Professor não deveria ser chamado de educador

Recorte da obra: "The Village School" (1896), de Albert Anker (1831-1910).

Professor é profissão; educador é vocação.
Pensamento comumente atribuído a Salomão Becker (1922-2022)



Nunca me conformei com a denominação “educador” que passou a ser usada para designar profissionais que atuam em escolas, colégios e comunidades escolares.

Sou da época em que professor era mestre e despertava sentimentos como respeito, admiração e até temor. Antes de tudo era uma das autoridades que desde cedo aprendíamos a respeitar, assim como os pais, avós e tias, a quem pedíamos “bênção” bem como respeitávamos a todos os adultos e mais velhos. Infração grave era desrespeitar, gritar e quase impensável agredir, uma pessoa mais velha, os pais ou um professor. Ato intolerável, e uma sequência de punições inevitavelmente seria imposta, sem que houvesse necessidade deestatutos, conselhos tutelares, ou qualquer entidade semelhante, fora o antigo “juiz de menores” para os sempre existentes infratores e marginaizinhos.

Havia uma ética, uma moral, uma sociedade em que determinados valores era transferidos de geração a geração e crescíamos ainda que com pais distantes, severos e provedores e mães presentes, bravas ou afetivas e professores com vocação e estimulados, impondo respeito e transferindo conteúdo, dando “bomba” para os maus alunos e passando os dedicados e capacitados. A fórmula era simples, não havia o psicologismo dos anos 80 “não puna seu filho” nem o passar de ano automático e por decreto.

Pais educavam! Impunham limites, regras, valores, crenças. Nem sempre corretas, às vezes autoritárias, que à medida que envelheciam iam afrouxando, se tornando mais afetivos e próximos. Mas antes de qualquer coisa, mantinham as regras curtas!

O professor exigia, cobrava, se doava, dedicava para aquilo que era treinado: ensinar. Transferir conteúdo, conhecimento da maneira mais pedagógica e didática possível, se pudesse mesclado com o lúdico e afetivo, mas sem perder a hierarquia e o papel de autoridade.

Veio os anos 90, 2.000, internets, celulares, iPods, iPads, separações, famílias em mosaicos, mulheres provedoras e sem tempo para exercer a maternidade, pais acomodados e separados, que esqueceram de sua prole e da responsabilidade paterna. E para piorar professores doentes físicas e psiquicamente, arrasados, sub-remunerados, ainda são cobrados para “dar um jeito” nos semianalfabetos “passado por decreto”, deseducados e nas gangs e tribos, em meio ao bullying, violência e desrespeito, um verdadeiro “climão” pesado, uma fábrica de fazer doido e sendo cobrados para a função de educadores!

Família educa, professor ensina, conselho tutela, policia prende, autoridade se impõe e existe para ser respeitada!

No mais é internet, Youtube, Orkut e Facebook para lançar modismos, tenofismo, invasão de privacidade e um “mundo cão”.

A solução está onde os problemas começam: família e escola têm que repensar! E assumir seus papéis, antes que o mundo acabe!


Por Eduardo Aquino.
Publicado originalmente no website O Tempo, em 24 de julho de 2011.


Notas da editoria:

A imagem da capa é um recorte da obra: “The Village School” (1896), de Albert Anker (1831-1910).




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