color">Notas:</p>



<ol class="wp-block-list"><li id="Nota01">“‘O império americano deveria ser destruído’: Alexandre Dugin e os perigos da escatologia imanentizada” – NE <a href="#ContemRefNota01"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li><li id="Nota02">“A quarta teoria política” – NE <a href="#ContemRefNota02"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li></ol>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: <em>“</em>Alexander Dugin<em>”</em>, por <a href="https://www.artstation.com/piresant" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Antonio Pires</a>.</p>



<br>
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		<title>O Estado laico e o ministro evangélico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Percival Puggina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 03:10:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[André Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estado Laico]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo de Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitário]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Confundir estado laico com estado ateu é como confundir estado sólido com estado gasoso (...) Diz-se laico do estado não religioso. Ateu é o estado totalitário que se faz objeto de culto. Surpreso com saber? Mais ainda ficará quando perceber que há quem queira precisamente essa anomalia para si e para todos nós.”</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Confundir estado laico com estado ateu é como confundir estado sólido com estado gasoso</em>.”<br>Percival Puggina</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<br>



<p class="has-drop-cap">Diz-se <a href="https://culturadefato.com.br/decolando-na-liberdade-aterrissando-na-escravidao/">laico do estado</a> não religioso. Ateu é o estado totalitário que se faz objeto de culto. Surpreso com saber? Mais ainda ficará quando perceber que há quem queira precisamente essa anomalia para si e para todos nós.</p>



<p>Fiquei pensando nisso ao perceber a estarrecida surpresa de muitos jornalistas brasileiros, primeiro com a indicação e, logo após, com a aprovação de <span data-tooltip="André Luiz de Almeida Mendonça: advogado e pastor presbiteriano brasileiro. Advogado da União desde 2000, foi advogado-geral da União de 2019 a 2020 e ministro da Justiça e Segurança Pública de 2020 a 2021, no governo Jair Bolsonaro. Nasceu em 1972 no litoral paulista, em Santos." data-tooltip-position="top">André Mendonça</span> para a vaga existente no <span data-tooltip="STF: Supremo Tribunal Federal." data-tooltip-position="top">STF</span>. Diversos senadores manifestaram-se, também, a respeito da tal suposta incompatibilidade. Não duvido que muitos dos votos contrários tenham sido motivados por ela. Sim, sim, no Senado há gente para todos os desgostos.</p>



<p>“Na vida e em casa, a <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/cristianismo/2021/biblia_vulgata_pe_matos_soares.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bíblia</a>; no STF, a Constituição”. A frase do ministro só não esclareceu quem, diante da luz da verdade, imediatamente coloca óculos escuros. Fotofobia da razão e da alma. O Brasil estaria bem mais feliz se os dez colegas do novo ministro tivessem a Constituição como <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/cristianismo/2021/biblia_vulgata_pe_matos_soares.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bíblia</a> de suas decisões e não a transformassem no Livro de uma seita muito particular, a serviço de suas próprias opiniões e irmandades.</p>



<p class="img-direita"><a href="#NotaFoto"><img loading="lazy" decoding="async" width="343" height="364" id="Andre" class="wp-image-10781" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/12/AndreMendonca.jpg" alt="André Mendonça"></a>Bem entendido isso, torna-se oportuno sublinhar que é discriminação e preconceito não admitir opinião ou argumento originário de algum ditame religioso, ou a ele semelhante.</p>



<p>Afirmar em tais ocasiões que “o estado é laico”, como quem passa a tranca na porta e encerra o assunto, é retórica farsante. É usar a palavra para bater a carteira do auditório.</p>



<p>Sabem por quê? Porque a única consequência da aceitação dessa trampolinagem é cassar a palavra da divergência sob uma alegação falsa. Não há o menor sentido em que opiniões com fundamento moral desconhecido ou inexistente, diferentes tradições, chavões jornalísticos, contraditórias referências científicas e até o mero querer de alguém ou de alguns sejam legitimados, mas se declare inadmissível algo inerente ou assemelhado ao saber cristão, amplamente majoritário na sociedade.</p>



