“O problema não é que Johnny não pode ler. O problema não é nem mesmo que Johnny não pode pensar.
O problema é que Johnny não sabe o que é o pensamento; ele confunde com sentimento.”
Thomas Sowell
No último dia 6 de dezembro, publicamos em nosso canal do Telegram os dois parágrafos a seguir:
Saiba que há eleições, mas sem escolha popular genuína, em países como Coreia do Norte, Rússia, Laos, Cuba, Vietnã, Venezuela e Nicarágua. Esquecemos alguma pátria?
Em todas essas nações, ocorre pelo menos um dos seguintes fatores: partido único ou hegemonia partidária; oposição ilegal ou perseguida; justiça eleitoral controlada; ou mídia censurada. Esquecemos algum fator?
Para nossa surpresa, no mesmo dia, um usuário identificado como “Engenheiro {3}{6}{9}” respondeu a esses parágrafos com a seguinte mensagem:
“grande mentira, nos EUA são eleitos por delegados não por votos, vão tomar no seu seus merdas.” [sic]
Ficamos surpresos, pois, em canais do Telegram, normalmente não há participantes com diretrizes tão opostas às do grupo. No entanto, de modo geral, Paulo Freire produziu uma extensa série de “Engenheiros {3}{6}{9}”, razão pela qual escrevemos uma resposta, reproduzida a seguir:
Nosso “engenheiro” parece não notar o óbvio: nos EUA houve sucessões claras entre governos de esquerda (Clinton, Obama, Biden) e de direita (Bush, Trump), algo simplesmente inexistente em regimes como Cuba ou Coreia do Norte, onde o poder permanece concentrado em um único grupo político por décadas.
Ignora também que o atual mandatário norte-americano não poderá exercer um terceiro mandato, pois a 22ª Emenda da Constituição dos EUA é clara: “Nenhuma pessoa poderá ser eleita para o cargo de Presidente mais de duas vezes.”
Cuba, nos últimos 50 anos, esteve sob o poder de Fidel Castro, Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel, governo atual que permanece sob controle direto do Partido Comunista e das Forças Armadas. Na Coreia do Norte, Kim Jong-un governa desde 2011, sucedendo o próprio pai, Kim Jong-il, que governou de 1994 até sua morte.
Em suma, ao contrário dos países citados, nos Estados Unidos:
- há alternância real de poder;
- existe oposição legal e atuante;
- o Judiciário é independente;
- a imprensa pode criticar o governo livremente;
- eleições podem derrubar quem governa.
Como estamos respondendo a algo elementar, convém esclarecer ainda o seguinte: nos EUA, os delegados do Colégio Eleitoral são escolhidos a partir do voto popular em cada estado, e não nomeados pelo partido no poder. Logo, o fato de uma eleição ser indireta não elimina, por si só, a escolha popular. O critério decisivo é simples: o voto do cidadão pode, de fato, mudar quem exerce o poder?
Talvez nosso “engenheiro” saiba lidar com números e algoritmos, mas não compreenda bem a função das palavras. Para tornar ainda mais claro — não para vocês, mas para ele —, é possível que alguém leia sem dificuldades “200 gramas de copa”, mas não saiba quanto é 200 gramas, nem saiba que “copa” designa um tipo de frios. Portanto, alguém pode ler sem compreender a função das palavras que leu. O nome disso é analfabetismo funcional.
Viva a esquerda e Paulo Freire!
Escrito pela Editoria da Cultura de Fato.
Notas da editoria:
A imagem de capa é um recorte da obra “Estátua da Liberdade – New York”, de ThatWorksMedia.





































