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	<title>Rodrigo Gurgel, Autor em Cultura de Fato</title>
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	<description>Cultura para evocar inteligência, responsabilidade e ética!</description>
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	<title>Rodrigo Gurgel, Autor em Cultura de Fato</title>
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		<title>G. K. Chesterton e o senso de realidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Gurgel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Apr 2023 03:00:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e História]]></category>
		<category><![CDATA[Ettiénne Gilson]]></category>
		<category><![CDATA[Excerto de Livro]]></category>
		<category><![CDATA[G. K. Chesterton]]></category>
		<category><![CDATA[Gnosiológico]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Luis Borges]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Raros escritores têm o dom que Jorge Luis Borges percebeu, com acerto, no autor de Ortodoxia: '<em>A obra de Chesterton é vastíssima e não contém uma só página que não ofereça uma felicidade</em>'. Entretanto, mais que satisfação ou alegria, a crônica que publico encerra, inclusive, uma questão de fundo gnosiológico.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>A razão é, em si mesma, uma questão de fé.</em><br><em>É um ato de fé afirmar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Gilbert">G</span>. <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Keith">K</span>. Chesterton (1874 – 1936)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Raros escritores têm o dom que <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 - 1986), escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.">Jorge Luis Borges</span> percebeu, com acerto, no autor de <em><a href="https://amzn.to/3tlacpq" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Ortodoxia</a></em>: “A obra de <span data-tooltip="Gilbert Keith Chesterton (1874 - 1936): mais conhecido como G. K. Chesterton foi um escritor inglês." data-tooltip-position="top">Chesterton</span> é vastíssima e não contém uma só página que não ofereça uma felicidade”. Entretanto, mais que satisfação ou alegria, a crônica que publico abaixo encerra, inclusive, uma questão de fundo <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Filosofia do conhecimento e da cognição">gnosiológico</span>: a de que as coisas são reais; e isso independe das nossas sensações. Certeza que produz conseqüências infindáveis não só para o exercício da filosofia, mas para a criação literária e, principalmente, para o nosso anônimo dia-a-dia. Ao final dessa divertida crônica, quando Chesterton finalmente desce do táxi, ele pode repetir, com <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Étienne Gilson (1884 - 1978), filósofo, historiador da filosofia e um dos mais destacados autores da filosofia Neoescolástica, especialista no estudo da obra de Santo Tomás de Aquino.">Ettiénne Gilson</span>: “O conhecimento é a unidade vivida e experimentada de um entendimento e de algo real apreendido”.</p>



<p>“O taxista extraordinário” faz parte do volume <em><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8563160214/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8563160214&amp;linkCode=as2&amp;tag=culturateca-20&amp;linkId=d846c27b07793580a38351511e899f80" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Tremendas trivialidades</a></em>, publicado, no Brasil, pela Editora Ecclesiae:</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">O taxista extraordinário</h2>



<br>



<p class="has-drop-cap">De tempos em tempos apresento nesta coluna de jornal a narração de incidentes que realmente ocorreram. Não quero insinuar que neste aspecto ela seja única entre as colunas de jornal. Só quero dizer que percebi que meu objetivo era melhor expresso por uma parábola prática da vida diária do que por qualquer outro método; portanto, proponho-me a narrar o incidente do taxista extraordinário, que ocorreu comigo há apenas três dias e que, insignificante como parece ser, provocou em mim um momento de genuína emoção, beirando o desespero.</p>



<p>No dia em que encontrei o estranho taxista, estivera almoçando em um pequeno restaurante em Soho<a href="#Nota01"><sup id="ContemRefNota01">1</sup></a> na companhia de três ou quatro de meus melhores amigos. Meus melhores amigos são todos céticos insondáveis ou crentes incontroláveis, de forma que nossa discussão do almoço enveredou pelas mais extremas e terríveis idéias. E toda a discussão chegou afinal a isto: que a questão é se um homem pode ter certeza de alguma coisa. Penso que sim, porque (como disse a meu amigo, brandindo furiosamente uma garrafa vazia) se for intelectualmente impossível ter certeza, o que é essa certeza que é impossível ter? Se nunca tive a experiência de algo como a certeza, não posso nem sequer dizer que uma coisa seja incerta. Da mesma forma, se nunca tive a experiência do verde não posso nem mesmo dizer que meu nariz não é verde. Até onde sei, ele pode ser tão verde quanto for possível se eu realmente não tiver nenhuma experiência do verdor. Assim, gritamos uns com os outros e fizemos a sala estremecer, porque a metafísica é a única coisa totalmente emocional que existe. E a diferença entre nós era muito profunda, porque era uma diferença com relação ao objeto daquilo que se chama abertura de mente. Pois meu amigo dizia que abria seu intelecto como o sol abre as folhas de uma palmeira, abrindo pela abertura em si, abrindo infinitamente e para sempre. Mas eu disse que abria meu intelecto como abria minha boca, para fechá-la novamente em algo sólido. Estava fazendo exatamente isso naquele momento. E como corretamente apontei, pareceria uma tolice notável se continuasse abrindo minha boca infinitamente, para todo o sempre.</p>