<p>Com muita ênfase, os constituintes promulgaram a <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/politica_e_economia/2020/constituicao-da-republica-federativa-do-brasil.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Constituição</a> “sob a proteção de Deus”. Determinaram ser &#8220;inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livro exercício dos cultos&#8221; (<span data-tooltip="Consulte página 5, ''Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais'' e ''Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e
Coletivos''. O link anterior irá levá-lo ao documento." data-tooltip-position="top">art. 5, inc. VI</span>). Afirmaram que &#8220;ninguém será privado de direitos por motivo de crença&#8221; (<span data-tooltip="Consulte página 5, ''Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais'' e ''Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e
Coletivos''. O link anterior irá levá-lo ao documento." data-tooltip-position="top">art. 5, inc. VIII</span>).</p>



<p>Não, não são as opiniões de indivíduos ou, mesmo, de figuras públicas em que se perceba inspiração religiosa que violam a Constituição, mas as tentativas de os silenciar. Foi exatamente contra essa pretensão totalitária que os constituintes ergueram sólidas barreiras constitucionais.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/percivalpuggina/">Percival Puggina</a>.<br>Publicado no <em><a href="http://www.puggina.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">website</a></em> do autor em 5 de dezembro de 2021.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong>.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Imagem de capa: “Rússia”, da pintora russa Maria Kolyvanova. <a href="#main"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li><li id="NotaFoto">Foto: André Mendonça.  <a href="#Andre"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li></ul>



<hr class="wp-block-separator is-style-dots"/>



<br>



<p>Confira, neste áudio, alguns comentários do filósofo Olavo de Carvalho sobre Estado laico:</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://culturadefato.com.br/downloads/filosofia_e_historia/2021/OlavoDeCarvalho_EstadoLaico.mp3"></audio></figure>



<br>
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		<title>Dez princípios conservadores</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/dez-principios-conservadores/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Russell Kirk]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Nov 2021 19:23:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Edmund Burke]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Social]]></category>
		<category><![CDATA[Eric Voegelin]]></category>
		<category><![CDATA[John Randolph]]></category>
		<category><![CDATA[John Randolph of Roanoke]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Paulo Ricardo]]></category>
		<category><![CDATA[Progressistas]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel Taylor Coleridge]]></category>
		<category><![CDATA[Sir Henry Maine]]></category>
		<category><![CDATA[The Conservative Mind]]></category>
		<category><![CDATA[The Portable Conservative Reader]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já que não existe um Modelo Conservador, (...) o conservadorismo, na verdade, [é] a negação da ideologia: trata-se de um estado da mente, de um tipo de caráter, de uma maneira de olhar para a ordem social civil.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Tradução de <a href="https://padrepauloricardo.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior</a></em></p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado como <em>conservadorismo</em> não possui nem uma <a href="https://culturadefato.com.br/downloads/cristianismo/2021/biblia_vulgata_pe_matos_soares.pdf">Escritura Sagrada</a> nem um <em><a href="https://amzn.to/3CXgzUz" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Das Kapital</a></em> que lhe forneça um dogma. Na medida em que seja possível determinar o que os conservadores creem, os primeiros princípios do pensamento conservador provêm daquilo que professaram os principais escritores e homens públicos conservadores ao longo dos últimos dois séculos. Sendo assim, depois de algumas observações introdutórias a respeito deste tema geral, eu irei arrolar dez destes princípios conservadores.</p>



<p>Talvez seja mais apropriado, a maior parte das vezes, usar a palavra “conservador” principalmente como adjetivo. Já que não existe um Modelo Conservador, sendo o conservadorismo, na verdade, a negação da ideologia: trata-se de um estado da mente, de um tipo de caráter, de uma maneira de olhar para a ordem social civil.</p>



<p id="ContemNota01e02">A atitude que nós chamamos de conservadorismo é sustentada por um conjunto de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos. É quase verdade que um conservador pode ser definido como sendo a pessoa que se acha conservadora. O movimento ou o conjunto de opiniões conservadoras pode comportar uma diversidade considerável de visões a respeito de um número considerável de temas, não havendo nenhuma Lei do Teste (<em>Test Act</em>) <sup><a href="#Nota01">1</a></sup> ou Trinta e Nove Artigos (<em>Thirty-Nine Articles</em>) <sup><a href="#Nota02">2</a></sup> do credo conservador.</p>



