Parlamento alemão aceita petição constitucional de grupo ativista pró-pedofilia

Obra: "O juízo final" (1523), por Jehan Bellegambe (1470 - 1536).

NT.: O website no qual o presente artigo foi originalmente publicado apresenta-se como um portal de “notícias e opiniões feministas”, e suas fundadoras e colaboradoras (entre as quais a autora deste texto) identificam-se como ativistas pelos direitos das mulheres, pelos direitos LGBT e afins. Neste caso específico, porém, tal contexto só pode intensificar nossa atenção ao conteúdo aqui exposto, pois: 1) constitui uma denúncia feita justamente por pessoas envolvidas nos próprios círculos desses movimentos, e 2) demonstra como, mesmo entre eles, há uma enorme dificuldade de articulação e harmonização (em última análise impossível) de todas as loucuras e contradições sugeridas por suas teorias esquizofrênicas. Nada disso muda o fato histórico de que as organizações e movimentos pró-pedofilia surgiram também como movimentos de apoio aos “direitos LGBT” e, mais tarde, ao feminismo, todos frutos da mesma árvore podre da revolução sexual moderna.
Daniel Marcondes



O Bundestag [parlamento] alemão aceitou uma petição delineando os direitos das crianças, elaborada por homens envolvidos em uma organização ativista pró-pedofilia. O Krumme-13, grupo que advoga a diminuição da idade de consentimento e a legalização da pornografia infantil, anunciou em seu website que uma resolução desenvolvida pelo fundador do grupo, Dieter Gieseking [foto], havia alcançado votos suficientes para ser acrescentada à constituição, ou Lei Básica.

Dieter GiesekingA petição de Gieseking emenda o Artigo 6 da Lei Básica para incluir declarações referentes aos direitos das crianças, e afirma que “as crianças deveriam ser vistas como sujeitos legais, com seus próprios direitos”. Esta petição foi submetida pela primeira vez ao Bundestag em 22 de maio de 2019, e tem sido objeto de um longo processo de revisão.

Entre os direitos listados no texto da petição encontra-se a afirmação de que as crianças têm “o direito de opinar em todos os assuntos que afetam seu bem-estar emocional, mental e físico” e “o direito ao livre desenvolvimento de sua personalidade”.

A “autodeterminação sexual” está incluída no Artigo 2 da Lei Básica sob a frase “desenvolvimento livre da personalidade”, fato que Gieseking fez questão de apontar aos seus seguidores, em seu website.

Como referência, tanto a petição quanto o Bundestag alemão citam a Convenção sobre os Direitos da Criança, da ONU.

Normalmente, uma petição para emenda da constituição nacional precisa angariar o apoio de mais de 50 mil cidadãos. No entanto, Gieseking foi informado pelo Comitê de Petições de que havia-se chegado à decisão, em 14 de fevereiro de 2021, de levar a petição do grupo pró-pedofilia para votação, juntamente com outras petições semelhantes, sobre os direitos das crianças, que estavam sendo consideradas.

O agrupamento de múltiplas petições foi formalmente finalizado em 11 de outubro. Uma vez que as petições foram consideradas como um único pacote, quando os representantes votaram durante a sessão de 19 de outubro, nem o nome de Gieseking, nem o de sua organização, Krumme-13 (K13), apareceram no website do Bundestag, naquele dia.

Em vez disso, as demandas do grupo pró-pedofilia de se acrescentar os “direitos das crianças” à constituição encontram-se listadas sob o código numérico 20/8782, petição 4-19-07-10000-043821.


Petição 4-19-07-10000-043821. Listada sob código 20/8782.


Para ser aprovada, ao menos dois terços dos votos eram necessários. Ela foi apoiada por representantes dos Democratas Socialistas, do Partido Democrático Livre e do Partido Verde.

A emenda relativa aos “direitos das crianças” é uma entre várias petições que Gieseking submeteu ao governo, mas a primeira a ter sido votada e aceita. Inicialmente, a proposta havia sido incluída juntamente com declarações exigindo o reconhecimento da pedofilia como uma identidade sexual.