<p>Quando a discussão terminou, ou ao menos quando foi interrompida (pois nunca terminará), saí com um de meus companheiros, que na confusão e relativa insanidade de uma Eleição Geral havia de alguma forma tornado-se membro do Parlamento, e fui com ele de táxi da esquina de Leicester Square<a href="#Nota02"><sup id="ContemRefNota02">2</sup></a> até a entrada dos membros da Câmara dos Comuns, onde a polícia recebeu-me com uma tolerância incomum. Se pensaram que ele era meu guarda-costas ou que eu era o dele é uma discussão que ainda persiste entre nós.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8563160214/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8563160214&amp;linkCode=as2&amp;tag=culturateca-20&amp;linkId=d846c27b07793580a38351511e899f80" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="343" height="471" class="wp-image-4385" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TremendasTrivialidades.jpg" alt="Capa da obra: “Tremendas trivialidades”. Autor: G. K. Chesterton (1874 – 1936). Tradutor: Mateus Leme. Publicado pela Editora Ecclesiae, sob ISBN: 9788563160218."></a>Nesta narrativa é necessário preservar os detalhes com a maior exatidão possível. Após deixar meu amigo na Câmara, tomei o táxi por mais algumas centenas de metros para um escritório que precisava visitar na rua Victoria<a href="#Nota03"><sup id="ContemRefNota03">3</sup></a>. Saí do carro e paguei ao taxista mais do que devia. Ele olhou para o dinheiro, mas não com a dúvida carrancuda e disposição geral de impacientar-se não de todo desconhecida entre taxistas normais. Mas este não era um taxista normal, talvez nem mesmo humano. Ele contemplou o dinheiro com um espanto lento e infantil, claramente genuíno. “O senhor percebeu”, disse-me, “que me deu apenas 1 shilling e 8 pence?” Retruquei, com alguma surpresa, que de fato sabia. “Agora, sabe, senhor”, disse ele de uma maneira bondosa, simpática, razoável, “esta não é a tarifa desde Euston<a href="#Nota04"><sup id="ContemRefNota04">4</sup></a>”. “Euston”, repeti vagamente, pois o termo naquele momento soou-me como China ou Arábia. “O que Euston tem a ver com isso?” “O senhor me chamou logo ao lado da estação de Euston”, disse o homem com impressionante precisão, “e então o senhor disse — ”. “Do que, em nome do Tártaro, você está falando?”, eu disse com paciência cristã. “Entrei no seu táxi na esquina sudoeste de Leicester Square”. “Leicester Square”, exclamou ele, extravasando uma espécie de torrente de escárnio, “mas se nós nem mesmo passamos perto de Leicester Square hoje. O senhor me chamou fora da estação de Euston, e o senhor disse — ”. “Você está louco, ou estou eu?”, perguntei com calma científica. Olhei para o homem. Nenhum taxista ordinário e desonesto pensaria em criar uma mentira tão sólida, colossal e criativa. E esse homem não era um taxista desonesto. Se alguma vez existiu uma face humana séria e simples e humilde, e com grandes olhos azuis protraindo como os de um sapo, se alguma vez (em resumo) houve uma face humana que fosse tudo o que uma face humana deveria ser, era a face daquele ressentido e respeitoso taxista. Perscrutei a rua de um lado ao outro; um crepúsculo estranhamente escuro parecia aproximar-se. E por um segundo o velho pesadelo do cético pôs o dedo na minha ferida. O que era a certeza? Alguém podia ter certeza de qualquer coisa? Céus! E pensar na rotina monótona dos céticos que insistem em perguntar se há uma vida futura. A excitante questão do verdadeiro ceticismo é se possuímos uma vida passada. O que é o minuto passado, do ponto de vista racionalista, senão uma tradição e uma foto? A escuridão aumentou na rua. O taxista me deu calmamente os mais elaborados detalhes dos gestos, palavras, da complexa mas consistente seqüência de ações que eu havia tomado desde aquela notável ocasião em que o chamara ao lado da estação de Euston. Como eu sabia (diriam meus amigos céticos) que não o havia chamado em Euston? Eu estava firme na minha asserção; ele estava igualmente firme na sua. Ele era obviamente um homem tão honesto quanto eu, e membro de uma profissão muito mais respeitável. Naquele instante o universo e as estrelas estiveram por apenas um fio de perder o equilíbrio, e os alicerces da terra se moveram. Mas pela mesma razão pela qual acredito na democracia, pela mesma razão pela qual acredito na liberdade, pela mesma razão pela qual acredito no caráter fixo da virtude, razão essa que só pode ser expressa pela afirmação de que eu escolho não ser um lunático, continuei a acreditar que este honesto taxista estava errado, e repeti-lhe que na realidade o havia chamado na esquina de Leicester Square. Ele começou, com a mesma evidente e ponderada sinceridade, “O senhor me chamou na saída da estação de Euston, e o senhor disse…”</p>



<p>E naquele momento sua face sofreu uma espécie de assustada transfiguração de puro assombro, como se tivesse sido iluminada por dentro com uma lâmpada. “Puxa, perdoe-me, senhor”, disse ele. “Perdoe-me. Perdoe-me. O senhor me chamou em Leicester Square. Lembrei-me agora. Perdoe-me”. E com isso aquele homem espantoso brandiu seu chicote em seu cavalo com um estalido cortante e foi embora sacolejando. Toda essa conversa, juro perante a bandeira de São Jorge, é estritamente verdade.</p>