<p class="img-direita" id="ContemNota03"><a href="https://amzn.to/3BP8rEd" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><img loading="lazy" decoding="async" width="323" height="483" class="wp-image-10502" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ThePortableConservativeReader.jpg" alt="Capa da obra: &quot;The Portable ConservativeReader&quot;, escrita por Russell Kirk (1918 – 1994)."></a>Em suma, uma pessoa conservadora é simplesmente uma pessoa que considera as coisas permanentes mais satisfatórias do que o “caos e a noite primitiva” <sup><a href="#Nota03">3</a></sup>. (Mesmo assim, os conservadores sabem, como <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Edmund Burke (1729 – 1797): político, filósofo e orador irlandês.">Burke</span>, que a saudável “mudança é o meio de nossa preservação”). A continuidade da experiência de um povo, diz o conservador, oferece uma direção muito melhor para a política do que os planos abstratos dos filósofos de botequim. Mas é claro que a convicção conservadora é muito mais do que esta simples atitude genérica.</p>



<p>Não é possível redigir um catálogo completo das convicções conservadoras; no entanto, ofereço aqui, de forma sumária, dez princípios gerais; tudo indica que se possa afirmar com segurança que a maioria dos conservadores subscreveria a maior parte destas máximas. Nas várias edições do meu livro <em><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/7003377705?ie=UTF8" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">The Conservative Mind</a></em>, fiz uma lista de alguns cânones do pensamento conservador – a lista foi sendo levemente modificada de uma edição para a outra edição; em minha antologia <em><a href="https://amzn.to/3BP8rEd" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">The Portable Conservative Reader</a></em>, ofereço algumas variações sobre este assunto. Agora, lhes apresento uma resenha dos pontos de vista conservadores que difere um pouco dos cânones que se encontram nestes meus dois livros. Por fim, as diferentes maneiras através das quais as opiniões conservadoras podem se expressar são, em si mesmas, uma prova de que o conservadorismo não é uma ideologia rígida. Os princípios específicos enfatizados pelos conservadores, em um dado período, variam de acordo com as circunstâncias e as necessidades daquela época. Os dez artigos de convicções abaixo refletem as ênfases dos conservadores americanos da atualidade.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Primeiro, um conservador crê que existe uma ordem moral duradoura.</h5>



<br>



<p>Esta ordem é feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante e as verdades morais são permanentes.</p>



<p>Esta palavra <em>ordem</em> quer dizer harmonia. Há dois aspectos ou tipos de ordem: a ordem interior da alma e a ordem exterior do estado. Vinte e cinco séculos atrás, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Platão: filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga. Nasceu em 428 a. C. ou 427 a. C., e faleceu em 348 a. C. ou 347 a. C.">Platão</span> ensinou esta doutrina, mas hoje em dia até as pessoas instruídas acham difícil de compreendê-la. O problema da ordem tem sido uma das principais preocupações dos <em>conservadores</em> desde que a palavra conservador se tornou um termo político.</p>



<p>O nosso mundo do século XX experimentou as terríveis consequências do colapso na crença em uma ordem moral. Assim como as atrocidades e os desastres da Grécia do V século a. C., a ruína das grandes nações, em nosso século, nos mostra o poço dentro do qual caem as sociedades que fazem confusão entre o interesse pessoal, ou engenhosos controles sociais, e as soluções satisfatórias da ordem moral tradicional.</p>



<p>Foi dito pelos intelectuais progressistas que os conservadores acreditam que todas as questões sociais, no fundo, são uma questão de moral pessoal. Se entendida corretamente esta afirmação é bastante verdadeira. Uma sociedade onde homens e mulheres são governados pela crença em uma ordem moral duradoura, por um forte sentido de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra, será uma boa sociedade – não importa que mecanismo político se possa usar; enquanto se uma sociedade for composta de homens e mulheres moralmente à deriva, ignorantes das normas, e voltados primariamente para a gratificação de seus apetites, ela será sempre uma má sociedade – não importa o número de seus eleitores e não importa o quanto seja progressista sua constituição formal.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade.</h5>



<br>



<p>É o costume tradicional que permite que as pessoas vivam juntas pacificamente; os destruidores dos costumes demolem mais do que o que eles conhecem ou desejam. É através da convenção – uma palavra bastante mal empregada em nossos dias – que nós conseguimos evitar as eternas discussões sobre direitos e deveres: o Direito é fundamentalmente um conjunto de convenções. Continuidade é uma forma de atar uma geração com a outra; isto é tão importante para a sociedade com o é para o indivíduo; sem isto a vida seria sem sentido. Revolucionários bem sucedidos conseguem apagar os antigos costumes, ridicularizar as velhas convenções e quebrar a continuidade das instituições sociais – motivo pelo qual, nos últimos tempos, eles têm descoberto a necessidade de estabelecer novos costumes, convenções e continuidade; mas este processo é lento e doloroso; e a nova ordem social que eventualmente emerge pode ser muito inferior à antiga ordem que os radicais derrubaram um seu zelo pelo Paraíso Terrestre.</p>



