“Até para caminhar, é preciso primeiro firmar uma perna
no chão antes de avançar com a outra.”
Olavo de Carvalho (1947 – 2022)
Conservação e progresso não são opostos, mas quando se transformam em base para posicionamentos estanques, tendem a desvirtuar a noção que temos da realidade.
Ainda assim, muitas pessoas escolhem se fixar em um dos lados. Surge daí uma guerra entrincheirada. Conservadores mostrando horror pelo progresso e progressistas sentindo ojeriza pela conservação. Fecha-se, assim, qualquer espaço para conciliação.
No entanto, a posição absoluta, seja conservadora, seja progressista, é mera ilusão. Isso porque o conservador, se quiser conservar, tem de aceitar que as coisas precisam ser constantemente reformadas, sob o risco de ruína. Por outro lado, o progressista, se quiser que as coisas se desenvolvam, precisa conservá-las primeiro, sob pena de sequer ter o que evoluir.
O fato é que conservação e evolução são dois aspectos inexoráveis da existência. Um não existe sem o outro, um não acontece sem a participação do outro.
Claro que existem tendências. Algumas pessoas são mais conservadoras, pois enfatizam a preservação e desconfiam das propostas de mudanças; outras são mais progressistas e privilegiam a mudança, não gostando que as coisas permaneçam as mesmas. Enquanto isso for apenas uma característica temperamental, não é um grande problema. O problema surge quando preservação ou transformação transformam-se em ideologia, no sentido mais pejorativo que se pode dar a essa expressão: uma ideia fixa que não aceita gradação nem qualquer tipo de concessão. Neste caso, o conservador vira regressista e o progressista, revolucionário.
A verdade é que conservação pura e simples é atraso, porque os tempos mudam e exigem adaptação; a mudança, por seu lado, em si mesma, é apenas degradação, porque só o que é preservado pode ser melhorado. Portanto, eu posso até me considerar conservador ou progressista, como ênfase naquilo que eu privilegio, mas se essas denominações servirem para estancar meu pensamento, elas já não servem para esclarecer meu entendimento da realidade.
Por Fabio Blanco.
Publicado no canal do Telegram do autor, em 19 de setembro de 2025.
Fabio Blanco também é o responsável pelo portal filosofiaintegral.com.br, e seu wesite fabioblanco.com.br.
Notas da editoria:
Imagem da capa: “The consummation the course of the empire” (1836), por Thomas Cole (1801 – 1848).
O título desta postagem (“Conservação e progresso”) foi atribuído por nossa editoria.