<p>Contemplei o estranho taxista enquanto sumia na distância e no nevoeiro. Não sei se estava certo em imaginar que, embora sua face parecesse tão honesta, havia nele algo sobrenatural e demoníaco quando visto de costas. Talvez tivesse sido enviado para tentar minha adesão àquelas sanidades e certezas que defendera mais cedo naquele dia. De qualquer forma agradou-me lembrar que meu senso de realidade, embora tivesse balançado por um instante, permaneceu de pé.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Rodrigo Gurgel</a>.<br>Publicado originalmente em 30 de junho de 2012 no <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>website</em> do autor</a>.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color">Notas:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><span id="Nota01"></span>Região boêmia do West End, área do centro-oeste de Londres que concentra espetáculos teatrais e parte da vida noturna da cidade. <a href="#ContemRefNota01"><img decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li>



<li><span id="Nota02"></span>Praça localizada no West End, um pouco a sudeste de Soho. <a href="#ContemRefNota02"><img decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li>



<li><span id="Nota03"></span>Importante rua que liga a região do Palácio de Buckingham ao Parlamento. <a href="#ContemRefNota03"><img decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li>



<li><span id="Nota04"></span>Estação ferroviária e avenida vários quarteirões ao norte de Soho, próximas à Biblioteca Britânica. <a href="#ContemRefNota04"><img decoding="async" width="14" height="10" class="wp-image-105" style="width: 14px;" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Subir.jpg" alt="Subir"></a></li>
</ol>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Taxi-Jaune</em>” (2019), por Gilles Clairin.</p>



<br>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<br>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Leia outros artigos sobre G. K. Chesterton, ou escritos por ele mesmo:</h2>



<br>



<section id="gmcbaa208" class="wp-block-gutentor-m0 alignfull section-gmcbaa208 gutentor-module gutentor-module-carousel has-color-bg has-custom-bg gutentor-slick-a-default-desktop gutentor-slick-a-default-tablet gutentor-slick-a-default-mobile"><div class="grid-container"><div class="gutentor-module-carousel-row" data-dots="false" data-dotstablet="false" data-dotsmobile="false" data-arrows="true" data-arrowstablet="true" data-arrowsmobile="true" data-infinite="true" data-autoplay="true" data-draggable="true" data-pauseonfocus="true" data-pauseonhover="true" data-autoplayspeed="4500" data-cmondesktop="false" data-cmontablet="false" data-cmonmobile="false" data-nextarrow="fas fa-angle-right" data-prevarrow="fas fa-angle-left" data-arrowspositiondesktop="gutentor-slick-a-default-desktop" data-arrowspositiontablet="gutentor-slick-a-default-tablet" data-arrowspositionmobile="gutentor-slick-a-default-mobile" data-speed="300" data-slideitemdesktop="2" data-slideitemtablet="3" data-slideitemmobile="2" data-slidescroll-desktop="2" data-slidescroll-tablet="3" data-slidescroll-mobile="2">
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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/paradoxos-do-cristianismo/"><em>Paradoxos do cristianismo</em><br></a>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><em><a href="https://culturadefato.com.br/o-espirito-de-natal/">O espirito de Natal</a></em><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><em><a href="https://culturadefato.com.br/uma-defesa-das-historias-de-detetive/">Uma defesa das histórias de detetive</a></em><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><em><a href="https://culturadefato.com.br/tres-excertos-da-obra-ortodoxia-de-chesterton/">T</a></em><a href="https://culturadefato.com.br/g-k-chesterton-e-o-senso-de-realidade/"><em>rês excertos da obra “Ortodoxia”, de Chesterton</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/g-k-chesterton-e-o-senso-de-realidade/"><em>G. K. Chesterton e o senso de realidade</em></a><br>Por Rodrigo Gurgel</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/ortodoxia-de-chesterton/"><em>Ortodoxia, de Chesterton</em></a><br>Por Fabio Blanco</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/viagem-de-um-ao-mesmo-lugar/"><em>Viagem de um ao memo lugar</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/autoconfianca-dos-patifes-e-a-origem-da-obra-ortodoxia-de-chesterton/"><em>Autoconfiança dos patifes é a origem da obra “Ortodoxia” de Chesterton</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<div id="section-ge94c41" class="wp-block-gutentor-e6 section-ge94c41 gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/tremendas-trivialidades/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TheGardenMonet.jpg" alt="Obra &quot;The Artist's Family in the Garden&quot;, por CLaude Monet (1840 - 1926)." /></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/tremendas-trivialidades/"><em>Tremendas trivialidades</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/um-pedaco-de-giz/"><em>Um pedaço de giz</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/catedraticos-e-homens-pre-historicos/"><em>Catedráticos e homens pré-históricos</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/conhecendo-a-idade-media/"><em>Conhecendo a Idade Média</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>