<p>Os conservadores são defensores do costume, da convenção e da continuidade porque preferem o diabo conhecido ao diabo que não conhecem. Eles creem que ordem, justiça e liberdade são produtos artificiais de uma longa experiência social, o resultado de séculos de tentativas, reflexão e sacrifício. Por isto, o organismo social é uma espécie de corporação espiritual, comparável à Igreja; pode até ser chamado de comunidade de almas. A sociedade humana não é uma máquina, para ser tratada mecanicamente. A continuidade, a seiva vital de uma sociedade não pode ser interrompida. A necessidade de uma mudança prudente, recordada por Burke, está na mente de um conservador. Mas a mudança necessária, redarguem os conservadores, deve ser gradual e descriminativa, nunca se desvencilhando de uma só vez dos antigos cuidados.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Terceiro, os conservadores acreditam no que se poderia chamar de princípio do preestabelecimento.</h5>



<br>



<p>Os conservadores percebem que as pessoas atuais são anões nos ombros de gigantes, capazes de ver mais longe do que seus ancestrais apenas por causa da grande estatura dos que nos precederam no tempo. Por isto os conservadores com frequência enfatizam a importância do <em>preestabelecimento </em>– ou seja, as coisas estabelecidas por costume imemorial, de cujo contrário não há memória de homem que se recorde. Há direitos cuja principal ratificação é a própria antiguidade – inclusive, com frequência, direitos de propriedade. Da mesma forma a nossa moral é, em grande parte, preestabelecida. Os conservadores argumentam que seja improvável que nós modernos façamos alguma grande descoberta em termos de moral, de política ou de bom gosto. É perigoso avaliar cada tema eventual tendo como base o julgamento pessoal e a racionalidade pessoal. O indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia, declarou Burke. Na política nós agimos bem se observarmos o precedente, o preestabelecido e até o preconceito, porque a grande e misteriosa incorporação da raça humana adquiriu uma sabedoria prescritiva muito maior do que a mesquinha racionalidade privada de uma pessoa.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Quarto, os conservadores são guiados pelo princípio da prudência.</h5>



<br>



<p>Burke concorda com Platão que entre os estadistas a prudência é a primeira das virtudes. Toda medida política deveria ser medida a partir das prováveis consequências de longo prazo, não apenas pela vantagem temporária e pela popularidade. Os progressistas e os radicais, dizem os conservadores, são imprudentes: porque eles se lançam aos seus objetivos sem dar muita importância ao risco de novos abusos, piores do que os males que esperam varrer. Com diz <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="John Randolph (1773 - 1833): político americano da Virgínia. Foi Ministro da Rússia sob Andrew Jackson em 1830. Foi porta-voz do presidente Thomas Jefferson na Câmara.">John Randolph of Roanoke</span>, a Providência se move devagar, mas o demônio está sempre com pressa. Sendo a sociedade humana complexa, os remédios não podem ser simples, se desejam ser eficazes. O conservador afirma que só agirá depois de uma reflexão adequada, tendo pesado as consequências. Reformas repentinas e incisivas são tão perigosas quanto as cirurgias repentinas e incisivas.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Quinto, os conservadores prestam atenção no princípio da variedade.</h5>



<br>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/a-essencia-do-conservadorismo/"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="328" class="wp-image-7874" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/04/MendingTheNation_Jon-McNaughton_Peq.jpg" alt="Obra: &quot;Mending the nation&quot;, por Jon McNaughton."></a>Eles gostam do crescente emaranhado de instituições sociais e dos modos de vida tradicionais, e isto os diferencia da uniformidade estreita e do igualitarismo entorpecente dos sistemas radicais. Em qualquer civilização, para que seja preservada uma diversidade sadia, devem sobreviver ordens e classes, diferenças em condições matérias e várias formas de desigualdade. As únicas formas verdadeiras de igualdade são a igualdade do Juízo Final e a igualdade diante do tribunal de justiça; todas as outras tentativas de nivelamento irão conduzir, na melhor das hipóteses, à estagnação social. Uma sociedade precisa de liderança honesta e capaz; e se as diferenças naturais e institucionais forem abolidas, algum tirano ou algum bando de oligarcas desprezíveis irá rapidamente criar novas formas de desigualdade.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Sexto, os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.</h5>