“Além de todos os direitos das crianças propostos, a autodeterminação sexual deve ser também protegida e incluída na Lei Básica”, lemos em uma postagem da K13 sobre a petição, datada de julho de 2022.

“A pedofilia também deve ser incluída como identidade sexual. Os pedófilos em particular devem ser fundamentalmente protegidos da discriminação, na Lei Básica. E isto é completamente independente das leis criminais sexuais. A vasta maioria dos estimados 250 mil pedófilos não comete nenhum crime desse tipo. A pedofilia é uma identidade sexual separada.”

Os ativistas têm exigido que a “identidade [sexual] pedófila” seja “protegida da discriminação, criminalização, exclusão e perseguição” nas leis alemãs para a igualdade.

A língua alemã não distingue entre sexo biológico e o conceito de gênero socialmente construído. A palavra Geschlecht é utilizada de modo intercambiável para ambos, e Geschlechtsidentität é o equivalente dos termos “identidade de gênero” e “identidade sexual”. Sendo assim, as exigências de ativistas trans para que se inclua “identidade de gênero” como uma característica protegida compartilham de uma sobreposição linguística com os mencionados objetivos políticos dos ativistas pró-pedofilia.

Através do K13, Gieseking e seus apoiadores fazem lobby pela diminuição da idade de consentimento e pela legalização da pornografia infantil. O K13 também faz campanhas pela descriminalização das relações sexuais entre adultos e crianças.

“A legalização da sexualidade claramente autodeterminada entre pessoas mais velhas e aquelas abaixo dos 14 é a melhor proteção contra uma verdadeira violência sexual contra as crianças”, escreveu Gieseking em outra petição ao governo, enquanto pedia a abolição das Seções 176 [Abuso Sexual de Crianças] e 188 [Disseminação, Aquisição e Posse de Conteúdo Pornográfico Infantil] do código legal. Gieseking advoga que se faça uma distinção entre “consentimento sexual” e “violência sexual” no que tange aos atos sexuais entre adultos e crianças. Como ele também acredita que crianças podem consentir quanto ao sexo com adultos, Gieseking promove a visão de que apenas esta última (a violência sexual) deveria ser criminalizada.

Gieseking, um ex-oficial da guarda federal de fronteira, fundou o K13 em Trier, em 1993, e promoveu o grupo como uma organização de “autoajuda” para “pedossexuais”. Ele tem sido repetidamente indiciado pela posse de pornografia infantil.

Em 1996, Gieseking foi sentenciado a 18 meses, dos quais cumpriu um ano na prisão, sob acusações relacionadas à operação de um serviço postal de pornografia infantil a partir de uma van. Em 2003, Gieseking foi à corte novamente, acusado da posse de materiais de abuso sexual infantil obtidos entre julho de 1999 e janeiro de 2001. A pornografia foi encontrada no computador de Gieseking após uma busca em sua residência, em agosto de 2001. Seus dispositivos continham um total de 216 arquivos de imagem de crianças nuas, e ele foi sentenciado a 8 meses de prisão.

À época, Gieseking foi também acusado de fornecer, em seu website, um link para uma página de pornografia infantil. O link foi descoberto pela jugendschutz.net, uma organização criada pelo governo federal para proteger os menores online.

Em uma entrevista de 2014 para o Taz Online, Gieseking pediu a diminuição da idade de consentimento para os 12 anos, e disse que interações sexuais adultas com crianças na primeira infância teriam de ser “discutidas separadamente”.

“O tabu da pedofilia precisa ser finalmente quebrado em todos os níveis da sociedade. Se um pedófilo puder se revelar sem medo de sofrer exclusão ou mesmo qualquer demonização, esta será a melhor prevenção contra o abuso infantil”, disse-lhes Gieseking.


