“O tempo é a substância de que sou feito.”
Jorge Luis Borges (1899-1986)
* Notas
À primeira vista, isto parece um jogo de xadrez comum.
Então você percebe que o adversário do jovem é a própria morte.
O jogador estuda o tabuleiro com total concentração, ainda procurando pelo movimento que o possa salvar. Do outro lado da mesa, a morte espera com notável paciência, uma mão já alcançando a próxima peça como se o resultado nunca tivesse estado em dúvida.
O menor objeto na mesa pode ser o mais importante.
Uma ampulheta senta-se silenciosamente ao lado do tabuleiro de xadrez, lembrando-nos de que cada movimento custa mais do que uma peça. Cada grão de areia que cai é o tempo que o jovem nunca consegue recuperar e, ao contrário do jogo em si, a ampulheta não pode ser virada.
É por isso que a morte parece tão calma.
Não tem razão para ter pressa porque o tempo sempre foi o seu maior aliado.
O fundo escuro reforça a mesma ideia. Owe Zerge remove todas as distrações até que restem apenas três coisas: o homem, o jogo e o adversário inevitável esperando em frente a ele. Nada mais importa porque todas as vidas humanas acabam por chegar à mesma partida final.
Talvez o artista tenha pintado o homem nu para demonstrar como riqueza, títulos e poses perdem o sentido diante da morte.
A pintura pertence a uma longa tradição artística em que a morte é retratada como uma companheira inevitável e não como um monstro. O xadrez torna-se o símbolo perfeito porque cada decisão importa, cada movimento carrega consequências, e nenhuma inteligência pode impedir que o jogo termine.
O jovem ainda está procurando uma forma de ganhar.
A morte simplesmente espera pelo tempo para fazer o movimento final.
Por “Explicando a Arte”
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Notas da editoria:
A imagem da capa é um recorte da obra: “Victoria Mortis” (1921), de Owe Zerge (1894–1983).
A obra foi leiloada pela Bukowskis. Para obter mais detalhes sobre a transação e a pintura, consulte: bukowskis.com. Para visualizá-la integralmente, clique aqui. ![]()
O título deste artigo foi atribuído por nossa editoria. ![]()