<br>



<p id="ContemNota04">A natureza humana sofre irremediavelmente de certas falhas graves, bem conhecidas pelos conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita poderá jamais ser criada. Por causa da inquietação humana, a humanidade tornar-se-ia rebelde sob qualquer dominação utópica e se desmantelaria, mais uma vez, em violento desencontro – ou então morreria de tédio. Buscar a utopia é terminar num desastre, dizem os conservadores: nós não somos capazes de coisas perfeitas. Tudo o que podemos esperar razoavelmente é uma sociedade que seja sofrivelmente ordenada, justa e livre, na qual alguns males, desajustes e desprazeres continuarão a se esconder. Dando a devida atenção à prudente reforma, podemos preservar e aperfeiçoar esta ordem sofrível. Mas se os baluartes tradicionais de instituição e moralidade de uma nação forem negligenciados, se dá largas ao impulso anárquico que está no ser humano: “afoga-se o ritual da inocência” <sup><a href="#Nota04">4</a></sup>. Os ideólogos que prometem a perfeição do homem e da sociedade transformaram boa parte do século XX em um inferno terrestre.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Sétimo, conservadores estão convencidos que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.</h5>



<br>



<p>Separe a propriedade do domínio privado e Leviatã se tornará o mestre de tudo. Sobre o fundamento da propriedade privada, construíram-se grandes civilizações. Quanto mais se espalhar o domínio da propriedade privada, tanto mais a nação será estável e produtiva. Os conservadores defendem que o nivelamento econômico não é progresso econômico. Aquisição e gasto não são as finalidades principais da existência humana; mas deve-se desejar uma sólida base econômica para a pessoa, a família e o estado. <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Henry James Sumner Main (1822 - 1888): jurista comparativo e historiador britânico.">Sir Henry Maine</span>, em sua <em><a href="https://amzn.to/3COzSiO" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Village Communities</a></em>, defende vigorosamente a causa da propriedade privada, como diferente da propriedade pública: “Ninguém pode ao mesmo tempo atacar a propriedade privada e dizer que aprecia a civilização. A história destas duas realidades não pode ser desintrincada”. Pois a instituição da propriedade privada tem sido um instrumento poderoso, ensinando a responsabilidade a homens e mulheres, dando motivos para a integridade, apoiando a cultura geral e elevando a humanidade acima do nível do mero trabalho pesado, proporcionando tempo livre para pensar e liberdade para agir. Ser capaz de guardar o fruto do próprio trabalho; ser capaz de ver o próprio trabalho transformado em algo de duradouro; ser capaz de deixar em herança a sua propriedade para sua posteridade; ser capaz de se erguer da condição natural da oprimente pobreza para a segurança de uma realização estável; ter algo que é realmente propriedade pessoal – estas são vantagens difíceis de refutar. O conservador reconhece que a posse de propriedade estabelece certos deveres do possuidor; ele reconhece com alegria estas obrigações morais e legais.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Oitavo, os conservadores promovem comunidades voluntárias, assim como se opõem ao coletivismo involuntário.</h5>



<br>



<p>Embora os americanos tenham se apegado vigorosamente aos direitos privados e de privacidade, também têm sido um povo conhecido por seu bem sucedido espírito comunitário. Na verdadeira comunidade, as decisões que afetam de forma mais direta as vidas dos cidadãos são tomadas no âmbito local e de forma voluntária. Algumas destas função são desempenhadas por organismos políticos locais, outras por associações privadas: enquanto permanecem no âmbito local e são caracterizadas pelo comum acordo das pessoas envolvidas, elas constituem comunidades saudáveis. Mas quando as funções, quer por deficiência, quer por usurpação, passam para uma autoridade central, a comunidade se encontra em sério perigo. Se existe algo de benéfico ou prudente em uma democracia moderna, isto se dá através da volição cooperativa. Se, então, em nome de uma democracia abstrata, as funções da comunidade são transferidas para uma coordenação política distante, o governo verdadeiro, através do consentimento dos governados, cede lugar para um processo de padronização hostil à liberdade e à dignidade humanas.</p>



