“Para que o mal triunfe, basta que os homens bons não façam nada.”
Edmund Burke (1729-1797)
Não me venham pedir voto aqueles que aceitaram submeter à tutela de outro poder a representação recebida do eleitor. É sobre nós, eleitores, que tal desprezo converge.
Não me venham pedir voto aqueles que assistiram, impassíveis, a truculência institucional se instalar no país.
Não me venham pedir voto aqueles que, por cargos e emendas parlamentares, arrendaram seus mandatos a um governo que destruiu a economia e proporcionou escândalos em cascata ao voltar para o lugar do crime.
Não me venham pedir voto aqueles com cuja omissão o cala-boca foi ressuscitado, dando origem a uma suposta democracia tão esquisita quanto censurada e silenciosa…
Não me venham pedir voto os que nada viram de ativista, excessivo e truculento nos julgamentos do caso “8 de janeiro”.
Não me venham pedir voto os que jamais abriram a boca para reprovar o silêncio imposto, na campanha eleitoral de 2022, a temas como as más companhias nacionais e internacionais e a vida pregressa do candidato Lula.
Não me venham pedir voto os que, despidos de toda compaixão, não deram qualquer importância aos gravíssimos casos dos cidadãos Filipe Martins, Bárbara Rabelo, Clezão e centenas de outras vítimas de injustiças e ardilosas estratégias.
Não me venham pedir voto os cortesões dos novos donos do poder, que com tudo concordam ou normalizam e a tudo aplaudem até se tornar rotineira a desgraça de tantos.
Não me venham pedir voto os que fogem quando o tema é anistia para os condenados pelo 8 de janeiro ou o encerramento do “Inquérito do fim do mundo”, que há sete anos aponta sempre no mesmo sentido e para o mesmo alvo.
Não me venham pedir voto os que fingem não conhecer causas e consequências das blindagens recíprocas entre senadores e ministros da Suprema Corte.
Não me venham pedir voto aqueles que, com sua submissão, contribuem para o descrédito das instituições.
Não me venham pedir voto os que tremem quando o assunto é eventual impeachment, constitucionalmente previsto, de autoridades da República.
Cuide, como precioso bem, dos seis votos que dará agora nos pleitos de 4 de outubro. Há muitos bons candidatos e as dificuldades nacionais cobram dedicação de muita gente boa. A nação merece viver, em outubro, a alvorada de tempos melhores.
Por Percival Puggina.
Publicado no website do autor, em 30 de agosto de 2026.
Nota da editoria:
A imagem da capa é um recorte da obra: “The Charge” (c. 1902), de André Devambez (1867-1944).
Sobre a imagem:
O museu de Paris, Musée d’Orsay, descreve a obra como um confronto entre o poder e manifestantes. A posição política dos manifestantes não é identificável — podem ser sindicalistas, anarquistas, nacionalistas ou opositores de Dreyfus.











