Notificação enviada a Gieseking pelo Comitê de Petições


“Para bebês e crianças em idade escolar elementar, o componente sexual em tal ‘relacionamento’ é problemático. Isso precisa ser discutido separadamente. Desde uma perspectiva de política sexual, uma idade de consentimento aos 12 é apropriada e já muito atrasada para a sociedade iluminada de hoje. Há garotos e garotas que tomam a iniciativa de um relacionamento amigável e sexual com um pedossexual. Portanto, é preciso haver uma reforma nas leis criminais sexuais que faça justiça a todos os envolvidos.”

A ativista pelos direitos das mulheres Rona Duwe, que tem sido repetidamente atacada por questionar o que ela vê como possíveis conexões entre o ativismo pró-pedofilia e o ativismo transgênero, contou ao Reduxx que a situação é “preocupante”.

“Apesar da exposição do abuso infantil organizado na Alemanha, ainda há poucos anos, e da pesquisa sobre a rede de Kentler, os interesses e objetivos políticos dos ativistas pedófilos continuam encontrando seu caminho até o processo legislativo”, disse Duwe, fazendo referência ao infame experimento do sexólogo Helmut Kentler, aprovado pelo senado de Berlim, que colocou crianças para adoção em casas de pedófilos.

“Algumas das mesmas figuras estão envolvidas nisto tanto quanto estavam nos anos 80, e utilizam as mesmas estratégias para silenciar seus oponentes. As políticas queer, com suas exigências, abrem novas possibilidades para que esses círculos de perpetradores se façam ouvir e para que recebam uma aparência séria. Demandas como ‘identidade sexual na Lei Básica’ já existiam em 2010, mas, àquela época, foram imediatamente rejeitadas”, explicou Duwe.

“Em 2023, a petição de um ativista pedófilo criminoso, que não esconde seus interesses, alcançou os comitês do Bundestag. Os ativistas pedófilos sempre abusaram dos direitos das crianças para atingir seus próprios objetivos. Através das contribuições ao K13 é também possível entender por que uma lei de autodeterminação é bem-vinda por parte de pessoas como Dieter Gieseking, e por que isso não é, de modo algum, apenas uma fantasia das feministas: uma lei de autodeterminação que permite que as crianças decidam sua identidade de gênero abre as portas para futuras exigências de uma alegada ‘autodeterminação sexual’ das crianças, mas que, na realidade, beneficia apenas aos perpetradores.”

Em julho passado, o K13 se gabou de que seus membros abriram uma bandeira “MAP” durante uma das maiores celebrações europeias do Orgulho Gay, em Colônia. “MAP” é um acrônimo utilizado em alguns círculos pró-pedofilia que significa “pessoa atraída por menores” [Minor-Attracted Person].

No evento do Orgulho em Colônia, ativistas pró-pedofilia também carregaram cartazes contra sua “censura” por parte da organização Queer.de e pediram pela “diversidade de opiniões” na comunidade LGBT.

No mês passado, o K13 apoiou a nova lei alemã de autoidentificação de gênero, afirmando que as “crianças trans” são “politicamente importantes” para o avanço dos direitos dos pedófilos. Gieseking fez com que os membros do K13 assistissem a um filme sobre um garoto de 8 anos de idade que fez a transição para viver como uma “garota”.

“Por que a identidade de gênero também é politicamente importante para pedófilos/pedosofistas?”, perguntou o K13. “A identidade de gênero e a identidade sexual não começam apenas no aniversário de 14 anos, quando o chamado limite de proteção de idade termina. As crianças podem e querem experienciar a sexualidade autodeterminada de sua infância antes disso.”

Notadamente, Gieseking tem zombado de lésbicas e feministas no website do K13, dizendo: “O ethos do feminismo e das lésbicas torna-se claro… elas afirmam, ignorantemente, que não haja relações sexuais consensuais entre adultos e crianças”.


Por Genevieve Gluck.
Tradução: Daniel Marcondes.

Para acessar o artigo original, clique aqui.


Notas da editoria:

Imagem de capa: “The last judgment” (1523), por Jehan Bellegambe (1470 – 1536).


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