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<div id="section-g3c3c8a" class="wp-block-gutentor-e6 section-g3c3c8a gutentor-element gutentor-element-image"><div class="gutentor-element-image-box"><a class="gutentor-element-image-link" href="https://culturadefato.com.br/doentes-pacientes-pecadores-impacientes/"><div class="gutentor-image-thumb"><img decoding="async" class="normal-image" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Guarda-Chuvas.jpg" alt="Diversos guarda-chuvas na cor preta e um amarelo" /></div></a></div></div>



<p class="has-text-align-center"><a href="https://culturadefato.com.br/doentes-pacientes-pecadores-impacientes/"><em>Doentes pacientes; pecadores impacientes</em></a><br>Por G. K. Chesterton</p>
</div></div>
</div></div></section>



<br>
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		<title>Como conseguir ideias e escrever suas histórias?</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/como-conseguir-ideias-e-escrever-suas-historias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Gurgel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Feb 2023 18:34:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Djurna Barnes]]></category>
		<category><![CDATA[Fiódor Dostoiévski]]></category>
		<category><![CDATA[Flaubert]]></category>
		<category><![CDATA[Hemingway]]></category>
		<category><![CDATA[Henry James]]></category>
		<category><![CDATA[Homero]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Conrad]]></category>
		<category><![CDATA[Leopardi]]></category>
		<category><![CDATA[Manzoni]]></category>
		<category><![CDATA[Tolstói]]></category>
		<category><![CDATA[Virgílio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“O candidato a escritor deve perceber, antes de tudo, que a literatura pode nascer — e costuma nascer — de fatos, de eventos aparentemente banais. Ou seja, nada é banal.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Paul Thomas Mann foi um romancista alemão, autor de contos, novelas, ensaios políticos e obras primas.">Thomas Mann</span> (1875 &#8211; 1955)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">Meus alunos sempre querem saber como conseguir ideias e escrever suas histórias. São dois problemas diferentes, duas etapas de um mesmo processo — e explico ambas neste breve artigo.</p>



<p>Quando você é um escritor principiante, muitas vezes ainda preso ao mito da inspiração, o processo de criar um texto parece esconder algum tipo de segredo, a chave para uma conexão direta com os deuses.</p>



<p>A principal dificuldade, contudo, é anterior a essa angústia: trata-se de superar certa idealização da literatura, superar o senso comum de que os textos devem partir de uma ideia rara, única, ou até mesmo genial. Ou seja, o candidato a escritor deve perceber, antes de tudo, que a literatura pode nascer — e costuma nascer — de fatos, de eventos aparentemente banais. Ou seja, nada é banal.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/palavras-gordas-ideias-magras/"><img decoding="async" width="619" height="351" class="wp-image-12691" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ALeituraPeq.jpg" alt="Recorte da obra: &quot;A Leitura&quot;, de Emilie Claus (1849 - 1924). Tamanho pequeno."></a>Esse é o primeiro passo, pois mostra ao escritor que há uma história esperando por ele em todos os lugares, em todas as situações, incluindo as mais vulgares. Trata-se, apenas, de saber olhar.</p>



<p>Resolvida essa questão, poderíamos concentrar a a primeira parte da resposta em três pontos que se complementam:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Ser curioso. Estar atento ao que nos rodeia e ao nosso íntimo. Um gesto; um diálogo com lacunas sugestivas, ouvido sem querer no balcão da padaria; a cadência dos passos de uma mulher que vemos na rua, como no soneto de <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Charles Pierre Baudelaire (1821 - 1867): poeta boêmio, dândi, flâneur e teórico da arte francesa.">Baudelaire</span>, “<a href="https://poesiaspoemaseversos.com.br/a-une-passante-baudelaire/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">À une passante</a>”; uma lembrança perturbadora, feliz ou humilhante, desencadeada por motivos inesperados ou obscuros; a compaixão, como <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Gustave Flaubert (1821 - 1880): escritor francês.">Flaubert</span> e sua forma de observar as mulheres: “Eu conheci suas dores, pobres almas obscuras, úmidas de melancolia guardada, como estes pátios fundos das casas de província, cujos muros estão cheios de musgo”; ou o ódio, como <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Djuna Barnes (1892 - 1982): escritora norte americana.">Djurna Barnes</span>, que dizia escrever às vezes “de dentes cerrados”, com uma caligrafia “tão cruel quanto uma adaga” — tudo serve à literatura.</li>