<p>Uma nação não é mais forte do que as numerosas pequenas comunidades pelas quais é composta. Uma administração central, ou um grupo seleto de administradores e servidores públicos, por mais bem intencionado e bem treinado que seja, não pode produzir justiça, prosperidade e tranquilidade</p>



<p> para uma massa de homens e mulheres privada de suas responsabilidades de outrora. Esta experiência já foi feita; e foi desastrosa. É a realização de nossos deveres em comunidade que nos ensina a prudência, a eficiência e a caridade.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Nono, o conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.</h5>



<br>



<p>Politicamente falando, poder é a capacidade de se fazer aquilo que se queira, a despeito da aspiração dos próprios companheiros. Um estado em que um indivíduo ou um pequeno grupo é capaz de dominar as aspirações de seus companheiros sem controles é um despotismo, quer seja monárquico, aristocrático ou democrático. Quando cada pessoa pretende ser um poder em si mesmo, então a sociedade se transforma numa anarquia. A anarquia nunca dura muito tempo, já que, sendo intolerável para todos e contrária ao fato irrefutável de que algumas pessoas são mais fortes e espertas do que seus próximos. À anarquia sucede a tirania ou a oligarquia, nas quais o poder é monopolizado por pouquíssimos.</p>



<p>O conservador se esforça por limitar e balancear o poder político para que não surjam nem a anarquia, nem a tirania. No entanto, em todas as épocas, homens e mulheres foram tentados a derrubar os limites colocados sobre o poder, a favor de um capricho temporário. É uma característica do radical que ele pense o poder como uma força para o bem – desde que o poder caia em suas mãos. Em nome da liberdade, os revolucionários franceses e russos aboliram os limites tradicionais ao poder; mas o poder não pode ser abolido; e ele sempre acha um jeito de terminar nas mãos de alguém. O poder que os revolucionários pensavam ser opressor nas mãos do antigo regime, tornou-se muitas vezes mais tirânico nas mãos dos novos mestres do estado.</p>



<p>Sabendo que a natureza humana é uma mistura do bem e do mal, o conservador não coloca sua confiança na mera benevolência. Restrições constitucionais, freios e contrapesos políticos (<em>checks and balances</em>), correta coerção das leis, a rede tradicional e intricada de contenções sobre a vontade e o apetite – tudo isto o conservador aprova como instrumento de liberdade e de ordem. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Décimo, o pensador conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.</h5>



<br>



<p class="img-direita"><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8580331447/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8580331447&amp;linkCode=as2&amp;tag=culturateca-20&amp;linkId=3d0efdf08cfc3d0ddc44cd7ce0ba875d" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="449" class="wp-image-3793" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/APoliticaDaPrudencia.jpg" alt="Capa da obra &quot;A Política da Prudência&quot;, escrita por Russell Kirk (1918 – 1994)."></a>O conservador não se opõe ao aprimoramento da sociedade, embora ele tenha suas dúvidas sobre a existência de qualquer força parecida com um místico Progresso, com P maiúsculo, em ação no mundo. Quando uma sociedade progride em alguns aspectos, geralmente ela está decaindo em outros. O conservador sabe que qualquer sociedade sadia é influenciada por duas forças, que <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Samuel Taylor Coleridge (1772 - 1834): comumente designado por S. T. Coleridge, foi um poeta, crítico e ensaista inglês, considerado, ao lado de seu colega William Wordsworth, um dos fundadores do romantismo na Inglaterra.">Samuel Taylor Coleridge</span> chamou de Conservação e Progressão (<em>Permanence and Progression</em>). A Conservação de uma sociedade é formada pelos interesses e convicções duradouros que nos dão estabilidade e continuidade; sem esta a Conservação as fontes do grande abismo se dissolvem, a sociedade resvala para a anarquia. A Progressão de uma sociedade é aquele espírito e conjunto de talentos que nos instiga a realizar uma prudente reforma e aperfeiçoamento; sem esta Progressão, um povo fica estagnado. Por isto o conservador inteligente se esforça por reconciliar as reivindicações da Conservação e as reivindicações da Progressão. Ele pensa que o progressista e o radical, cegos aos justos reclamos da Conservação, colocariam em perigo a herança que nos foi legada, num esforço de nos apressar na direção de um duvidoso Paraíso Terrestre. O conservador, em suma, é a favor de um razoável e moderado progresso; ele se opõe ao culto do Progresso, cujos devotos creem que tudo o que é novo é necessariamente superior a tudo o que é velho.</p>



