“A família é o teste da liberdade; porque a família é a única coisa que
o homem livre faz por si mesmo e de si mesmo.”
G. K. Chesterton
Para a intelligentzia, a família — ou “a família tradicional”, como eles dizem — é apenas um estilo de vida, dentre outros. Além disso, eles anunciam, periodicamente, seu declínio, sem nenhum sinal de arrependimento. Às vezes, apenas com um sinal de complacência.
Os dados do censo mais recente mostram que a família tradicional — um homem e uma mulher casados e seus filhos — constitui somente um pouco menos que um quarto de todos os domicílios. Por outro lado, tais famílias constituíam apenas um pouco mais que um quarto de todos os domicílios uma década atrás.
Qualquer reportagem sobre o fracasso da família tradicional é enormemente exagerada. Estatísticas localizadas no tempo podem ser muito enganadoras quando se percebe que as pessoas passam por diferentes estágios ao longo de suas vidas.
Mesmo as famílias mais tradicionais — incluindo-se Ozzie e Harriet1 — nunca consistem, permanentemente, de casais casados e seus filhos. As crianças crescem e se mudam. As pessoas que se casam não têm filhos imediatamente.
Se cada solteiro no país se casasse e tivesse filhos, ainda assim as famílias tradicionais não constituiriam 100% dos lares. Com o aumento da renda individual, mais indivíduos podem ter suas próprias casas. Estes incluem jovens solteiros, viúvos e viúvas e outros que viviam com parentes no passado.
Quando mais domicílios desse tipo são criados, menor será o percentual de domicílios das famílias tradicionais. A propósito, o crescimento de domicílios contendo apenas uma pessoa — aproximadamente 25% de todos os domicílios, atualmente — é a razão pela qual a renda média domiciliar está crescendo muito pouco, apesar de a renda per capita estar crescendo substancialmente.
Os profetas do apocalipse adoram citar as estatísticas da renda domiciliar para alegarem que a renda dos americanos está estagnada, quando, de fato, existe um incomparável e sustentado crescimento da prosperidade de homens e mulheres, negros e brancos — de, virtualmente, todos.
O casamento tem ocorrido, realmente, mais tarde hoje do que no passado e um maior número de pessoas não se casam. Mas, 53% de todos os domicílios ainda possuem casais casados, com ou sem filhos vivendo com eles, enquanto alguns outros domicílios contêm viúvas e viúvos cujos casamentos só terminaram com a morte.
Apesar das tentativas de igualar casais casados com pessoas que vivem juntas como “companheiros domésticos”, os primeiros estão, de fato, em melhor situação do que os últimos, por quase qualquer padrão que se possa pensar. Casais casados têm mais alta renda, vida mais longa, melhor saúde, menor violência, menor consumo de álcool e menor pobreza.
Como Casey Stengel costuma dizer: “Consulte e veja”. Um dos lugares para consultar é o livro “The Case for Marriage” (Em Defesa do Casamento) de Linda Waite e Maggie Gallager. Mas, esse é apenas um lugar dentre muitos. Você não escuta, usualmente, essas coisas porque elas não são consideradas “politicamente corretas” enquanto a mídia, os políticos, a academia e as cortes estão ocupadas em fazer qualquer forma de vida a dois parecer equivalente.
O mais recente relatório do censo “Famílias e Arranjos Familiares nos EUA” contém todo tipo de estatística, mas evita mostrar a mais básica das estatísticas a respeito da renda média das famílias de casais casados comparada com a de “outros tipos de domicílios familiares” ou com “domicílios não familiares”.
O Bureau de Estatística, aparentemente, não quer ser politicamente incorreto. Se você, no entanto, remexer os números, encontrará algumas evidências reveladoras. Enquanto “companheiros solteiros” e “cônjuges” estão distribuídos em todas as faixas de renda, a faixa com o maior número de homens que são companheiros solteiros é entre US$ 30.000 e US$ 40.000. A faixa com o maior número de maridos é entre US$ 50.000 e US$ 75.000.
Dentre os domicílios de casais casados, a faixa com o maior número de domicílios é de US$ 75.000 e acima. Dentre os “outros grupos familiares”, a faixa com o maior número de domicílios é aquela acima de US$ 10.000. As mulheres amasiadas têm quatro vezes mais chances de serem vítimas de violência do que as esposas, e seus filhos têm 40 vezes mais chances de sofrerem abusos dos namorados da mãe do que dos próprios pais.
Apesar de tudo isso, permanece o dogma entre aqueles que criam as modas ideológicas de que o casamento é somente um outro estilo de vida, nem melhor, nem pior do que qualquer outro. Mesmo o Bureau de Estatística parece relutante em publicar dados estatísticos que vão contra essa visão e que irritarão os ungidos.2
Por Thomas Sowell.
Publicado no website Mídia Sem Máscara, em 3 de maio de 2006.
Texto original, em inglês, publicado em tsowell.com. Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo.
Notas:
- The Adventures of Ozzie and Harriet (As Aventuras de Ozzie e Harriet) foi uma das comédias familiares de vida mais longa na TV Americana. Ozzie e Harriet Nelson e seus filhos David e Richy faziam, na série, o papel deles mesmos. Os Nelsons personificavam a existência americana normal tão perfeitamente que seus nomes simbolizaram, por décadas, a decente e feliz vida familiar. (N. do T.).

- Sobre o conceito sowelliano de “ungidos”, a editoria do Cultura de Fato recomenda a leitura da obra Os Ungidos.

Nota da editoria:
A imagem da capa é um recorte da obra: “Christmas Eve”(1904–1905), aquarela sobre papel, de Carl Larsson (1853–1919).




















