Bugigangas são só bugigangas

Recorte da obra: "Still life with books and skull" (1629), de Jan Davidsz. de Heem (1606–1684).

Os prazeres terrenos provavelmente nunca tiveram a intenção de satisfazer,
mas apenas de despertar o desejo pela realidade verdadeira.

C. S. Lewis (1898-1963)

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.”
Eclesiastes 1:2



Alguém sobre quem depositou expectativas lhe frustrou?
Não pense que voltar-se para si mesmo em busca de auto realização vai lhe frustrar menos. Você também não pode se fazer feliz!

A questão é que nada nesse mundo pode lhe satisfazer plenamente. Enquanto seus planos para buscar satisfação estiverem nas coisas transitórias desta vida, o resultado será sempre frustração.

Sua juventude, beleza e vigor são transitórios.
Sua carreira e sucesso profissional também são transitórios.
Sua memória, com todo o conhecimento acumulado, e sua lucidez não são à prova do tempo e intempéries desta vida.

E o dinheiro? Ah, o dinheiro… quanta tolice acreditar que o sucesso financeiro pode saciar sua fome de realização! Ele não é apenas instável, mas também não tem “peso” suficiente para saciar a fome da alma humana.

Se dinheiro fosse sinônimo de satisfação, não haveria ricos insatisfeitos. E se você acha que no seu caso seria diferente, é porque não conhece a natureza da sua fome.

Quantas vezes já desejou algo e, depois de conseguir, descobriu que não era bem isso? Sua fome de satisfação vem da alma, é fome de infinito. As coisas deste mundo não podem satisfazê-la.

Não desperdice sua vida correndo atrás de ambições temporais. Dinheiro, relacionamentos, diplomas, fama, beleza, saúde, realização profissional, viagens ou qualquer outro prazer temporário jamais poderá lhe fazer feliz de verdade. Tudo isso tem seu devido valor nesse mundo mas, em comparação com o que é eterno, não passa de bugiganga.

Essas “bugigangas”, no máximo, dão a ilusão de satisfação por um curto período (como quando você ganha um brinquedo novo). Contudo, logo deixam aquela sensação de que falta alguma coisa, pois não têm peso de eternidade para saciar sua alma.


Por Noeme Rodrigues de Souza Campos.
Publicado originalmente no website da Editora Ultimato, em 10 de fevereiro de 2022.


Nota da editoria:

A imagem da capa é um recorte da obra: “Still life with books and skull” (1629), de Jan Davidsz. de Heem (1606–1684).

Sobre a pintura: obra pertencente à tradição vanitas da pintura barroca holandesa, marcada por símbolos da transitoriedade da vida e da insuficiência das riquezas, prazeres e conquistas humanas. A escolha da imagem dialoga diretamente com a reflexão proposta no texto acerca da fugacidade das ambições terrenas e da busca humana por uma satisfação que as coisas materiais não podem oferecer plenamente.

Vale mencionar que a palavra vanitas vem do latim e significa “vaidade”, “vacuidade” ou “futilidade”. A origem da ideia está especialmente no livro bíblico de Eclesiastes: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ec 1:2).




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