<li>Ler é essencial. Não o romancinho de 40 páginas da escritora <em>super-hiper-neo-moderna</em>, mas os clássicos: <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Liev Nikoláievich Tolstói (1828 – 1910): escritor do Império Russo, conhecido por Leon Tolstói.">Tolstói</span>, <span data-tooltip-position="bottom" data-tooltip="Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821 - 1881): escritor do Império Russo.">Dostoiévski</span>, <span data-tooltip="Henry James, Jr. (1843 - 1916): escritor nascido nos Estados Unidos e naturalizado britânico. Uma das principais figuras do realismo na literatura do século XIX." data-tooltip-position="top">Henry James</span>, <span data-tooltip="Joseph Conrad (1857 - 1924): nascido Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski foi um escritor britânico de origem polonesa." data-tooltip-position="bottom">Joseph Conrad</span>, <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Ernest Miller Hemingway (1899 - 1961): escritor norte-americano.">Hemingway</span>, <span data-tooltip="Homero (750 a. C. - 898 a. C.): poeta épico da Grécia Antiga, ao qual tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia." data-tooltip-position="bottom">Homero</span>, <span data-tooltip="Públio Virgílio Maro (70 a. C. - 19 a. C.), poeta romano clássico, autor de três grandes obras da literatura latina, as Éclogas, as Geórgicas, e a Eneida." data-tooltip-position="top">Virgílio</span>, <span data-tooltip="Giacomo Leopardi (1798 - 1837): um dos maiores expoentes da poesia italiana." data-tooltip-position="bottom">Leopardi</span>, <span data-tooltip="Alessandro Francesco Tommaso Manzoni (1785 - 1873): poeta, romancista e filósofo italiano." data-tooltip-position="top">Manzoni</span>… E ler de forma atenta, não apenas para se entreter. É preciso abandonar a leitura infantil, de quem apenas <em>escaneia </em>a página e permanece refém da própria imaginação — e ler com malícia, argúcia, agudeza de espírito, procurando dissecar a forma como o escritor elabora seu texto, como ele conduz seus personagens através das diferentes cenas, como descreve, narra, constrói suas frases, arranja os parágrafos, intercala os capítulos.<br><br>E, talvez o mais difícil:<br></li>



<li>Assumir uma postura ativa em relação à escrita, colocar-se predisposto ao trabalho de escrever. Milhares de ideias morrem porque ficam na mente do candidato a escritor que se deixa vencer pela preguiça ou pela timidez.</li>
</ol>



<p>Mas o fundamental, repito, é estar predisposto a uma nova forma de olhar a realidade: estar aberto à riqueza, à complexidade que a vida oferece.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Antes de escrever, planejar</h3>



<br>



<p>Depois que o escritor encontra sua ideia, o que deve fazer?</p>



<p>Não se enganem: escrever requer coragem — e também persistência.</p>



<p>É preciso permitir, sem pressa, que o tema, a ideia central, o protagonista, os principais cenários, tudo ganhe vida dentro de você.</p>



<p>Não seria demais comparar esse processo ao que experimentam os lepidópteros: de ovo a lagarta, depois crisálida, e só então borboleta. Lentos meses. Assim o escritor toma notas, reflete, dialoga consigo mesmo. Longos meses ruminando sua ideia, burilando-a, observando-a sob diferentes perspectivas, acrescentando novos elementos, novos personagens — e sem, ainda, escrever.</p>



<p>A seguir, é preciso construir o argumento — a sucessão cronológica dos fatos que compõem a história. E quanto mais minuciosa for essa cronologia, mais fácil será, depois, dar vida à narrativa.</p>



<p class="img-direita"><img loading="lazy" decoding="async" width="450" height="659" class="wp-image-14882" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Fluxo.jpg" alt="">Não importa quanto tempo demorará e não importa o seu método de trabalho: escrever na parede do quarto, colar post-its na porta do banheiro, fixar anotações num quadro de cortiça, utilizar um <em>software</em> como <a href="https://www.literatureandlatte.com/scrivener/overview" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Scrivener</a> — o importante é detalhar a história com obstinação.</p>



<p>Sei que muitos discordam dessas orientações. Sei que muitos escritores vão produzindo ao sabor da própria intuição. Mas sei também que, para o autor principiante, essa disciplina, esse esforço de planejamento é uma ferramenta indispensável, que lhe dará segurança, e da qual ele poderá, no futuro, se libertar.</p>



<p>Passo a passo, enquanto elabora o argumento, o escritor deve adensar os fatos, as cenas, impregnando-as de conflitos — interiores ou exteriores. Percebam que não se trata de um acúmulo de acontecimentos ou de uma lista de ações, mas de uma saturação psicológica, na qual as características das personagens se tornam complexas — e surgem alianças, contradições, antagonismos.</p>



<p>O escritor precisa construir o quadro das emoções, dos comportamentos, dos incidentes e das fatalidades, dos espaços em que a narrativa transcorrerá, das lutas surdas, dos gestos de heroísmo ou covardia, dos períodos de tempo, das dissimulações e das fraquezas.</p>



<p>Sem essa visão ampla, que seja realmente palpável, a tarefa de escrever será facilmente corroída pela tentação de simplificar, de recorrer a soluções fáceis — e a concisão, o laconismo será apresentado como opção estética, quando, na verdade, é somente um subterfúgio, um pretexto para não aprimorar a trama, para não se esgotar nesse cansativo trabalho.</p>



<p>Quando tudo estiver pronto, é hora de <a href="https://rodrigogurgel.com.br/escrever-e-um-ato-de-coragem/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">começar a escrever</a>.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Rodrigo Gurgel</a>.<br>Publicado originalmente em 30 de junho de 2018 no <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>website</em> do autor</a>.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem de capa “<em>The Letter</em>” (1921), por Edmund Blair Leighton (1853 – 1922).</p>



