Os dez esteios do regime

Obra: "The triumph of death" (aprox.1562), por Pieter Bruegel (1525–1530 - 1569), o Velho.

Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.
Georg Christoph Lichtenberg (1742 – 1799)

O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é serem
governados por aqueles que se interessam.
Platão (428/427 a. C. – 348/347 a. C.)



Em nosso país, do Estado Democrático de Direito só resta o Estado em forma bruta e brutal. A democracia foi extinta por sucessivas omissões da representação parlamentar e o Direito está relativizado às conveniências dos donos do poder.

Ocorreu-me, então, identificar quem sustenta esse poder tão ativo, tão repressivo à direita e tão pertinaz no combate à liberdade de expressão.

Numa conta redonda, cheguei aos seguintes dez esteios do novo regime político brasileiro:

  1. A legião dos omissos e dos isentões;
  2. A multidão dos ignorantes dos quatro costados, passivos e sem voz porque sequer têm o que dizer;
  3. Os capturados pelo esquerdismo radical, moedor de neurônios, cujo senso moral foi vítima de sinistro sem cobertura de seguro;
  4. Os muitos que se aconchegam à lareira do poder, de cujas regalias usufruem;
  5. Os totalmente dependentes do Estado, aos quais se acrescentam, todo ano, novas vítimas de um tipo de miséria que só o Estado é capaz de produzir em tais proporções;
  6. Os covardes, que levam flores ao próprio silêncio no cemitério da Política;
  7. Os raramente frustrados corruptores, corruptos e criminosos, organizados ou não, hábeis em lidar com nossas piores tradições;
  8. Os submissos a toda sorte de pressões por terem o rabo preso em mãos de quem não se importa de abusar dos instrumentos institucionais;
  9. O Consórcio Goebbels, seus membros, seus dependentes e a multidão que seus veículos manejam manejam a massa no curral das opiniões;
  10. Os mercenários da guerra cultural, bem pagos para atuar na cadeia produtiva da gandaia brasileira, adversários do Bem, da Beleza, da Justiça e da Verdade.

Vamos combinar que é uma assombrosa parceria, cujo produto só pode ser essa obra prima das malas-artes políticas sob as quais vivemos. Esqueci algum ou alguém?


Por Percival Puggina.
Publicado no website do autor, em 24 de julho de 2025.


Notas da editoria:

Imagem da capa: “The triumph of death” (aprox. 1562), por Pieter Bruegel (1525/1530 – 1569).


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