“A música pode nomear o inominável e comunicar o incognoscível.”
Leonard Bernstein (1918 – 1990)
Desde muito pequeno que me habituaram a ouvir a chamada “música ligeira”1, que era uma espécie de versões de música ritmada instrumental e orquestrada de temas clássicos ou/e modernos, desde a música clássica até à chamada “música pop”.
Por exemplo, o meu pai comprou muitos discos do maestro francês Paul Mauriat
que é um exemplo de um maestro de “música ligeira”, e eu habituei-me a ouvi-lo em casa e na rádio. Mauriat morreu em 2006.
Outro maestro muito divulgado e conhecido de “música ligeira” foi o americano Ray Conniff
; morreu em 2002. De repente veio-me à memória o maestro francês de “música ligeira” Franck Pourcel
; fui ver à Wikipédia: morreu em 2000.
Talvez o precursor da “música ligeira” e o mais antigo terá sido o maestro americano Percy Faith
: faleceu em 1976. Billy Vaughn
, outro maestro e compositor americano de música ligeira, faleceu em 1991. Finalmente, o maestro alemão de “música ligeira” James Last
, nascido em Bremen (Alemanha) e residindo na Florida (Estados Unidos), deixou-nos em 2015.
Salvo esteja eu errado, o único espécimen ainda vivo da “música ligeira” é o pianista e maestro francês Richard Clayderman
. Já não há mais ninguém.
A crise ou mesmo o desaparecimento da “música ligeira” reflete a crise da música contemporânea que deixou de ter criatividade e não tem qualquer qualidade harmónica, por um lado, e por outro lado traduz a falta de educação dos nossos jovens no que respeita à chamada “música clássica” — porque a “música ligeira”, de certa forma, faz a simbiose (por assim dizer) entre a música clássica e a música contemporânea.
Por Orlando Braga.
Originalmente publicado em 18 de fevereiro de 2018, no website do autor.
Notas da editoria:
1. No Brasil, o que em Portugal se chama “música ligeira” corresponde aproximadamente ao gênero conhecido como easy listening, muitas vezes identificado pelo público como “música orquestrada”. Mantemos aqui o termo original utilizado pelo autor, Orlando Braga, que é português. ![]()
2. A imagem da capa é um recorte da obra: “A orquestra da ópera” (1868), de Edgar Degas (1834 – 1917). ![]()
Abaixo, uma gravação emblemática de cada um dos músicos mencionados:







Álbum de fotos:
Paul Mauriat (1925 – 2006)
Ray Conniff (1916 – 2002)
Franck Pourcel (1913 – 2000)
Percy Faith (1908 – 1976)
Billy Vaughn (1919 – 1991)
James Last (1908 – 1976)





