<br>
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			</item>
		<item>
		<title>O escritor e a política mesquinha de seu tempo</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/o-escritor-e-a-politica-mesquinha-de-seu-tempo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Gurgel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2022 15:50:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Alexei Suvorin]]></category>
		<category><![CDATA[Anton Tchékhov]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A última preocupação dos grandes escritores — aqueles que deixaram uma obra que transcendeu o período de tempo no qual viveram — era a política mesquinha de todo dia. Preocupavam-se principalmente em deixar uma obra que permanecesse para as futuras gerações.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Nada está no ambiente político de um país que não esteja primeiro em sua literatura.</em>”<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Hugo Laurenz August Hofmann (1874 - 1929): escritor e dramaturgo austríaco e um dos instituidores do ''Festival de Salzburgo''.">Hugo Von Hofmannsthal</span> (1874 &#8211; 1929)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">A<span data-tooltip-position="right" data-tooltip="Anton Pavlovitch Tchekhov (1860 - 1904):  médico, dramaturgo e escritor russo."><a href="https://rodrigogurgel.com.br/conselhos-e-reflexoes-de-anton-tchekhov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nton Tchékhov</a></span> escreveu certa vez que os grandes escritores e os grandes artistas devem se ocupar da política apenas na medida em que é preciso se defender dela.</p>



<p>Numa época como a nossa, em que vemos um nítido embate entre direita e esquerda em nosso país, esse pensamento ganha uma importância maior. Mas, em 1898, quando Tchékhov compartilhou-o com o amigo e editor <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Aleksei Sergeyevich Suvorin (1834 - 1912): editor de livros e jornalista russo.">Alexei Suvorin</span>, ele já demonstrava tal preocupação.</p>



<p>Ele sabia, certamente, que as grandes mudanças que podem acontecer numa sociedade ocorrem, antes de tudo, na cultura. Para que a vida política mude de alguma maneira, é preciso que haja primeiro uma mudança na cultura.</p>



<p>Pensemos no trabalho de décadas da esquerda no Brasil, controlando editoras e universidades, penetrando em todas as esferas de nossa cultura – tanto nas esferas do divertimento e do jornalismo, como nas áreas da ficção, da poesia e da crítica literária. A esquerda não dominou apenas a teoria sociológica, filosófica e política, mas a produção teórica em geral, nela incluída a própria teoria literária.</p>



<p>O que aconteceu no Brasil nas últimas décadas — e continua acontecendo — não nasceu do nada. As mudanças não surgem por geração espontânea, mas se devem a um trabalho no substrato da organização da sociedade, na cultura em geral.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/arte-e-condicao-humana/"><img loading="lazy" decoding="async" width="579" height="332" class="wp-image-13097" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Clementinum_Pequeno.jpg" alt="Clementinum (Pequeno)"></a>Tchékhov tinha consciência disso. Estava também consciente de que o trabalho de um grande escritor não deve se prender às questões momentâneas da política: ele precisa encarar sua arte e sua vida sob outra perspectiva, que vai muito além de sua própria vida e de seu próprio tempo.</p>



<p>A última preocupação dos grandes escritores — aqueles que deixaram uma obra que transcendeu o período de tempo no qual viveram — era a política mesquinha de todo dia. Preocupavam-se principalmente em deixar uma obra que permanecesse para as futuras gerações. Essa deve ser também a preocupação principal daqueles que desejam de fato tornar nosso país um lugar em que as ideias possam ser debatidas com maturidade, independência e sensatez — e em que a verdade possa ser buscada sem a influência perniciosa de ideologias.</p>



<p>Portanto, se você quer ser escritor, se quer produzir uma obra que efetivamente permaneça para além de sua época, não perca seu tempo buscando saber o que fez ou deixou de fazer este ou aquele político. Daqui a 10 ou 20 anos ninguém se lembrará de nada disso, como hoje ninguém se lembra de quem foi presidente do Senado Federal há 20 anos. Quem ainda se recorda dos nomes dos presidentes da Câmara Federal de 15, 10 ou 5 anos atrás? Ninguém. E essa ignorância não atesta a falta de senso crítico ou a inconsciência política dos brasileiros, senão a mera irrelevância desses fatos para a história — e o infortúnio de termos uma classe política que não vale nem a pena qualificar.</p>



<p>Ora, o primeiro grande passo para se defender do mundo da política é parar de ler jornal. Quem quer que deseje se aprofundar no mundo da leitura, da escrita e da literatura deve esquivar-se dos textos da mídia, em geral repletos de chavões e ideias vazias papagueados por jornalistas. Parem de ler essas notícias que pintam todos os dias um país mergulhado no caos — a imprensa vive desse eterno sensacionalismo.</p>



<p>Tchékhov estava certo, afinal. Se você de fato ama a literatura e quer se impregnar das coisas maravilhosas que existem no mundo da leitura e da escrita, não se deixe contaminar pela política.</p>



<br>



<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Rodrigo Gurgel</a>.<br>Publicado originalmente em 3 de fevereiro de 2020 no <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>website</em> do autor</a>.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Anton Chekhov</em>” (1898), por <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Osip_Braz" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Osip Braz</a> (1873 – 1936).</p>



<br>
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			</item>
		<item>
		<title>O que significa ser escritor?</title>
		<link>https://culturadefato.com.br/o-que-significa-ser-escritor/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Gurgel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 03:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[André Maurois]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Carlos Onetti]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://culturadefato.com.br/?p=12684</guid>

