“Todo socialista é um ditador disfarçado.”
Ludwig von Mises (1881-1973)
Até hoje o socialismo exerce uma grande influência sobre o meio intelectual brasileiro. Sua influência é sentida em várias áreas do conhecimento. Quem não conhece a Teologia da Libertação, a Pedagogia do Oprimido ou o Direito Alternativo?
O socialismo é em sua essência um regime totalitário, pois nega ao ser humano as liberdades mais básicas, como escolher que carreira irá seguir, aonde irá trabalhar e até mesmo sua liberdade de expressar seus pensamentos. Como lembra-nos Mises, o socialismo nega até o modo como a pessoa se integrará no conjunto da sociedade.
Os intelectuais brasileiros também desconhecem que o mercado não é um lugar, mas sim um processo no qual as pessoas interagem livremente comprando e vendendo o que mais lhes interessam. Os que advogam o socialismo e até mesmo aqueles que pregam o intervencionismo estatal desconhecem que ao exigirem a mitigação ou a extinção do mercado estão se posicionando a favor de outro processo, o político.
O problema é que o processo político sempre se dá por coerção e compulsão, ou seja, as pessoas compram determinados produtos por determinados preços não porque querem, mas porque são obrigadas. Alguns poderiam afirmar que um governo democrático teria legitimidade para optar pelo processo político em detrimento do processo econômico. Entretanto, isso também não é verdade, pois 51% da população não pode escolher prejudicar os outros 49% restantes, que nada fizeram para serem prejudicados. O mesmo raciocínio se aplica independentemente de quão pequena seja a minoria prejudicada.
Outro fato que parece escapar aos socialistas é a dualidade existente entre o poder político e o poder econômico. Essa dualidade, se não é garantia de uma democracia, é ao menos necessária para que ela exista. É por causa dela que existe a possibilidade, por exemplo, de um opositor do governo publicar um jornal ou um livro com críticas aos governantes. Para impedir manifestações oposicionistas importantes não é necessário que um país seja socialista, bastando que o Estado seja poderoso o suficiente para influenciar de maneira decisiva os meios de comunicação. Imaginem, por exemplo, que num país sob ditadura a indústria de celulose seja de propriedade estatal. Quando um jornal publicasse críticas contra o governo, este suspenderia o fornecimento de papel e o jornal deixaria de ser publicado, sem necessidade de censura ou qualquer tipo de violência física.
Mesmo no Brasil, existem inúmeros boatos que a afabilidade dos meios de comunicação no seu relacionamento com o governo federal é devida à crise financeira pela qual passa o setor, que supostamente receberia ajuda financeira do BNDES.
A inevitabilidade do fracasso do socialismo foi prevista pelo economista austríaco Ludwig von Mises em 1922. Segundo ele, no socialismo não há cálculo econômico (que informa tanto os consumidores como os empresários sobre aspectos vitais dos fatores de produção). Por exemplo, é graças ao cálculo econômico que um supermercado sabe que a demanda por alface aumentou. O mesmo acontece com os produtores de alface, que por causa do aumento da demanda aumentam sua produção. No socialismo não existe cálculo econômico porque não existe mercado e sem ele, não há preços. E sem preços não há cálculo econômico. O raciocínio é de uma simplicidade tão grande e ainda assim não é compreendido pelos socialistas.
Por Marcelo Moura Coelho.
Publicado originalmente no Mídia Sem Máscara, em 10 de julho de 2004.
Nota da editoria:
A imagem da capa é um recorte da obra: “Going to Work” (1943), de L. S. Lowry (1887–1976).










