Vivamos a Semana Santa

Recorte do afresco "Lamentação" (1305), de Giotto di Bondone (1267 - 1337).

Que a Paixão de Cristo esteja sempre esculpida na tua mente e no teu coração!
Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968)



Com a celebração do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, iniciamos a “semana maior” da Liturgia da Igreja, recordando os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Portanto, com este Domingo, já iniciamos a celebração da Páscoa deste ano. Hoje recordamos a entrada de Cristo em Jerusalém para celebrar a sua Páscoa. Vamos repetir um rito que o povo da antiga aliança costumava realizar durante a chamada “festa das tendas”, levando ramos nas mãos, significando a esperança da chegada do Messias. Hoje somos nós que também erguemos nossos ramos em procissão, reconhecendo que o Messias tão esperado está no meio de nós e, olhando para Jesus, aclamaremos: “Hosana, ao Filho de Davi”. Vale lembrar que o “Domingo de Ramos” é também é “Domingo da Paixão”. O mesmo Jesus aclamado festivamente ao entrar em Jerusalém será levado aos tribunais, condenado e crucificado, experimentando a humilhação do Servo do Senhor em vista de nossa salvação.

A Segunda, Terça e Quarta-feira Santas serão dias para acompanharmos a narrativa dos acontecimentos que antecedem a Paixão, Morte e ressurreição de Jesus. Na Segunda-feira Santa, recordaremos o gesto da mulher que unge os pés de Jesus e os seca com seus cabelos, prefigurando a unção do Corpo do Senhor para ser sepultado. A Terça-feira Santa será o dia em que, com grande tristeza, Jesus anunciará a sua morte e também a traição, indicando Judas como sendo o seu traidor. Já na Quarta-feira Santa, recordaremos o dia em que Judas decide trair Jesus, vendendo-o por trinta moedas. Seria bom aproveitar esses dias para uma boa confissão, quem ainda não a fez!

Semana SantaNa Quinta-feira Santa, ainda pela manhã, a Igreja, numa solene celebração eucarística presidida pelo bispo, reunir-se-á para celebrar a memória da instituição do ministério sacerdotal. Nesta celebração ficará visível o rosto da Igreja que, presidida pelo seu bispo tendo ao seu redor os seus padres e diáconos, com todo povo santo de Deus, celebra a Eucaristia. Também nessa ocasião, os padres renovarão suas promessas sacerdotais de servir a Deus e ao seu povo.

Ainda na Quinta-feira Santa (à tarde ou noite), a Igreja se reunirá mais uma vez, agora para abrir solenemente o Tríduo Pascal, com a celebração da Ceia do Senhor, memorial do sacrifício de Cristo na Cruz. Na ocasião, recordaremos o gesto de Jesus de lavar os pés dos discípulos indicando-lhes o mandamento do amor. A celebração se concluirá com a transladação do Santíssimo Sacramento para o altar da reposição. A partir desse momento, a Igreja permanecerá em vigília de oração, pois o Senhor, após a Ceia celebrada com os discípulos, será entregue aos que irão condená-lo.

Na Sexta-feira Santa, dia de jejum e de abstinência de carne, a Igreja permanecerá em profundo silêncio orante, e é com esse silêncio que começará a celebração da Paixão e Morte do Senhor. A Igreja reunida ouvirá atenta o relato da Paixão, como povo sacerdotal, rezará pelas intenções universais da Igreja e fará a solene adoração da Cruz. Ainda, todos somos convidados a fazer um gesto de solidariedade concreta para com os cristãos que vivem na Terra Santa (Israel, Palestina, Síria, Egito, Turquia…), onde nasceu a nossa fé; lá os cristãos são poucos e passam por privações e precisam de nossa ajuda. Façamos nossa oferta generosa na coleta para os “Lugares Santos”.

Durante o dia do Sábado Santo, o silêncio do dia anterior é prolongado. A Igreja, em oração diante da sepultura do Senhor, contemplará o mistério de sua morte. Por ela, o Senhor desce à “mansão dos mortos” para resgatá-los. Chegada a noite, a Igreja, cheia de alegria e júbilo, reúne-se para o grande anúncio da Ressurreição do Senhor. Com uma rica e longa celebração, ouviremos as leituras que farão o grande resumo de toda história da salvação, acompanharemos os que se prepararam para receber os sacramentos da iniciação, renovaremos nossa fé batismal e finalmente cantaremos alegres o Aleluia que anuncia a vitória de Jesus sobre o mal e a morte.

O Domingo da Páscoa será o grande dia e a mais importante celebração de nossa fé. “Este é o dia que o Senhor fez para nós”, cantaremos com o salmista e assim proclamaremos que a Páscoa de Cristo se faz viva e atual na vida de cada um de nós, de cada família, de toda Igreja e da criação inteira. Que nenhum católico se dispense facilmente de celebrar em sua comunidade este dia!

Feliz e santa Páscoa do Senhor para todos, com a bênção de Deus!


Escrito pela equipe do folheto litúrgico Povo de Deus.
Este texto faz parte do suplemento do folheto litúrgico de 29 de março de 2026 (Domingo de Ramos).
Para acessar folhetos litúrgicos de outras datas, acesse o website da Arquidiocese de São Paulo ou clique aqui.


Nota da editoria:

A imagem da capa é um recorte do afresco “Lamentações” (1305), de Giotto di Bondone (1267–1337). A obra integra as paredes internas da Capela Scrovegni, em Pádua, Itália.




Assista ao filme Paixão de Cristo (2004) — direção de Mel Gibson:





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