					<description><![CDATA[<p>“As <em>coisas tangíveis</em> para um artista encontram-se numa escala de valores que não podem ser as de um médico ou de alguém que vive de rendas. (...) <em>Que o criador de verdade tenha a força de viver solitário e olhe dentro de si mesmo. Que compreenda que não temos pegadas para seguir, que cada um haverá de fazer seu próprio caminho, de forma tenaz e alegre</em>.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>Para mim, um escritor tem justificação para escrever um livro se estiver apaixonado pelo tema.</em>”<br><span data-tooltip="Henry James, Jr. (1843 - 1916): escritor nascido nos Estados Unidos e naturalizado britânico. Uma das principais figuras do realismo na literatura do século XIX." data-tooltip-position="top">Henry James</span> (1843 &#8211; 1916)<br><br>“<em>Só devemos escrever acerca daquilo que gostamos.</em>”<br> <span data-tooltip="Joseph Ernest Renan (1823 - 1892): escritor, filósofo, teólogo, filólogo e historiador francês." data-tooltip-position="top">Joseph Ernest Renan</span> (1823 &#8211; 1892)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<br>



<p class="has-drop-cap">J<span data-tooltip="Juan Carlos Onetti (1909 - 1994): romancista e contista uruguaio considerado não só o escritor mais importante que teve a literatura de seu país, mas um dos maiores criadores de ficção em espanhol do século XX." data-tooltip-position="right">uan Carlos Onetti</span> foi o primeiro secretário de redação da <em><a href="https://culturadefato.com.br/downloads/politica_e_economia/2022/Marcha01.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Marcha</a></em>, semanário que surge em Montevidéu, no ano de 1939. Ali escreveu de tudo, inclusive crítica literária, que assinava com o pseudônimo de <em>Periquito, el Aguador</em>. Alguns textos são breves reflexões a respeito da criação literária — ou melhor, análises sobre o comportamento que a literatura exige de quem pretende ser escritor.</p>



<p>Em junho de 1939, <a href="https://www.cervantes.es/bibliotecas_documentacion_espanol/biografias/atenas_juan_carlos_onetti.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Onetti</a> recorda uma entrevista que <span data-tooltip="Emile Salomon Wilhelm Herzog (1885 - 1967): romancista e ensaísta francês. Pseudônimo de André Maurois, o qual tornou-se seu nome legal em 1947." data-tooltip-position="top"><a href="https://www.academie-francaise.fr/les-immortels/andre-maurois" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">André Maurois</a></span> concedera, um ano antes, à época de sua entrada para a Academia Francesa. “<em>Qual é o segredo do seu êxito?</em>”, pergunta o jornalista. E Maurois: “Muito simples. Eu durei”. Onetti afirma que o chiste tem “pouca transcendência” e se presta a um mal-entendido, pois escrever não é apenas aquele exercício que alguns fazem, sem descanso, da infância à velhice. Na verdade, para Onetti, o verbo “durar” serve a grande variedade de sentidos, que ele assim explica: “<em>Durar</em> frente a um tema, frente ao fragmento de vida que escolhemos como matéria do nosso trabalho, até extrair, dele e de nós, a essência única e exata. <em>Durar</em> frente à vida, sustentando um estado de espírito que não tenha nada a ver com o vão e o inútil, o fácil, as panelinhas literárias, os elogios mútuos, as bobagens de mesa de café”.</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/palavras-gordas-ideias-magras/"><img loading="lazy" decoding="async" width="619" height="351" class="wp-image-12691" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ALeituraPeq.jpg" alt="Recorte da obra: &quot;A Leitura&quot;, de Emilie Claus (1849 - 1924). Tamanho pequeno."></a>Trata-se, para Onetti, de perdurar, de persistir — continuar a existir, apesar de todas as dificuldades. Ele completa seu raciocínio: “<em>Permanecer</em> numa cega, prazerosa e absurda fé na arte, como numa tarefa sem sentido explicável, mas que deve ser aceita virilmente, porque sim, como se aceita o destino”.</p>



<p>Onetti volta ao tema em setembro de 1939, afirmando que nem todo escritor está “conformado psiquicamente” para a tarefa de produzir literatura. As “coisas tangíveis” para um artista encontram-se numa escala de valores que não podem ser as de um médico ou de alguém que vive de rendas. E salientando o “reino de mediocridades” do Uruguai daquela época, insiste: “Que o criador de verdade tenha a força de viver solitário e olhe dentro de si mesmo. Que compreenda que não temos pegadas para seguir, que cada um haverá de fazer seu próprio caminho, de forma tenaz e alegre”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Ser mais que um diletante</h3>



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<p>No número 6 de Marcha (outubro do mesmo ano), reitera: “Quando um escritor é algo mais que um aficionado”, escreve não por algum motivo especial, mas “porque sim, porque é seu vício, sua paixão e sua desgraça”. E se alguém troca a literatura por qualquer outra coisa — como o jornalismo, por exemplo —, se deixa de escrever literatura, “é simplesmente porque acaba de encontrar seu verdadeiro caminho”. Mas quando “tem” de escrever, então estará sempre pronto a “roubar uma hora ao dono do jornal, ao sonho, ao amor”.</p>



