Nas Escrituras do Antigo Testamento encontram-se diversas profecias sobre a vinda do Messias. Escritas séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, essas passagens descrevem aspectos de sua missão, de seu sofrimento e de sua obra redentora. O fiel cumprimento dessas promessas em Jesus constitui evidência fortíssima de que ele é, de fato, o Salvador anunciado na Bíblia.
No livro “Em Defesa de Cristo”, o jornalista Lee Strobel relata diversas histórias de pessoas que passaram a considerar essas profecias com maior atenção. Entre elas está a de Louis Lapides, um judeu ligado ao movimento hippie e usuário de drogas nos anos 1960, interessado em budismo, hinduísmo e outras religiões. Após uma conversa inesperada sobre as Escrituras (reproduzida após esta epígrafe), decidiu reler o Antigo Testamento — o que acabou levando-o à conversão ao cristianismo.
Vale mencionar que o próprio autor da obra, durante boa parte de sua vida, declarou-se ateu e cético em relação à fé cristã. Aliás, motivado pelo desejo de tornar sua esposa ateia, decidiu investigar historicamente as bases do cristianismo, entrevistando estudiosos e analisando documentos antigos. O resultado dessa investigação foi justamente o inverso: acabou levando-o à fé cristã e originou obras conhecidas, como a do excerto que segue.
⚠️ Ao final do texto, um vídeo complementa e encerra a reflexão apresentada.
O ano era 1969. A curiosidade de Lapides levou-o a visitar Sunset Strip para ver um evangelista que se acorrentara a uma cruz de dois metros e meio de altura, para protestar contra os donos de bares que tinham conseguido proibi-lo de trabalhar nas ruas. Ali, na calçada, Lapides encontrou alguns cristãos que começaram uma discussão sobre coisas espirituais com ele.
Com certa arrogância, começou a esbanjar filosofia oriental. — Não existe Deus lá em cima — ele dizia, apontando para o céu. — Nós somos Deus. Eu sou Deus. Vocês são Deus. Vocês só precisam aceitar isso.
— Bem, se você é Deus, por que não cria uma pedra? — alguém lhe perguntou. — Faça alguma coisa aparecer. É isso o que Deus faz.
Lapides, com a mente anuviada pelas drogas, imaginou que estava segurando uma pedra.
— Muito bem, então vejam, aqui está uma pedra — ele disse, estendendo a mão vazia.
O cristão zombou dele.
— Essa é a diferença entre você e o Deus verdadeiro — ele disse.
— Quando Deus cria algo, todos podem vê-lo. É objetivo, não subjetivo.
Isso calou fundo em Lapides. Depois de pensar no assunto por algum tempo, disse a si mesmo: “Quando eu encontrar Deus, ele terá de ser objetivo. Estou cheio dessa filosofia oriental que diz que está tudo na minha mente e que posso criar minha realidade. Deus deve ser uma realidade objetiva se quiser ter significado além da minha imaginação”.
Quando um dos cristãos mencionou o nome de Jesus, Lapides tentou se desvencilhar com sua resposta padrão:
— Sou judeu. Não posso crer em Jesus. Nisso um pastor entrou na conversa.
— Você conhece as profecias sobre o Messias? — ele perguntou.
Lapides foi apanhado desprevenido.
— Profecias? Nunca ouvi falar delas.
O pastor deixou Lapides perplexo, citando algumas predições do Antigo Testamento. “Um momento!”, pensou. “Ele está citando minhas Escrituras hebraicas! Como Jesus pode estar nelas?”
Quando o pastor lhe ofereceu uma Bíblia, Lapides se manteve cético.
— O Novo Testamento está aí dentro? — perguntou. O pastor fez que sim com a cabeça. — Está bem, vou ler o Antigo Testamento, mas não vou nem abrir o Novo — disse.
Novamente ele ficou surpreso com a resposta do pastor.
— Está bem. Leia apenas o Antigo Testamento e peça ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de Israel, que lhe mostre se Jesus é o seu Messias. Porque eu sei que ele é. Ele veio primeiro para o povo judeu, para depois se tornar o salvador do mundo.
Para Lapides, essas eram informações novas. Informações intrigantes. Informações surpreendentes. Ele voltou ao seu apartamento, abriu o Antigo Testamento no primeiro livro, Gênesis, e se pôs a procurar Jesus entre palavras que tinham sido escritas centenas de anos antes de o carpinteiro de Nazaré ter nascido.

Excertos do primeiro e do terceiro capitulo da obra:
Em defesa de Cristo, de Lee Strobel (jornalista e ex-ateu)
Publicado pela Editora Vida, sob ISBN: 978-85-7367-561-0.
Nota da editoria:
A imagem da capa é um recorte da obra: “The Light of the World” (1851–1854), de William Holman Hunt (1827–1910).
A pintura, clique aqui para vê-la integralmente, retrata Jesus batendo à porta, símbolo do chamado de Cristo ao coração humano. Um detalhe significativo é que a porta não possui maçaneta do lado de fora, indicando que ela só pode ser aberta por dentro. A obra tornou-se uma poderosa metáfora do encontro pessoal com a verdade e da decisão individual de acolher ou rejeitar esse chamado — ideia que dialoga diretamente com o relato apresentado no texto, no qual a busca sincera pela verdade acaba conduzindo à fé.






