Por que “1984” ainda não passou

Recorte da obra: "Metrópolis" (1916 - 1917), de George Grosz (1893 - 1959).

Quem controla o passado, controla o futuro.
Quem controla o presente, controla o passado.
George Orwell (1903 – 1950)



Atualmente, não sem razão, muito se fala sobre a obra 1984, de George Orwell. Escrita em 1948, o romance expõe a visão — ou, talvez, os alertas — do autor sobre um futuro marcado pelo controle, pela manipulação e pela supressão da liberdade, sendo o título, inclusive, uma inversão dos dois últimos algarismos do ano em que a obra foi concebida.

A seguir, relacionamos cinco pontos que traduzem o âmago desse best-seller, cujas reflexões permanecem surpreendentemente atuais — leia-os e talvez você já não catalogue o livro apenas como uma distopia.


1. Vigilância permanente


O cidadão vive com a certeza de que está sendo observado o tempo todo, mesmo sem saber quando ou por quem. A vigilância constante não precisa se manifestar de forma explícita; basta a dúvida. Quando as pessoas acreditam que podem estar sendo vigiadas a qualquer instante, passam a vigiar a si mesmas — e o controle se torna automático.

2. Manipulação da verdade


Os registros do passado são alterados continuamente para que nunca entrem em conflito com o discurso do poder. O que ontem era verdade hoje se torna mentira, e ninguém deve lembrar da versão anterior. A realidade deixa de ser algo fixo e passa a existir apenas naquilo que é oficialmente declarado.

3. Linguagem como ferramenta de dominação


Ao reduzir o vocabulário, reduz-se também a capacidade de pensar. Ideias complexas, críticas ou perigosas deixam de existir não porque são proibidas, mas porque já não há palavras para expressá-las. Pensar contra o sistema torna-se literalmente impossível.

4. Medo e conformismo


O medo não precisa ser constante; basta ser exemplar. O castigo aplicado a alguns poucos serve como aviso silencioso para todos os outros. Assim, o indivíduo aprende que é mais seguro aceitar, repetir e obedecer do que questionar, mesmo quando sabe que algo está errado.

5. Controle da mente


O poder absoluto não se contenta em controlar ações; ele exige controlar pensamentos. Não basta obedecer — é preciso acreditar. O objetivo final é fazer com que a pessoa ame aquilo que a oprime, eliminando qualquer conflito interno entre razão e obediência.


Escrito pela Editoria da Cultura de Fato.


Notas da editoria:

A imagem de capa é um recorte da obra “Metrópolis”(1916 – 1917), de George Grosz (1893 – 1959).


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