<p>O conservador raciocina que a mudança é essencial para um corpo social da mesma forma que o é para o corpo humano. Um corpo que deixou de se renovar, começou a morrer. Mas se este corpo deve ser vigoroso, a mudança deve acontecer de uma forma harmoniosa, adequando-se à forma e à natureza do corpo; do contrário a mudança produz um crescimento monstruoso, um câncer que devora o seu hospedeiro. O conservado cuida para que numa sociedade nada nunca seja completamente velho e que nada nunca seja completamente novo. Esta é a forma de conservar uma nação, da mesma forma que é o meio de conservar um organismo vivo. Quanta mudança seja necessária em uma sociedade, e que tipo de mudança, depende das circunstâncias de uma época e de uma nação.</p>



<br>



<hr class="wp-block-separator is-style-dots"/>



<br>



<p>Assim, este são os dez princípios que tiveram grande destaque durante os dois séculos do pensamento conservador moderno. Outros princípios de igual importância poderiam ter sido discutidos aqui: a compreensão conservadora de justiça, por exemplo, ou a visão conservadora de educação. Mas estes temas, com o tempo que passa, eu deverei deixar para a sua investigação pessoal.</p>



<p><span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Eric Voegelin (1901 - 1985): filósofo, historiador e cientista político alemão radicado nos Estados Unidos.">Eric Voegelin</span> costumava dizer que a grande linha de demarcação na política moderna não é a divisão entre progressistas de um lado e totalitários do outro. Não, de um lado da linha estão todos os homens e mulheres que imaginam que a ordem temporal é a única ordem e que as necessidades materiais são as únicas necessidades e que eles podem fazer o que quiserem do patrimônio da humanidade. No outro lado da linha estão todas as pessoas que reconhecem uma ordem moral duradoura no universo, uma natureza humana constante e deveres transcendentes para com a ordem espiritual e a ordem temporal.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right img-esquerda"><a href="https://culturadefato.com.br/author/russellkirk/"><img loading="lazy" decoding="async" width="152" height="139" class="wp-image-10491" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RussellKirk.jpg" alt="Russell Kirk"></a><br>Escrito por <a href="https://culturadefato.com.br/author/russellkirk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Russell Kirk</a> (1918 – 1994).<br> Tradução de <a href="https://padrepauloricardo.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior</a>.<br>Artigo original: <a href="http://www.kirkcenter.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">http://www.kirkcenter.org</a><br>(atualmente indisponível).</p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color">Notas:</p>



<ol class="wp-block-list"><li id="Nota01"><em>Test Act</em> &#8211; Lei inglesa de 1673 que exigia dos titulares de cargos civis e militares professarem a fé da Igreja Anglicana através de uma fórmula de juramento (N. do T.). <a href="#ContemNota01e02"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li><li id="Nota02">Declaração oficial da doutrina da Igreja Anglicana (N. do T.). <a href="#ContemNota01e02"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li><li id="Nota03">A frase “Chaos and old Night” provém do poema épico de <span data-tooltip="John Milton (1608 - 1674): poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês, servindo como Secretário de Línguas Estrangeiras da Comunidade da Inglaterra sob Oliver Cromwell." data-tooltip-position="top">John Milton</span> <em><a href="https://amzn.to/3bKujGm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Paradise Lost</a></em> (Book I; line 544). Milton usa esta frase para se referir à “matéria” a partir da qual Deus ordenou e criou o mundo (N. do T.). <a href="#ContemNota03"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li><li id="Nota04">William Buttler Yeats, <em>The Second Coming</em> (N. do T.). <a href="#ContemNota04"><img loading="lazy" decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li></ol>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa: “<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Justice for all, em português: ''Justiça para todos''."><em>Justice for all</em></span>”, do artista americano <a href="https://jonmcnaughton.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Jon McNaughton</a>.</p>