<p>Fora dessa que é a verdadeira duração, dessa continuidade indefinida de tempo, marcada pela entrega sem reservas, “todo o resto”, conclui Onetti, é mera “duração física, um pouco fatigante” — não é uma resistência, mas apenas aquela “virtude comum às tartarugas, aos carvalhos e aos erros”.</p>



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<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Rodrigo Gurgel</a>.<br>Publicado originalmente em 30 de Janeiro de 2018 no <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>website</em> do autor</a>.</p>



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<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Notas da editoria:</strong><br><br>Imagem da capa: “<em>Juan Carlos Onetti</em>”, por Beti Alonso.</p>



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<p>O post <a href="https://culturadefato.com.br/o-que-significa-ser-escritor/">O que significa ser escritor?</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturadefato.com.br">Cultura de Fato</a>.</p>
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		<title>Palavras gordas, ideias magras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Gurgel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2021 04:06:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Álvaro Lins]]></category>
		<category><![CDATA[Composições]]></category>
		<category><![CDATA[Emile Claus]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Redação]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Mann]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não há escrita sem reflexão. As palavras precisam expressar o que o escritor realmente deseja expressar. Por isso, para se desenredar da retórica perniciosa, quem escreve tem de pensar de forma clara e adequar o seu pensamento às palavras.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“<em>O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.</em>”,<br><span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Paul Thomas Mann foi um romancista alemão, autor de contos, novelas, ensaios políticos e obras primas.">Thomas Mann</span> (1875 &#8211; 1955).</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



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<p class="has-drop-cap">“Você precisa florear o seu texto. Um texto precisa ter palavras bonitas.” Era o que eu ouvia na escola quando comecei a escrever o que antigamente chamávamos de “composições” — o que hoje todos conhecem como “redação”.</p>



<p>Quantos professores não continuam repetindo a mesmíssima coisa para seus alunos e perpetuando a ideia falsa de que todo texto precisa ser, principalmente, enfeitado? Eles, contudo, não o fazem por mal. Repetem esses lugares-comuns porque desconhecem o que é literatura e porque aprenderam que escrever é um exercício de adiposidade verbal: usar palavras gordas para ideias magras, como dizia <span data-tooltip-position="top" data-tooltip="Álvaro de Barros Lins (1912 - 1970): advogado, jornalista, professor e crítico literário brasileiro. Membro da Academia Brasileira de Letras (ocupante da cadeira 17).">Álvaro Lins</span>. E é mais fácil repetir o que se aprendeu.</p>



<p>Sejam quais forem as razões que os levam a fazê-lo, o fato é que, ao repetir o aprendido, propagam uma retórica que poderíamos sem exagero chamar de venenosa. Essa retórica, difunde-a o escritor grandiloquente e os críticos que o incensam. Difunde-a a professora que escolhe textos palavrosos e cheios de uma adjetivação vazia, mostrando-os aos alunos como exemplos de boa literatura. Difunde-a o jornalista com seus chavões e frases de efeito em textos ocos e mal escritos. Difundem-na as escolas, os jornais, os portais de notícias da web, de modo que, em toda a parte, o que se encontra é só repetição.</p>



<p>Literários ou não, tais textos não refletem aquilo que o escritor ou autor realmente pensa: não passam de macaqueação. Revelam ainda o equívoco de conceber a escrita como o ato de reunir conceitos prontos e expressões lidas e/ou ouvidas em algum lugar — e enfiá-los todos num papel (ou numa tela).</p>



<p class="img-direita"><a href="https://culturadefato.com.br/a-abolicao-do-homem/"><img decoding="async" class="wp-image-6952" src="https://culturadefato.com.br/wp-content/uploads/2021/03/CachoeiraPequenaa.jpg" alt=""></a>Mas não há escrita sem reflexão. As palavras precisam expressar o que o escritor realmente deseja expressar. Por isso, para se desenredar da retórica perniciosa, quem escreve tem de pensar de forma clara e adequar o seu pensamento às palavras.</p>



<p>Essa questão não nos apresenta somente um problema linguístico ou estético, senão também um problema ético. Pois no substrato da imprecisão no uso das palavras ou do excesso de palavras vazias, há duas coisas: incompetência e insinceridade.</p>



<p>Males felizmente remediáveis.</p>



<p>A incompetência se revolve com o estudo, a leitura de bons autores e a produção consciente de textos. A insinceridade, por sua vez, resolve-se com uma mudança de comportamento. É preciso ser sincero consigo mesmo e fazer com que suas palavras digam aquilo que de fato você quer dizer. É preciso, enfim, deixar de ser um mero repetidor.</p>



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<p class="has-text-align-right">Escrito por <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Rodrigo Gurgel</a>.<br>Publicado originalmente em 24 de fevereiro de 2020 no <a href="https://rodrigogurgel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>website</em> do autor</a>.</p>



<br>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color"><strong>Nota do editor:</strong><br><br>A imagem associada a esta postagem ilustra recorte da obra: “A leitura”, criada em 1890 pelo pintor belga Emile Claus (1849 &#8211; 1924).</p>



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