<br>
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		<title>Os verdadeiros terraplanistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Percival Puggina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2021 17:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Karl Marx]]></category>
		<category><![CDATA[Lei Natural]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Freire]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Se não existirem normas que se possam extrair da natureza do ser humano, tudo será segundo a vontade dos príncipes, sem que haja qualquer sentido em interrogá-los sobre seus fundamentos morais.”</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>O moralista é como um sinal de trânsito que indica para onde se pode ir, mas não vai.</em>”<br>Charles John Huffam Dickens (1812 &#8211; 1870): romancistas inglês da era vitoriana.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">A linha de frente do atraso é formada por aqueles que cultuam, entre nós, as ideias mais erradas que a humanidade produziu. Ouvi-los e lê-los permite prever o que acontecerá quando aberta a porta para desembarque no mundo com que sonham: as mentes intoxicadas, a dependência psicológica dos erros, o totalitarismo e o precipício.</p>



<p>Há ideias políticas que são, mesmo, como as drogas. Afetam o usuário, comprometem seu ambiente e estragam vidas. Algumas têm efeito cumulativo e causam danos generalizados. Vivemos tempos em que pais e mães, educadores, religiosos, formadores de opinião deveriam estar atentos em relação a conteúdos tão em voga no mundo aparentemente inocente das ideias.</p>



<p>Exemplifico. Certa feita, enquanto frequentava aulas de Teologia numa universidade católica, um douto amigo surpreendeu-se com a permanente utilização pelo professor, não por acaso um religioso, de farto material didático de extração marxista e de análise marxista em suas dissertações à turma. Tão monocórdio conteúdo levou o aluno a interpelá-lo: “Professor, por que o senhor apela tanto para a doutrina marxista em suas aulas?”. Conta ele que o sujeito olhou-o detidamente, como que surpreso com a indagação, pensou um pouco e o desafiou: “Quem eu usaria, em lugar de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Revolucionário socialista, nascido na Prússia em 1818. Faleceu em 1883.">Marx</span>?”. Diante da turma em expectante silêncio, meu amigo retrucou: “Professor! O senhor percebe que usou as palavras de Pedro para Jesus? – ‘Mestre, a quem iremos?’ –. O senhor acabou de revelar a quem vai sua fidelidade, professor!”.</p>



<p>O marxismo é uma dessas drogas servidas por terraplanistas ideológicos em repetidas doses como suplemento alimentar das mentes. É ele, e só ele, que justifica o culto aos disparates pedagógicos de <a href="https://culturadefato.com.br/qual-o-problema-da-homenagem-do-google-a-paulo-freire/">Paulo Freire</a>.</p>



<p>Outra droga sustenta não existir uma “<a href="https://culturadefato.com.br/lei-do-certo-e-do-errado/">lei natural</a>” decorrente da natureza humana. O combate debochado aos bons princípios e valores vem dessa negação. O terraplanismo filosófico leva ao relativismo moral e à desordem em que vivemos.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/lei-do-certo-e-do-errado/"><img decoding="async" class="wp-image-9326" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Justica_CantosEsfumacados.jpg" alt="Estátua da justiça"></a>Segundo o relativismo moral, nada se deduz daquilo que somos em relação ao que devemos ser. Será que os bons pais e mães que me leem concordarão com isso ao meditarem sobre suas funções paternais? Esse mal ataca e prospera, levando à letargia das consciências. Droga desastrosa e de fácil acesso.</p>



<p>Terrível terraplanismo filosófico!</p>



<p>Se não existirem normas que se possam extrair da natureza do ser humano, tudo será segundo a vontade dos príncipes, sem que haja qualquer sentido em interrogá-los sobre seus fundamentos morais.</p>



<p>É por isso que o <span data-tooltip="STF: Supremo Tribunal Federal." data-tooltip-position="top">STF</span> e o Congresso têm feito muito do que fazem.</p>



<p>Ao transferirmos para o Estado a edição e administração de uma errática lei moral, renunciamos ao tesouro da <a href="https://culturadefato.com.br/lei-do-certo-e-do-errado/">Lei Natural</a>. Vale dizer: abdicamos a muito de nossa essência humana e transformamos o Estado em poderoso “educador moral”, coisa que ele, como não cansa de nos demonstrar, tem nenhuma condição de ser. É o que está acontecendo no Brasil e foi contra isso, à beira do precipício, que nos insurgimos em 2018.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Por <a href="https://culturadefato.com.br/author/percivalpuggina/">Percival Puggina</a>.<br>Publicado no <em><a href="http://www.puggina.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">website</a></em> do autor em 25 de setembro de 2021.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa: “<span data-tooltip-position="top" data-tooltip="The Earth, em português: ''A Terra''."><em>The Earth</em></span>”, do artista ucraniano Sergey Ruban.</p>



<br>
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